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SÃO PAULO – O início das operações militares norte-americanas no Iraque ditou o comportamento dos mercados durante toda a semana, com os investidores atentos a rumores e notícias referentes ao conflito. O sucesso no avanço das tropas dos Estados Unidos no Iraque ampliou as expectativas dos investidores em relação a uma guerra de curta duração, animando, dessa maneira, o mercado interno e externo, à medida que quanto menor for a duração da guerra, menores também tendem a ser seus efeitos sobre o desempenho econômico.
Dessa forma, o mercado brasileiro como um todo registrou um bom desempenho ao longo da semana, em compasso com a boa performance do mercado externo, com o dólar registrando nova queda e o Bovespa registrando considerável valorização, fechando em alta em quatro dos cinco pregões. Apesar disto, os juros futuros encerraram a semana em leve alta.
Inflação continua dando sinais de desaceleração
O bom desempenho do mercado brasileiro também decorreu, em grande medida, do maior ânimo dos investidores com a continuidade dos sinais de recuo da inflação, evidenciado pelos índices de preços divulgados ao longo da semana. Dessa maneira, o IPC da Fipe apurou inflação de 0,92% na segunda quadrissemana de março, ficando bem abaixo do patamar de 1,20% registrado na primeira prévia. A inflação apontada pelo índice ficou aquém dos 0,95% esperados pelo mercado.
A retração inflacionária também foi corroborada pelo IGP-10, da Fundação Getúlio Vargas, que apontou uma inflação de 1,58% em março, abaixo dos 2,42% registrados em fevereiro, porém levemente acima das expectativas do mercado, que projetavam uma inflação de 1,50%.
Contrariando os demais indicadores, o IGP-M, também da Fundação Getúlio Vargas, apurou uma inflação de 1,13% na segunda prévia de março, acima, portanto, dos 0,63% registrados no primeiro decêndio do mês e também superior às projeções de mercado, de acordo com as quais a inflação no período deveria ser de 1,0%.
Copom decide pela manutenção do atual patamar da Selic
Após o término de sua reunião mensal na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a manutenção da taxa Selic em 26,5% ao ano, de acordo com o esperado pelo mercado. Entretanto, a surpresa ficou por conta do viés de alta que foi adotado pela autoridade monetária em decorrência dos efeitos que o conflito no Golfo Pérsico possa trazer à economia brasileira.
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Governo brasileiro decide sacar US$ 4,1 bilhões do FMI
Após a revisão do acordo entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI) na sexta-feira da semana anterior, o diretor de política econômica do Banco Central, Iran Goldfajn, anunciou no início desta semana que o governo brasileiro deverá sacar mais US$ 4,1 bilhões junto ao FMI no sentido de se “precaver” ante os efeitos do conflito entre Estados Unidos e Iraque.
Vale lembrar que em dezembro de 2002, o Brasil já havia recorrido ao Fundo para sacar uma parcela de US$ 3,1 bilhões. O acordo firmado prevê que o FMI pode liberar até US$ 30 bilhões ao governo brasileiro.
Mercado norte-americano tem bom desempenho na semana
A melhor definição do cenário bélico no início da semana e as perspectivas de um conflito de curta duração levaram o mercado norte-americano a alcançar um bom desempenho ao longo da semana, de forma que as principais bolsas do país fecharam a mesma com significativos ganhos acumulados.
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Os indicadores conjunturais, entretanto, não foram animadores, uma vez que continuaram dando sinais de fraqueza na economia norte-americana. Neste sentido, o número de pedidos de auxílio-desemprego novamente ficou muito acima do esperado e o nível de atividade industrial registrou forte recuo de 8,0% em fevereiro (de acordo com o Philadelphia Fed Index). Em virtude dos temores quanto aos efeitos do conflito no Golfo sobre a economia do país, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juro no patamar de 1,25% ao ano após sua reunião ocorrida na terça-feira, em sintonia com as expectativas do mercado.
As projeções de uma guerra rápida contribuíram também para uma significativa queda da cotação do petróleo ao longo da semana, de forma que a commodity registrou baixa acumulada de 19,21% no mercado de Londres. Dessa maneira, o petróleo fechou a semana cotado a US$ 24,35 por barril, a menor cotação da commodity desde o dia 20 de novembro de 2002.
Dólar cai, mas juros futuros têm leve alta
As perspectivas de uma minimização dos efeitos do conflito no Golfo sobre o desempenho da economia brasileira possibilitou uma valorização de 0,67% do real frente ao dólar ao longo da semana. Neste sentido, a moeda norte-americana registrou uma queda de 1,95% na sexta-feira em relação ao fechamento anterior, encerrando a semana cotada em R$ 3,4110.
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Apesar do bom desempenho do mercado brasileiro, os juros futuros encerraram a semana em leve alta, de forma que o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, projetou taxa de 26,92% para o vencimento nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 26,69% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 26,00%, registrando uma baixa em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 26,17%.
O Ibovespa, por sua vez, acompanhou o desempenho das principais bolsas mundiais, especialmente as bolsas norte-americanas, acumulando forte alta de 5,18% na semana. A boa performance da bolsa paulista fez com que fosse revertida a baixa acumulada no ano, de forma que o índice agora acumula alta de 0,97% no ano.
BC divulgará muitas informações na próxima semana
A próxima semana será de muitos eventos no mercado brasileiro, com destaque para as informações conjunturais que serão divulgadas pelo Banco Central do Brasil. Neste sentido, a autoridade monetária divulgará a Nota do Mercado Aberto, a Nota do Setor Externo, a Nota da Política Monetária e a Nota da Política Fiscal, além da Ata da Reunião do Copom, ocorrida nesta semana.
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Importantes indicadores econômicos também serão reportados, com destaque para o IPCA-15, do IBGE, e a terceira prévia do IPC da Fipe. A Fundação Getúlio Vargas também divulgará o IGP-M relativo ao mês de março.
Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados indicadores como o New Home Sales, o Consumer Confidence e o Michigan Sentiment Index.