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Caros(as) leitores(as),
Essa não é a primeira corrida presidencial americana que acompanho com maiores noções de mercado financeiro – e espero que não seja a última. Naturalmente, nos mobilizamos para cobrir esses eventos, já que eles geram volatilidade e muitas dúvidas na cabeça das pessoas.
Assim como qualquer situação similar a essa, sua relevância muda conforme as condições de ambiente e nível decisório em assuntos mais críticos. Bom, talvez até aqui tudo seja óbvio e a definição da liderança máxima da maior economia do mundo seja de fato uma divisora de águas – mas não necessariamente.
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Claro que, do ponto de vista social, a discussão é paralela. Porém, para o mercado, muitas vezes pode ser menos decisivo.
Eu explico…
Os Estados Unidos, assim como o restante do mundo, passaram por um processo inflacionário importante e, como consequência, por uma política monetária mais restritiva. Ou seja: inflação e juros maiores.
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A economia americana está muito robusta, com um mercado de trabalho apertado, que chegou a ter duas vagas disponíveis para cada candidato. Alguém precisava jogar um pouco de água fria nessa fogueira, e foi o que o Federal Reserve se propôs a fazer.
Funcionou? Ainda não sabemos.
Embora os EUA tenham passado por um processo desinflacionário relevante, o último trecho que falta ser reduzido para atingir a meta é mais complexo e resiste aos efeitos que o Fed buscou causar. Você possivelmente vai ouvir isso por aí como “last mile inflation”.
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Dito isso, questões como a situação da dívida pública americana ou a imigração de pessoas aos EUA são cruciais para o equilíbrio econômico. Os olhos estão pregados perseguindo sinais do futuro de verticais como essas.
Do ponto de vista de imigração, por incrível que pareça, com formas de comunicar completamente dispares, os dois candidatos pronunciam discursos similares. Não há grandes diferenças – e sim, eu sei que o Donald Trump é muito mais agressivo na sua comunicação, mas veja os números de deportação do governo Joe Biden e vai entender o que estou querendo dizer.
Mas e o fiscal americano?
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O governo Biden gasta mais, mas Trump quer reduzir impostos, o que fere diretamente a arrecadação. Um aumenta a dívida, o outro diminui o curso de pagamento – elas por elas.
O endividamento americano deve seguir tirando o sono de muitos financistas ao redor do mundo. Não o meu.
Eu não sou melhor que nenhum deles. Aliás, eu com certeza sou o menos inteligente nesse assunto. Mas uma conversa entre investidores é muito mais sobre horizonte do que qualquer outro fator.
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No longo prazo, eu tenho muita dificuldade de acreditar que a economia americana deixará o posto de protagonista mundial. A inovação mora por lá e não parece estar de mudança.
As empresas americanas são verdadeiras aspiradoras de lucro global. Para alguns assuntos, como inteligência artificial, ainda somos leigos em relação ao potencial de aplicação.
Me parece que existem mais chances de sermos pessimistas com essa revolução e não otimistas. Essa força advinda da microeconomia americana é muito poderosa e deve mover preços ao longo dos anos.
Quando olhamos para as projeções da Nvidia feitas pelo mercado, o consenso indica uma estabilização de resultados no médio prazo. As ações da empresa negociam a pouco mais de 30 vezes lucro, e a Amazon já chegou a negociar a 200 vezes lucro – e ela nem era a base para o que talvez seja a maior evolução tecnológica da humanidade.
Trump e Biden não importam
Para todo aquele investidor de longo prazo, o que essas empresas são capazes de entregar em valor aos seus acionistas é mais poderoso do que qualquer debate político. Se você ainda não diversifica seu patrimônio geograficamente e, como consequência, não olha para esses mercados, é uma boa hora para revisitar esses conceitos.
O retorno composto do S&P 500 (principal índice de ações nos EUA) não é abruptamente diferente em governos democratas e republicanos. Na comparação dos mandatos Obama vs. Trump, os resultados foram muito próximos.
Questões estruturais de organização institucional dos EUA beneficiam esse ambiente. Pax americana? Parece razoável.