Mesmo com queda da parcela cambial, dívida pública volta a subir em março

Exposição cambial da dívida recuou para 34,7%, enquanto dívida de curto prazo atualizada pela taxa Selic subiu para 48%

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SÃO PAULO – O estoque total da Dívida Mobiliária Federal interna (DPMFi) em poder do público registrou elevação de 0,75% em março, com relação a fevereiro, como resultado da emissão líquida ocorrida no período, de R$ 2,2 bilhões, e da apropriação de juros, atingindo R$ 649,7 bilhões, sendo compensada em parte pela apreciação cambial no período.

A DPMFi em poder do público, somada às operações de mercado aberto destinadas à administração da taxa de juros de curtíssimo prazo e ao controle da liquidez bancária, chegou a R$ 721,34 bilhões, sendo que as operações de mercado aberto corresponderam a 9,93% deste total.

Exposição cambial foi reduzida

O estoque de títulos atrelados à variação cambial, desconsiderando-se as operações de swap, registrou queda de R$ 11,3 bilhões e, desta forma, a participação de títulos cambiais sobre o total da dívida recuou de 20,6% para 18,7%. Considerando-se as operações de swap, a participação caiu de 36,73% para 34,70%, menor patamar desde junho de 2002.

Já a participação no estoque de títulos com rentabilidade atrelada à taxa Selic registrou elevação de 62,65% em fevereiro para 63,93% em março. Incorporando-se as operações de swap, a exposição à taxa Selic avançou de 46,53% para 47,94%. A participação dos títulos com rentabilidade vinculada a índices de preços teve leve alta, passando de 12,75% para 12,95%, um aumento de R$ 1,9 bilhão.

Prazo médio da DPMFi recuou em março

Em março, embora tenha ocorrido alongamento no prazo médio de emissão das LFT, de 14,04 meses para 16,31 meses, sendo estas representantes de 88,6% das emissões neste mês, e tenha sido emitidas NTN-C com vencimentos para 2008, 2017 e 2021, o prazo médio da DPMFi diminuiu em relação a dezembro, recuando de 32,27 para 31,83 meses.

Da mesma forma o volume de títulos públicos federais em poder do público a vencer em 12 meses recuou de 39,41% para 37,62% da DPMFi, a menor proporção desde julho de 2002. Isso ocorreu em função dos resgates de títulos com prazo de até 12 meses, da ordem de R$ 29,3 bilhões, ter superado a colocação de títulos neste prazo e neste mês, que somou R$ 6,7 bilhões, o montante de juros apropriados e os vencimentos em maior de 2004, de R$ 9,5 bilhões.

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Por sua vez, a dívida cambial a vencer em 12 meses, desconsiderando-se os swaps, aumentou de 30,72% para 33,89%. Finalmente, a dívida de curto prazo atualizada pela taxa Selic foi reduzida, passando de 49,4% para 44,71%, em decorrência do vencimento de R$ 2,5 bilhões em março de 2004 ser bastante inferior ao de março de 2003 (R$ 23,9 bilhões).

Dados são positivos

Apesar do aumento da dívida total, os dados divulgados pelo Banco Central podem ser encarados de forma positiva. A parcela da dívida atrelada ao câmbio caiu para um patamar equivalente ao registrado em agosto do ano passado, e deve cair mais em abril,em função da desvalorização do dólar.

Também a parcela com vencimento em até 12 meses caiu para níveis próximos aos registrados antes do início das turbulências eleitorais do ano passado, o que evidencia a volta da confiança dos investidores, que apostam em papéis mais longos.