Inadimplência permanece estável em 8,8% em maio, revela BC

Inadimplência é maior nas operações de financiamentos de bens onde a taxa de operações com atraso chega a 23%

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SÃO PAULO – De acordo com o relatório mensal do Banco Central publicado nesta quinta-feira, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, ou seja, aqueles concedidos com recursos das próprias instituições, e não com base nos recursos captados no mercado, como depósitos, ficou estável em maio desse ano em 8,8% do total da carteira.

Nesse sentido, a inadimplência permanece no seu nível mais alto já registrado em 2003. Contudo, na comparação com maio do ano passado, houve uma queda de 0,3 ponto percentual no nível de inadimplência, que na época era de 9,1%.

Inadimplência recua em maio

No segmento de pessoa física, o volume de operações em atraso registrou leve queda nesse mês de maio para 15,4% frente aos 15,7% apurados no mês anterior, além de ter ficado abaixo dos 15,9% contabilizados em igual período do ano passado.

Por sua vez, as operações de crédito junto às empresas apresentaram um incremento na taxa de inadimplência, que subiu de 4,6% para 4,7% nesse mês de maio, porém o nível de inadimplência mostrou melhora nesse mês de maio, mas ficou abaixo dos 5,0% contabilizados em igual período do ano anterior.

Os números do BC revelaram uma deterioração nas carteiras de créditos com recursos livres nos últimos meses, com aumento na inadimplência entre pessoa física e empresas. Em janeiro desse ano, a inadimplência entre pessoa física estava em 14,7%, enquanto o volume de operações em atrasos entre empresas estava em torno de 4,0%. Em termos gerais a inadimplência registrou elevação de 0,9 ponto percentual desde janeiro desse ano, quando estava em 7,9%.

Atrasos nos pagamentos concentram-se nos CDCs

Dentre as varias modalidades de empréstimos à pessoa física a maior inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 22,8% de inadimplência. Enquanto isso, a inadimplência entre as operações de crédito pessoal ficou em 14,6%, a de financiamento de automóveis ficou em 12% e finalmente, a de cheque especial em 10,1%.

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Sendo assim, a inadimplência nos financiamentos de compras de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, atingiu 13,0% com atraso superior a 90 dias, e 9,8% no caso das operações com atraso entre 15 a 90 dias.

Em termos totais, cerca de 7,9% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso superior a 90 dias frente a 7,6% em abril desse ano. Por outro lado, as operações em atraso de 15 a 90 dias, representam cerca de 7,5% do total de empréstimos a pessoa física, inferior aos 8,1% apurados em abril.

Trajetória ascendente

Apesar da queda da inadimplência em maio desse ano em relação ao mesmo período do ano anterior, na avaliação de 2003, é possível verificar um aumento no nível de inadimplência tanto entre pessoa física como jurídica.

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Esse resultado se deve ao elevado patamar dos juros bancários e da constante queda do poder aquisitivo dos brasileiros. Mesmo com a adoção de políticas de concessão de crédito mais rigorosas, o nível de inadimplência ainda permanece bastante elevado no país.