Publicidade
SÃO PAULO – Em uma semana marcada pela forte volatilidade dos mercados externos, o mercado brasileiro como um todo teve seu desempenho limitado pelos sinais de resistência inflacionária mostrados pelos índices recém-divulgados. Ainda assim, dólar e juros futuros encerraram a semana em leve queda em comparação à semana anterior.
Inflação mostra sinais de resistência
Sinais de resistência inflacionária voltaram a preocupar o mercado ao longo desta semana, após o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), da Fipe, apurar uma inflação de 0,84% na segunda quadrissemana de abril, acima, portanto, da primeira prévia, que havia apurado uma inflação de 0,81%.
A inflação medida pelo IPCA-15, divulgado pelo IBGE na última sexta-feira, também deu sinais de resistência, ficando em 1,14% em abril, exatamente o mesmo patamar registrado no mês de março. Entretanto, a inflação apurada pelo índice ficou abaixo do patamar projetado por uma parcela do mercado, que esperava uma elevação dos preços da ordem de 1,30% no período.
Copom mantém Selic no patamar de 26,5% ao ano
Em sintonia com o esperado por grande parte do mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou, após sua reunião na terça-feira, a manutenção da taxa básica de juro – a Selic – em 26,5% ao ano, retirando o viés de alta adotado na reunião anterior.
A atitude conservadora da autoridade monetária refletiu os sinais de resistência inflacionária mostrados por índices divulgados em semanas anteriores, que impediram, neste sentido, um corte da Selic, conforme esperado por uma pequena parcela do mercado, que projetava uma redução de 0,25 ponto percentual.
Setor externo mostrou bom desempenho em março
O Banco Central divulgou, nesta semana, a Nota do Setor Externo, apurando uma superávit em conta corrente da ordem de US$ 116 milhões em março, o que corresponde a 0,02% do PIB. No mesmo período do ano passado, o saldo em conta corrente foi deficitário em US$ 1,01 bilhão, ou 0,9% do PIB.
Continua depois da publicidade
Apesar do bom resultado da conta corrente, houve uma considerável queda dos investimentos estrangeiros diretos (IED) líquidos frente ao mesmo período do ano anterior. Dessa maneira, o fluxo de IED foi de US$ 284 milhões, contra US$ 2,363 bilhões registrados em março de 2002. É importante destacar que os IED líquidos também ficaram abaixo das expectativas do mercado, que eram de US$ 400 milhões para o referido mês.
Economia voltou a preocupar mercado norte-americano
O mercado norte-americano, por sua vez, também teve um desempenho limitado ao longo da semana, em função das preocupações dos investidores acerca da fragilidade mostrada pela economia do país nos últimos meses. Neste sentido, os indicadores conjunturais divulgados nesta semana não foram animadores, à medida que apuraram uma elevação do número de pedidos de auxílio-desemprego e uma expansão do PIB bem inferior à esperada pelo mercado.
Contudo, a maior parcela dos resultados corporativos divulgados nesta semana superou as expectativas do mercado, garantindo o bom desempenho das bolsas norte-americanas nos primeiros pregões da semana. Dessa maneira, os principais índices acionários dos Estados Unidos, com exceção do Dow Jones, acumulam leve alta na semana.
Continua depois da publicidade
A cotação do petróleo, por sua vez, acumulou forte queda de 7,54% ao longo da semana, fechando o pregão de sexta-feira cotado a US$ 23,9 por barril da commodity. A forte queda do petróleo no mercado internacional é explicada pela elevação da cota oficial de produção da OPEP, anunciada após a reunião do cartel em Viena.
Otimismo propiciou queda do dólar e dos juros futuros
Ainda refletindo o otimismo dos investidores em relação à economia brasileira e, por conseqüência, a superação da crise de confiança, o dólar fechou a semana novamente enfraquecido frente ao real, acumulando desvalorização de 0,69% na semana. Dessa forma, a divisa norte-americana encerrou o pregão da última sexta-feira cotada a R$ 3,008.
Apesar dos sinais de resistência inflacionária, os juros futuros encerraram a semana em queda, de forma que o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 24,33% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 24,86% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 26,00%, registrando uma leve baixa em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 26,10%.
Continua depois da publicidade
O Ibovespa, por sua vez, acompanhou o fraco desempenho do mercado externo, acumulando baixa de 2,17% na semana. No mês, entretanto, o índice da bolsa paulista já registra ganhos acumulados de 7,56%.
Banco Central divulgará vários dados econômicos
A próxima semana será de muitos eventos, tanto no mercado brasileiro quanto no norte-americano. No Brasil, especificamente, serão divulgados importantes relatórios do Banco Central, como a Nota da Política Fiscal e a Nota da Política Monetária, ambas referentes a março. Também será divulgada a Ata do Copom, relativa à reunião mensal ocorrida entre os dias 22 e 23 de abril.
A Fipe, por sua vez, divulgará o IPC referente à terceira quadrissemana de abril, enquanto a Fundação Getúlio Vargas divulgará o IGP-M referente a abril.
Continua depois da publicidade
Nos Estados Unidos, serão divulgados o Chicago PMI, o ISM Index, o Construction Index, o Unemployment Rate e o Nonfarm Payrolls.