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SÃO PAULO – Refletindo as maiores incertezas dos investidores com relação ao cenário político, o mercado brasileiro como um todo registrou um fraco desempenho na última semana de julho, de forma que o dólar acumulou forte alta e os juros futuros também apontaram alta. O pessimismo estendeu-se, também, ao mercado acionário paulista, de forma que a Bovespa acumulou queda na semana.
Votação da Reforma da Previdência foi adiada
Neste sentido, o discurso oficial do governo nunca mostrou-se tão desafinado com suas práticas quanto nesta semana, uma vez que as ações de lideranças governistas iam em sentido totalmente contrário à orientação partidária. Neste sentido, na terça-feira, a Executiva Nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) reuniu-se em Brasília para fechar questão favorável à aprovação da Reforma da Previdência no plenário da Câmara, marcada até então para o dia 5 de agosto.
O partido decidiu, dessa maneira, apoiar a preservação integral do projeto, não cedendo, assim, a pressões de determinados grupos, como os servidores públicos. Neste sentido, um dos primeiros pontos refutados pela Executiva Nacional do partido foi o aumento do subteto estadual dos magistrados de 75,0% para 90,25% do vencimento do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Contudo, ao mesmo tempo em que a Executiva Nacional do partido defendia a manutenção, líderes governistas, como o próprio relator do projeto na Comissão Especial, deputado José Pimentel (PT-CE), já negociavam com os servidores um possível aumento para 85,0% do vencimento do Ministro do STF, contrapondo-se à orientação partidária. Seguindo a decisão do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, posicionaram-se contrários à elevação.
Lula declarou que somente apoiará um aumento do subteto com o aval dos governadores, após um encontro marcado para a próxima terça-feira. Diante de todos estes impasses, o governo resolveu adiar o início da votação no plenário da Câmara para 12 de agosto, liberando a próxima semana para a continuidade do processo de articulação. Dessa forma, tais turbulências repercutiram de forma bastante negativa no mercado, uma vez que colocaram em xeque a credibilidade do governo como articulador e condutor do processo.
IGP-M confirma projeções otimistas para próximos meses
Com as turbulências no cenário político, as notícias de âmbito econômico acabaram sendo ofuscadas ao longo da semana, não sendo suficientes, dessa maneira, para reacender o ânimo dos investidores. O destaque novamente ficou com os índices de preços divulgados no período, dentre eles o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, que apurou uma deflação de 0,28% na terceira quadrissemana de julho, superando as expectativas do mercado.
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Com esta variação negativa, a Fipe revisou para baixo suas projeções para o IPC do mês fechado de julho, apostando que esta deva mostrar deflação de 0,10% no período, contra a estabilidade de preços esperada anteriormente. Na quarta-feira, a Fundação Getúlio Vargas divulgou o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao mês fechado de julho, apontando uma deflação de 0,42%, melhor que as projeções do mercado, que davam conta de uma estabilidade de preços no mês.
O bom desempenho destes índices confirmou a expectativa de maior recuo da inflação ao longo dos próximos meses, evidenciada na Ata do Copom (Comitê e Política Monetária), divulgada pelo Banco Central na última quinta-feira. Neste sentido, o documento do BC projetou uma melhora contínua da economia brasileira no segundo semestre, com melhor desempenho dos preços e reaquecimento da atividade econômica.
Fraca operação do BC frustrou mercado
Um outro fato abalou ainda mais o ânimo dos investidores nesta semana: o anúncio do resultado da operação do Banco Central para troca de bradies, os títulos da dívida reestruturada brasileira, por globais, que mostrou-se bem mais fraca que o esperado pelo mercado, refletindo, assim, uma postura de maior aversão ao risco dos investidores internacionais.
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Temor com economia também abalou EUA
No mercado norte-americano, por sua vez, a semana também foi de muito pessimismo, uma vez que seguiram as incertezas dos investidores em relação ao desempenho da economia norte-americana no segundo semestre deste ano. Embora alguns indicadores conjunturais tenham mostrado melhora, a exemplo do que ocorreu com o PIB do país, outros, especialmente aqueles referentes ao mercado de trabalho, mostraram uma piora das condições.
Dessa maneira, houve uma inesperada redução dos postos de trabalho nos Estados Unidos em julho, fato que ofuscou até mesmo a queda da taxa de desemprego no país no referido mês. Com relação aos resultados corporativos, algumas empresas, especialmente as petrolíferas Exxon Mobil e Chevron Texaco, reportaram ganhos abaixo do esperado, o que contribuiu para o maior desânimo dos investidores norte-americanos.
Com relação ao mercado de petróleo, a commodity acumulou uma forte alta de 6,35% na semana, de modo que o barril tipo Brent, negociado em Londres, atingiu US$ 29,97 no período. O comportamento ascendente apresentado pelos preços do barril de petróleo deveu-se, basicamente, a uma forte queda dos estoques norte-americanos de gasolina na semana terminada em 25 de julho, ofuscando até mesmo a decisão favorável da OPEP sobre a manutenção das cotas de produção dos países membros.
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Dólar e juros futuros registraram alta na semana
Refletindo o nervosismo do mercado em relação ao cenário político, o dólar encerrou a semana acumulando forte alta frente à semana anterior. Com os entraves encontrados pelas Reformas em sua tramitação nas Comissões Especiais, o dólar comercial encerrou a sexta-feira cotado a R$ 3,0280, acumulando, assim, uma forte alta de 4,70% na semana. Vale destacar que este
é o maior patamar atingido pela moeda norte-americana desde o dia 26 de maio, quando fechou a R$ 3,0290.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, com o maior pessimismo dos investidores. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 21,79% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 21,21% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 23,90%, frente a uma taxa de 24,00% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, apresentou um fraco desempenho na semana, com a maior preocupação dos investidores em relação às turbulências políticas. Nem mesmo bons resultados, como o da operadora de longa distância Embratel e do grupo varejista Pão de Açúcar, garantiram otimismo ao mercado acionário paulista, de forma que o índice Bovespa acumulou forte queda de 4,51%.
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Resultados trimestrais serão destaque na semana
Ao contrário da semana que se encerrou, a primeira semana de agosto deverá ser marcada pelo reduzido número de indicadores econômicos, ganhando destaque, ao menos no mercado brasileiro, os inúmeros resultados corporativos a serem divulgados no período. No âmbito dos indicadores econômicos, o destaque ficará para a divulgação do IPC da Fipe referente ao mês fechado de julho e para a divulgação do IPCA e INPC, ambos pelo IBGE.
O IBGE também divulgará sua Pesquisa Mensal da Indústria – Produção Física, referente ao mês de junho. Também ganhará projeção novamente o cenário político, especialmente no que diz respeito ao processo de condução das Reformas. Dessa forma, o mercado deverá continuar bastante atento aos pontos polêmicos da negociações, sobretudo no tocante à questão do subteto dos magistrados estaduais.
Nos Estados Unidos, por sua vez, também serão divulgados indicadores conjunturais importantes, como o Factory Orders, o ISM Services, o Wholesale Inventories e o Consumer Credit.