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SÃO PAULO – Apesar dos sinais de desaceleração da inflação evidenciados pelos recentes indicadores, o mercado brasileiro como um todo apresentou um fraco desempenho na semana, refletindo, neste sentido, a preocupação dos investidores em relação às dificuldades que podem ser enfrentadas pela base governista para aprovação dos projetos das reformas no Congresso Nacional.
Dessa maneira, dólar e juros futuros encerraram a semana em alta, revertendo a tendência apresentada nas semanas anteriores. O Ibovespa, por sua vez, acumulou leve alta na semana, ignorando, inclusive, os bons resultados corporativos divulgados ao longo dos cinco pregões.
Inflação continua mostrando sinais de recuo
No âmbito econômico, a semana foi marcada pela divulgação de um grande número de índices de preços, todos eles sinalizando um movimento de recuo da inflação. Dessa maneira, a Fipe divulgou a primeira prévia do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) para maio, apurando uma inflação de 0,40% no per~iodo, abaixo, portanto, dos 0,81% apurados na primeira prévia de abril.
A Fundação Getúlio Vargas também divulgou a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao mês de maio, apurando uma inflação de apenas 0,01% no período, bastante inferior, portanto, aos 0,69% registrados na primeira prévia de abril. Além deste indicador, a FGV divulgou o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) referente a abril, apurando uma inflação de 0,41% no mês, abaixo, dessa forma, das expectativas de 0,80%.
O IBGE, por sua vez, divulgou o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), apurando uma inflação de 1,38% em abril, mesmo patamar que havia sido alcançado no mês anterior. Também foi divulgado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), que apurou uma inflação de 0,97% em abril, um recuo frente aos 1,23% registrados em março. Ambos os índices ficaram abaixo das expectativas do mercado.
Crise interna do PT causa apreensão no mercado
Apesar dos sinais de desaceleração inflacionária, as notícias do cenário político limitaram o otimismo dos investidores, levando o mercado interno a um fraco desempenho na semana. Neste sentido, contribuiu para o maior pessimismo do mercado a crise interna do PT (Partido dos Trabalhadores), após oito senadores do partido assinarem um documento favorável aos radicais petistas.
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A assinatura do documento causou grandes turbulências internas no PT, levando o líder do partido no Senado, senador Tião Viana (Acre), a renunciar na manhã da última quinta-feira. Tentando reverter o agravamento da crise, os parlamentares que assinaram o documento desistiram de entregá-lo à Executiva Nacional do partido, conforme os planos iniciais, de forma que Viana voltou atrás em sua decisão e reassumiu a liderança no Senado.
Senado aprova emenda que prevê autonomia do BC
Após um longo processo de tramitação no Congresso Nacional, a Proposta de Emenda Constitucional que prevê mudanças no sistema financeiro nacional foi aprovada, em segundo turno, pelo Senado, na última quinta-feira.
A emenda cuida da revogação de todos os incisos do artigo 192 da Constituição Federal, abrindo espaço, neste sentido, para discussões acerca do projeto de autonomia do Banco Central. Como já foi aprovada pelo Senado, resta, agora, a promulgação da emenda constitucional.
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Mercado norte-americano registrou bom desempenho
De forma contrária ao ocorrido no Brasil, o mercado norte-americano registrou um bom desempenho na semana, em função de grande parte dos indicadores conjunturais divulgados ao longo dos pregões ter sinalizado uma melhora da economia dos Estados Unidos.
Entretanto, os riscos da economia norte-americana ser abalada por um processo deflacionário voltaram a preocupar os investidores, especialmente após a forte queda dos preços ao produtor e dos preços ao consumidor, referentes ao mês de abril. Uma deflação é, neste sentido, bastante indesejável, visto que contrai os gastos com consumo em função das expectativas de menores preços futuros, desaquecendo, dessa maneira, a economia como um todo.
O petróleo, por sua vez, acumulou forte alta de 4,48% frente à semana anterior, cotado a US$ 26,12 por barril do tipo Brent. A expressiva elevação do preço da commodity decorreu, principalmente, da forte queda de 10,0% dos estoques mundiais em abril, frente ao mesmo período do ano anterior.
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Juros futuros e dólar subiram na semana
Refletindo as notícias desfavoráveis no aspecto político, o dólar retrocedeu às baixas anteriores e fechou a semana acumulando alta de 2,54% frente ao real. Dessa maneira, a moeda norte-americana fechou o pregão da última sexta-feira cotada a R$ 2,9470.
Apesar dos sinais de recuo da inflação, parte do mercado acredita que o Copom adotará uma postura conservadora, mantendo a taxa Selic no atual patamar de 26,5% ao ano, de forma que o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 23,85% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 23,81% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,95%, frente a uma taxa de 25,80% registrada na semana anterior.
A maior cautela dos investidores estendeu-se, também, ao mercado acionário, de modo que o Ibovespa registrou um fraco desempenho na semana. Dessa maneira, o índice da bolsa paulista acumulou leve alta de 0,08% na semana, apesar dos bons resultados corporativos divulgados.
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Reunião do Copom será destaque na próxima semana
A próxima semana será marcada pela grande quantidade de indicadores inflacionários a serem divulgados, assim como pelos relatórios do Banco Central. Neste sentido, a Fipe divulgará a segunda prévia do IPC referente a maio, enquanto a Fundação Getúlio Vargas divulgará a segunda prévia do IGP-M sobre o mesmo mês, além do IGP-10 referente a maio.
Ainda no âmbito dos índices de preços, será divulgado pelo IBGE, o IPCA-15 referente ao mês de maio. O Banco Central, por sua vez, divulgará as Notas do Mercado Aberto e do Setor Externo nesta mesma semana. Entretanto, o destaque ficará com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorrerá entre terça e quarta-feira, em Brasília.
Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados poucos indicadores, destacando-se o Leading Indicators e o Treasury Budget. Após a safra de resultados corporativos, o mercado norte-americano deverá seguir atento ao desempenho da economia do país como um todo.