Imóveis no exterior: exclusividade e sofisticação para poucos

Em busca de tranquilidade e segurança, brasileiros optam por apartamentos fora do país; Miami ainda é o local de maior procura

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SÃO PAULO – Para fugir da violência e poder levar uma vida normal, ao invés de contratar seguranças e blindar os carros, muitos brasileiros tomam uma decisão ainda mais radical: levar a família para o exterior. Empresários e artistas famosos estão entre a vasta legião de proprietários de imóveis localizados nos EUA, principalmente na costa da Flórida, refúgio de magnatas latino-americanos.

Além do sol, do mar e das praias que lembram nosso clima tropical, a sofisticação dos empreendimentos e a grande oferta de imóveis são o grande chamariz para muitos brasileiros em busca de sombra e água fresca. Ao contrário do que parece, não é o preço que torna essa alternativa de investimento pouco divulgada no país. O maior entrave à aquisição de imóvel nos EUA é, sem dúvida, a questão burocrática que envolve o processo de compra.

Serviço de hotel é um ponto positivo

Apesar da enorme diversidade de imóveis na Flórida, o que mais atrai a atenção dos brasileiros são os apartamentos em condomínios. Alguns empreendimentos
oferecem serviço de hotel cinco estrelas, como serviço de praia, mensageiros para carregas as malas e sacolas de supermercado, manobristas e camareiras. A partir de
US$ 80 mil já é possível comprar uma unidade num apart-hotel, porém a maior demanda é por imóveis entre US$ 350 mil e US$ 400 mil.

Outro atrativo para quem procura um apartamento na região é a infra-estrutura do próprio imóvel. Muitos deles já vêm equipados com geladeiras, ar-condicionado,
micro-ondas e demais aparelhos domésticos, o que na verdade é um conforto a mais para os avessos aos shoppings, algo difícil na Flórida. De qualquer modo, é sempre melhor ficar com o tempo disponível para passeios mais agradáveis e jantares nos excelentes restaurantes de Miami, cidade dominada por latino-americanos.

Financiamento norte-americano oferece taxas atraentes

Além de magnatas fugindo da violência, podemos encontrar sem nenhuma dificuldade brasileiros vivendo nas terras do Tio Sam, em busca de estabilidade no trabalho. A partir de 1990 a chegada de brasileiros foi intensa, e hoje esses consumidores são vistos como um grande filão pelas imobiliárias norte-americanas. Para financiar um imóvel, os residentes no país precisam apresentar um sinal de apenas 10% do valor
do imóvel, enquanto aqueles sem vínculos de trabalho devem dar entre 20% a 30% de entrada.

Com relação aos juros, as taxas são bastante atrativas, fixadas em 7,5% ao ano para estrangeiros ou indexadas às Letras do Tesouro norte-americano, ao passo que a duração do financiamento pode chegar a 30 anos. Com essas facilidades, é preciso ficar de olho à legislação do país e contar com a ajuda de um bom advogado. As leis norte-americanas são diferentes das brasileiras em relação às hipotecas e os processos
costumam ser bem rápidos, ao contrário do que estamos acostumados aqui no Brasil.

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Rendimentos com aluguel

Cuidados com a inadimplência devem ser redobrados, porém o aluguel do imóvel nos períodos em que ele não estiver ocupado poderá ajudar a pagar as prestações.
Como aqui, a rentabilidade também não é das melhores, em torno de 7,0% a 10,0% ao ano. Mesmo assim, pode valer a pena colocar o apartamento para alugar através
do sistema de pool dos próprios condomínios. Fique atento, pois muitos condomínios não aceitam o aluguel dos imóveis por um período muito curto, como uma
semana, por exemplo. Os prazos mais comuns são de seis meses, mas existem exceções.

Locais mais procurados

Existe uma grande diversidade de imóveis na Flórida, e inclusive empresas brasileiras são especializadas na comercialização de apartamentos na região. Depois da Flórida, uma das localizações mais procuradas por brasileiros é área metropolitana de Paris, com imóveis que dificilmente saem por menos de US$ 1 milhão. Dentro da região de Miami, as opções mais procuradas são as de ruas bastante tranqüilas, Sunny Isles, onde predominam os condomínios de alto luxo, Key Biscayne, ainda com um forte potencial para ser explorada pelas empreendedoras e Fisher Island, também
voltada para famílias de alta renda, que buscam sofisticação e exclusividade.

Com o grande número de opções, é necessário estar bem acessorado por especialistas que conheçam muito bem esse mercado. Também não podemos nos esquecer da parte
burocrática, a mais complicada em todo o processo. Para comprar imóveis nos EUA temos que apresentar vários documentos às autoridades do país, comprovando
o nível de renda e a origem do dinheiro que será utilizado na compra.

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Em linhas gerais, é preciso apresentar duas cartas de referência bancária, declaração de rendimentos pagos pelo empregador ou, rendimentos dos negócios particulares e histórico, declaração do contador, declaração de imóveis ou outros bens, três referências de crédito e extrato de cartão de crédito. Outros documentos requeridos são o passaporte com visto de entrada, e o certificado de idoneidade da empresa e
sua ata de constituição, para casos em que a escritura será feita no nome da companhia na qual o morador trabalha.