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SÃO PAULO – A melhora da percepção dos investidores estrangeiros frente à economia brasileira, evidenciada pela queda superior a 200 pontos-base do índice risco-país nas últimas semanas, permitiu a retomada das captações no mercado externo por parte das empresas privadas.
Esses dados fazem parte da Ata do Copom (Comitê de Política Monetária) anunciado na última quinta-feira, um dia antes do inicialmente pelo previsto. O documento trata das razões que levaram a autoridade monetária a manter a taxa de juros básica da economia em 26,5% ao ano na última reunião realizada em 22 e 23 de abril. Além disso, o mesmo documento traça um panorama do cenário econômico atual e as perspectivas futuras.
Otimismo levou curva de juros a fechar taxas
Posteriormente à reunião da autoridade monetária realizada em março, quando a taxa de juros foi mantida em 26,5% ao ano, porém com adoção de viés de alta, a curva de juros passou a abrir taxas, com os spreads das taxas de um e seis meses em relação à meta para a taxa Selic subindo de 5 e 22 pontos-base para 25 e 69 pontos-base.
Entretanto, diante da forte queda do índice risco-país, da retomada das captações externas, da apreciação cambial e do rápido desfecho da guerra no Iraque, a curva de juros reverteu a tendência e passou a fechar taxas, apresentando inclinação negativa até janeiro de 2004. No dia 22 de abril, início da reunião da autoridade monetária, os spreads das taxas de um e de seis meses eram de -40 e -168 pontos-base, respectivamente.
BC conseguiu rolar títulos e swaps cambiais integralmente
As perspectivas positivas para a economia brasileira resultaram no sucesso da rolagem de títulos e swaps cambiais. Os contratos com vencimento em 01º de abril, da ordem de US$ 3,1 bilhões, foram rolados com contratos de 2 a 58 meses de prazo, com média de nove meses.
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Enquanto isso, a rolagem dos papéis com vencimento marcado para 17 de abril, da ordem de US$ 900 milhões, foi concluída através da contratação de swaps com prazo entre 6 e 57 meses, com média de 18 meses. No mesmo período foi realizada a rolagem de instrumentos cambiais no montante de US$ 1,1 bilhão, com vencimento marcado para 23 de abril, mediante contratos com prazo entre 4 a 57 meses, com prazo médio de 15 meses.
Prazos dos títulos foram alongados, com menor deságio
Além disso, houve um alongamento, ainda que discreto, nos prazos dos papéis, com a redução das taxas pagas na rolagem. Também foi possível verificar um aumento na demanda por títulos domésticos no período, permitindo que o Tesouro Nacional elevasse as emissões de LTNs (Letras do Tesouro Nacional) e LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) com alongamento dos prazos.
Nesse sentido, no intervalo entre a reunião de março e abril, o Tesouro Nacional realizou cinco leilões de LTNs, títulos pré-fixados, com volume financeiro total da ordem de R$ 5,8 bilhões. A quantidade de títulos ofertados apresentou forte elevação, com alongamento do prazo de emissões para até quinze meses, refletindo o aumento na demanda por títulos públicos.
A redução da inclinação da curva de juros permitiu a colocação dos títulos a taxas inferiores às observadas no período anterior. Também houve um alongamento dos prazos de vencimento das LFTs, títulos pós-fixados.
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Base monetária expandiu para R$ 5,8 bilhões
Apesar da colocação de R$ 9,4 bilhões em LFTs, o elevado montante em resgates líquidos da ordem de R$ 8,8 bilhões em títulos cambiais e de R$ 6,3 bilhões em LTNs refletiu num incremento em R$ 5,8 bilhões da base monetária no período compreendido entre 20 de março e 23 de abril.
O Banco Central também realizou intervenções no mercado de modo a retirar o excesso de liquidez do mercado de reservas, que estava, em média, em R$ 69,3 bilhões. Nesse período, a instituição financeira decidiu realizar semanalmente operações compromissadas de uma semana e um mês assim como operações diárias de nivelamento da liquidez bancária com prazo de dois dias úteis.