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SÃO PAULO – Em uma semana mais curta, em função do feriado religioso de Corpus Christi, o mercado brasileiro como um todo apresentou um desempenho ruim, com as atenções dos investidores voltadas para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Dessa forma, dólar e juros futuros encerraram a semana em alta, enquanto o Ibovespa acumulou forte queda no período.
Inflação continuou mostrando desaceleração
No âmbito econômico, dois foram os focos dos investidores: o comportamento da inflação medida pelos índices de preços divulgados na semana e a decisão do Copom sobre a taxa Selic, estando estes dois focos relacionados entre si. Com relação ao desempenho dos preços, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurou inflação de 0,23% na segunda quadrissemana de junho, abaixo dos 0,28% apurados na primeira quadrissemana.
A Fundação Getúlio Vargas divulgou a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que apurou deflação de 0,66%, surpreendendo positivamente o mercado, cujas projeções variavam entre deflação de 0,25% e de 0,40%. Também foi divulgado pela FGV o IGP-10, que registrou uma deflação de 0,59% em junho, bem inferior ao resultado de maio, quando foi apurada uma inflação de 0,02%.
Copom reduziu Selic em meio ponto percentual
Os recentes índices de preços foram acompanhados de forma bem próxima pelos investidores, visto que os mesmos serviriam de fundamento para a decisão do Comitê de Política Monetária em sua reunião mensal de junho. Entretanto, como os índices de preços mostraram tendências diferentes para a inflação no decorrer das últimas semanas, a principal característica da reunião deste mês foi a imprevisibilidade da decisão do colegiado.
Neste sentido, uma grande parcela do mercado já acreditava no corte da taxa Selic pelo Copom, refletindo a desaceleração inflacionária e até mesmo o recuo dos preços ao atacado, que contribuiu para as deflações registradas pelas séries de IGPs, da Fundação Getúlio Vargas. Por outro lado, uma parte dos investidores apostava numa atitude conservadora do Copom, especialmente pelo fato de os preços aos consumidores ainda registrarem uma certa resistência.
Dessa maneira, o recuo da inflação medida pelo IPC para níveis inferiores a 0,25% foi decisivo para a ampliação das projeções de corte da Selic, pois tal fato mostrou que se os preços ao consumidor estavam registrando algum tipo de resistência, pelo menos a partir desta quadrissemana eles começaram a ceder. Ainda neste sentido, pouco antes do início da reunião da autoridade monetária, o Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, declarou que aproximava-se o momento do corte dos juros, algo que animou bastante o mercado.
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Assim, após muitas especulações, o Copom anunciou, na última quarta-feira, o corte em meio ponto percentual da taxa Selic, que passou, dessa maneira, de 26,5% ao ano para 26,0% ao ano, configurando o primeiro corte dos juros em onze meses. Vale destacar, porém, que em junho de 2002 a Selic era de 18,5% ao ano.
Impasses políticos também desanimaram investidores
Apesar de as notícias de cunho econômico terem protagonizado o pessimismo dos investidores na semana, aspectos políticos também limitaram o desempenho do mercado brasileiro no período. Neste sentido, os impasses em torno das Reformas nas Comissões Especiais desagradaram ao mercado, uma vez que estes sinalizaram a possibilidade de uma certa demora para a tramitação das mesmas nesta instância do Legislativo.
Há que se considerar também que o feriado de Corpus Christi contribuiu para a lenta tramitação dos projetos nesta semana. Entretanto, o que mais preocupa os investidores é a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquéritos) para apurar um desvio de US$ 30 bilhões pelo Banestado (Banco do Estado do Parará). O mercado acredita que uma CPI mista, tal como foi aprovada, poderá retardar a aprovação das Reformas no Congresso Nacional.
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Mercado norte-americano teve bom desempenho
As notícias de cunho econômico também foram o foco das atenções no mercado norte-americano ao longo desta semana, alcançando este um bom desempenho no período. A boa performance do mercado acionário, em especial, resultou de uma inesperada elevação da atividade industrial na região de Nova York, conforme divulgado no início da semana.
Outro aspecto considerado positivo pelos investidores foi o comportamento dos preços no mês de maio. Após registrarem deflação no mês anterior, ampliando a preocupação do mercado em relação aos riscos de maior desaquecimento da economia, os índices de preços ficaram praticamente estáveis em maio, sinalizando, assim, uma melhora da atividade econômica.
O mercado de petróleo, por sua vez, teve uma semana de elevada volatilidade, apresentando baixas significativas em decorrência da ampliação dos estoques norte-americanos, mas que foram mais que compensadas por especulações de que a oferta da OPEP, cartel que congrega os principais países produtores e exportadores mundiais da commodity, estaria menor que no mês passado. Dessa forma, o petróleo acumulou alta de 0,72% na semana, fechando cotado a US$ 27,02 por barril do tipo Brent.
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Dólar e juros futuros acumularam alta na semana
Refletindo a redução da taxa Selic pelo Copom, o dólar fechou o pregão da última sexta-feira cotado a R$ 2,8910, acumulando, assim, uma expressiva alta de 1,72% na semana. É importante destacar que a moeda norte-americana registrou um comportamento absolutamente normal diante da redução dos juros, de forma que esta alta deve se restringir ao curtíssimo prazo, uma vez que as condições da economia brasileira continuam favoráveis à entrada de recursos externos.
O mercado de juros futuros, por sua vez, registrou um movimento de ajuste frente às recentes quedas, mesmo com o corte da Selic pelo Copom. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 23,25% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 23,16% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,75%, frente a uma taxa de 25,90% registrada na semana anterior.
No mercado acionário paulista, por sua vez, a semana também foi de perdas, de modo que o Ibovespa acumulou forte queda de 4,39% no período. Neste sentido, a bolsa paulista deu prosseguimento ao movimento de realização de lucros iniciado na semana anterior.
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Já o C-Bond fechou a semana cotado a 89 centavos de dólar, acumulando forte queda de 1,25% na semana. O risco país atingiu, assim, 770 pontos base, uma alta de 44 pontos base frente à semana anterior.
Notas do BC e inflação serão foco na próxima semana
A última semana de junho será bastante agitada tanto no mercado brasileiro quanto no norte-americano. No cenário doméstico, as atenções do mercado estarão voltadas para os vários índices de preços que serão divulgados e também para as Notas do Banco Central, todas referentes ao mês de maio.
Dessa maneira, a Fipe divulgará o IPC referente à terceira quadrissemana de junho, enquanto a Fundação Getúlio Vargas divulgará o IGP-M referente ao mês fechado de junho. Ainda no âmbito dos indicadores inflacionários, o IBGE divulgará o IPCA-15 referente a junho e o IPCA-Especial, relativo ao segundo trimestre. O BC, por sua vez, divulgará as Notas do Setor Externo, das Operações de Crédito e da Política Fiscal, distribuídas ao longo da semana.
Nos Estados Unidos, por sua vez, o grande foco do mercado será a reunião do Federal Reserve (Fed), que ocorrerá entre terça-feira e quarta-feira, para decisão do patamar da taxa básica de juro do país, atualmente em 1,25% ao ano. Também serão divulgados importantes indicadores, como: Consumer Confidence, o New Home Sales, o Existing Home Sales e o Durable Good Orders.