Comentário da semana: otimismo continua

Otimismo dos investidores com boas notícias internas garantiu o bom desempenho do mercado brasileiro na semana: dólar e juros futuros novamente caíram

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SÃO PAULO – Apesar de mais curta, em função do feriado de 1º de maio, a semana foi bastante agitada no mercado interno, de forma que as boas notícias no âmbito político e econômico novamente garantiram o bom desempenho do mercado brasileiro como um todo nesta semana. Neste sentido, dólar e juros futuros encerraram a semana em baixa, enquanto o Ibovespa, da bolsa paulista, acumulou alta no período.

Textos das Reformas são entregues ao Congresso Nacional

Cumprindo sua agenda política da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado por assessores e pelos 27 governadores de estados, entregou ao Congresso Nacional os projetos de Reforma da Previdência e Reforma Tributária, durante uma solenidade em Brasília na última quarta-feira.

Lula pediu ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), pressa na aprovação das Reformas, visto que as mesmas são de extrema importância para o desenvolvimento da economia nacional. Cunha declarou, neste sentido, que a maior parte dos projetos deverá ser aprovada até agosto, tendo-se um cenário otimista.

Entretanto, alguns pontos dos projetos, especialmente no caso da Reforma da Previdência, deverão envolver longas negociações no Congresso Nacional, o que pode retardar a aprovação das emendas em semanas ou até meses. Um dos motivos que mais preocupam a base governista é que grande parte da oposição às Reformas provém do próprio PT (Partido dos Trabalhadores), visto que as alas radicais do Partido não aprovam alguns itens dos projetos, como, por exemplo, a instituição de uma alíquota para os inativos.

Brasil retorna ao mercado internacional de capitais

Outro fato que animou bastante os investidores ao longo da semana foi o retorno do Brasil ao mercado internacional de capitais, após um ano sem emissões soberanas. Dessa maneira, o Tesouro Nacional emitiu, na última terça-feira, US$ 1,0 bilhão em bônus globais com vencimento em 2007 e rendimento de 10,7%.

A última vez que o Brasil havia emitido bônus globais foi em abril de 2002, quando foram captados US$ 1,0 bilhão através de bônus com vencimentos em 2010. Na época, o spread pago pelos títulos em relação aos Treasuries norte-americanos era de 719 pontos base.

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Resultado fiscal de março também agradou mercado

Dando continuidade às boas notícias econômicas, o Banco Central do Brasil divulgou, na quarta-feira, a Nota da Política Fiscal referente ao mês de março, apurando bons resultados fiscais no referido mês como desdobramento das medidas de austeridade tomadas pelo governo federal.

Neste sentido, o superávit primário atingiu R$ 6,751 bilhões em março, acumulando, no ano, um total de R$ 22,835 bilhões, correspondendo a 6,24% do PIB (Produto Interno Bruto). Nota-se, dessa forma, que o superávit primário expresso em termos do PIB já ultrapassa a meta do governo federal, que é de 4,25% do PIB.

A dívida líquida do setor público atingiu, neste sentido, R$ 888,14 bilhões, configurando uma queda de 1,8% frente ao mês anterior. Em termos comparativos com o PIB, a dívida recuou de 56,6% em fevereiro para 55,3% em março.

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Inflação novamente dá sinais de desaceleração

Para completar o clima otimista, os índices divulgados nesta semana mostraram desaceleração da inflação. Dessa maneira, a terceira prévia do IPC da Fipe apurou uma inflação de 0,71%, abaixo, portanto, dos 0,84% registrados na segunda prévia e também inferior aos 0,86% apurados na terceira prévia de março.

A inflação medida pelo IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, ficou em 0,92% em abril, levemente abaixo das expectativas, que apontavam para 0,95% no mês e também abaixo dos 1,53% registrados em março.

C-Bond bateu recorde histórico na semana

Com a ampliação do otimismo do mercado internacional acerca da economia brasileira, os títulos da dívida externa brasileira encontraram condições favoráveis à sua valorização ao longo da semana.

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Neste sentido, o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, encerrou a semana cotado a 89 centavos de dólar, o que corresponde ao maior patamar atingido pelo título desde que foi lançado. Na semana, o C-Bond acumulou, portanto, forte valorização de 3,49%.

A alta do C-Bond e dos demais títulos da dívida externa brasileira possibilitou um expressivo recuo do risco país nesta semana, de modo que o indicador do spread médio dos títulos brasileiros em relação aos Treasuries norte-americanos fechou a semana a 777 pontos base.

Mercado norte-americano também teve bom desempenho

A euforia dos investidores não se restringiu apenas ao mercado brasileiro, de forma que o mercado norte-americano também registrou um bom desempenho na semana. Neste sentido, as principais bolsas dos Estados Unidos encerraram a semana acumulando forte alta, após os bons resultados corporativos animarem ainda mais os investidores.

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De maneira semelhante à semana anterior, o petróleo acumulou baixa nesta semana, com as projeções de uma retração na demanda das refinarias norte-americanas como reflexo dos menores preços da gasolina no mercado dos Estados Unidos. Assim, o petróleo Brent encerrou a semana cotado a US$ 23,58 por barril.

Juros futuros e dólar registraram queda na semana

Com as notícias favoráveis em relação à economia brasileira, o dólar chegou a romper a barreira dos R$ 2,90 e fechou a semana acumulando desvalorização de 1,63% frente ao real. Dessa forma, a divisa norte-americana encerrou o pregão da última sexta-feira cotada a R$ 2,9590.

Refletindo os sinais de desaceleração inflacionária, os juros futuros encerraram a semana em queda, de forma que o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 24,14% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 24,33% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 26,00%, estável em relação ao fechamento da semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, acumulou forte alta de 5,64% na semana, refletindo o otimismo dos investidores, após as boas notícias favoráveis tanto no âmbito econômico quanto no político.

Próxima semana não terá muitos eventos

Ao contrário desta semana, a próxima não será marcada por um grande número de eventos, de forma que no Brasil a Fipe divulgará o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente ao mês de abril, enquanto o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará a Pesquisa Industrial Mensal.

Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados: Consumer Credit, o Wholesale Inventories e o ISM Services. O destaque, contudo, ficará com a reunião do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros.