Brasil volta a emitir bônus globais, após uma ano fora do mercado

Operação de US$ 1 bilhão com vencimento em janeiro de 2007 supera expectaivas iniciais; retorno é de 10,7% ao ano

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SÃO PAULO – Confirmando os rumores dos últimos dias, o Brasil voltou ao mercado internacional de capitais nesta terça-feira, ao realizar uma emissão de US$ 1 bilhão em bônus globais, na primeira emissão de dívida soberana desde abril de 2002. Os títulos, com vencimento em janeiro de 2007, foram emitidos com rendimento de 10,7%, o que corresponde a um spread de 783 pontos base.
Deste modo, tanto o rendimento como o volume emitido foram melhores para o Brasil do que as sondagens iniciais ao mercado dos líderes da operação, os bancos Merrill Lynch e UBS. Segundo administradores de recursos em Nova York, os termos iniciais indicavam uma emissão de US$ 750 milhões, com retorno entre 10,625% e 10,875%.
Forte apetite dos investidores

Segundo fontes de mercado, a transação foi bem sucedida, com os investidores mostrando apetite para uma transação ainda maior. Com um cupom de 10%, os bônus globais têm tem vencimento em 16 de janeiro de 2007, já, portanto, no próximo governo.
Os investidores seguem mostrando forte interesse por papéis da dívida externa brasileira, evidenciado pela forte apreciação dos preços dos títulos brasileiros nos últimos meses. Como exemplo, o bônus global com vencimento em 2006 mostrou valorização de 19,2% desde o final do passado, enquanto o papel com vencimento em 2009 subiu 35,8% no mesmo período, passando de 81,375% para 110,50% do valor de face.
Prazo curto

Apesar do prazo relativamente curto da operação, de menos que quatro anos, a operação pode ser considerada um sucesso, principalmente porque marca o retorno do país ao mercado internacional de capitais.

Além disso, esta emissão foi a primeira do Brasil utilizando a CAC, cláusula de acordo coletivo, que permite que uma maioria de 85% dos detentores determine os rumos de uma eventual negociação em condições onde o devedor apresenta dificuldades de pagamento.

Na última operação, lançada em abril de 2002, o Brasil emitiu US$ 1 bilhão em bônus globais, com prazo de oito anos e pagando um spread de 719 pontos básicos acima dos títulos do Tesouro norte-americano.