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O favoritismo da vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, para substituir Joe Biden na disputa eleitoral, tem também motivações práticas. É bom lembrar que ela já compunha a chapa eleitoral com o atual presidente, que tentava a reeleição.
A lei eleitoral americana determina que apenas candidatos que estejam registrados na chapa podem ficar com a estrutura e os recursos de campanha daquele que desistir da eleição.
Então, somente Kamala poderia usufruir, por exemplo, dos mais de US$ 200 milhões arrecadados, além herdar toda a infraestrutura já montada para a disputa das eleições presidenciais que acontecem em novembro.

Kamala Harris já recebeu o apoio de mais de 500 delegados democratas
Ao menos 531 representantes do partido na convenção de agosto devem endossar seu nome; a candidata já recebeu o apoio integral dos delegados do Tennessee, Carolina do Sul, Carolina do Norte, New Hampshire e Flórida

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Campanha eleitoral nos EUA é cara
Sol Azcune, analista política da XP, que participou nesta segunda-feira (22) do Morning call da XP, fez importantes apontamentos durante o programa sobre o quadro agora da corrida eleitoral americana.
Segundo ela, nesse cenário, as chances são pequenas para que outros nomes surjam para substituir Biden na disputa, já que as campanhas eleitorais nos Estados Unidos são caras e um candidato fora da chapa teria que começar do zero a arrecadação, além de se envolver na montagem da estrutura para disputar o pleito.
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No mesmo anúncio de retirada do nome à corrida presidencial, Biden declarou apoio a Kamala Harris. Sol Azcune lembra que o atual presidente não havia sido confirmado como candidato do partido Democrata. Isso só ocorreria na Convenção Democrata, que está marcada para 19 a 22 de agosto.
“A gente entra num período de minicampanha interna do partido Democrata até a convenção. Os delegados do colégio eleitoral Democrata, que estavam obrigados a votar em Biden, agora ficam livres tecnicamente”, comentou.
Kamala já recebeu US$ 50 mi de doação
“Eles (delegados) podem votar em quem eles quiserem. Claro que o endosso de Joe Biden (a Kamala Harris) carrega peso e deve ser muito relevante para os democratas, reduzindo as chances de entrada de um novo candidato à disputa, ainda que não elimine por completo”, esclareceu.
A analista menciona que desde a saída de Biden da corrida eleitoral, Kamala Harris já recebeu mais de US$ 50 milhões em doações, o que é um endosso ao seu nome. Azcune afirmou que a vice-presidente conta com apoio de mais de 170 parlamentares democratas e de algumas lideranças-chave do partido, como Hilary Clinton e Bill Clinton.
No entanto, a analista cita que figuras importante do partido Democrata ainda anunciaram apoio formal a ela, como é o caso do ex-presidente Barak Obama, a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, o líder da maioria do Senado, Chuck Schumer, e o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries.
Cenário base é de Trump vencer
“Com relação à eleição em si, o anúncio deste domingo (de retirada da candidatura por Biden) não muda nosso cenário base, que é uma vitória de Donald Trump”, disse.
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“No entanto, é claro que o que aconteceu acaba gerando bastante incerteza e abre mais possibilidade de surpresas que a gente tinha contemplado até então”, ressaltou.
Sol Azcune afirma ainda que fez um estudo em cima de 28 pesquisas da eleição presidencial nos EUA que a XP tem acesso, realizadas esse ano, contemplando cenários que apareciam tanto Joe Biden como Kamala Harris contra Donald Trump.

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Pesquisas desfavoráveis à vice-presidente
“O que a gente viu é que, em média, Kamala Harris tem 1 ponto percentual a menos que Biden nas pesquisas. Isso é um fator mais preocupante para os democratas, que já estavam perdendo com Biden. É importante destacar que as pesquisas foram realizadas quando Joe Biden era o líder da chapa, então as pesquisas podem mudar nas próximas semanas”, disse.
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A analista destaca três aspectos importantes a partir de agora ocorrendo na campanha, que é a Kamala Harris liderando a chapa, uma maior cobertura da imprensa em torno do nome dela e, por outro lado, ataques direcionados à vice-presidente pela campanha do partido republicano de Donald Trump.
Outro fator também que a analista da XP ressaltou, é da disputa por cadeiras no Congresso. “A gente tem mencionado que pode haver uma onda vermelha, com os republicanos tendo maioria no Senado e também na Câmara”, destacou.
“Se Kamala Harris conseguir engajar o eleitorado, isso pode levar a um aumento de votos aos democratas na Câmara”, disse, ressaltando, que, no momento, a vantagem segue dos republicanos nas duas casas do Congresso.