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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou, nesta segunda-feira, o Relatório de Inflação referente ao mês de março, publicação trimestral em que constam dados sobre a expectativa da autoridade monetária com relação à trajetória da inflação e de outros indicadores macroeconômicos brasileiros.
BC eleva projeção para IPCA
Segundo o documento, o Banco Central decidiu elevar a projeção da inflação a ser medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 9,5% para 10,8% em 2003. O BC acredita que a inflação acumulada nos doze meses a serem encerrados em setembro deste ano deva situar-se entre 16% e 17%.
A partir de então, a autoridade monetária aposta que a alta dos preços recue para 10,8% nos doze meses até dezembro e para 6,7% até março do próximo ano. A elevada inflação que deve ser apurada nos doze meses até o final do terceiro trimestre deve-se à permanência da alta dos preços da ordem de 6,6% apurada no quarto trimestre.
A correção das projeções deveu-se à elevação maior que o previsto para a trajetória da inflação medida pelos preços administrados. Nesse sentido, a inflação medida por essa categoria no primeiro trimestre alcançou 7,5%, adotando-se a projeção de 0,90% para o IPCA em março, frente à previsão anterior de alta de 2,9%.
Assim, as expectativas para o IPCA para o primeiro trimestre foram revisadas de 2,9% para 4,8% e, para o restante do ano, de 6,5% para 5,8%. A queda das projeções para o restante do ano deveu-se à redução das previsões para inflação a ser medida pelos preços livres, de 5,8% para 4,7%, e dos preços administrados, de 10,5% para 8,6%, em conseqüência do aumento da taxa de juros e da apreciação cambial.
Abaixo da meta ajustada
A nova revisão para a inflação a ser medida pelo IPCA ficou ainda mais distante da meta ajustada pelo BC para 2003, de 8,5%. A autoridade monetária acredita que a política monetária consiga trazer a inflação para uma trajetória compatível com a delineada pela meta ajustada.
Além disso, o BC considera ser prematura a avaliação do efeito das últimas elevações da taxa de juros, mas ressaltou que a meta pode não ser alcançada, em função das adversidades no cenário externo, devido à guerra no Iraque.
Finalmente, a autoridade monetária ponderou que os maiores riscos quanto à velocidade de queda da inflação e à extensão da inércia inflacionária também podem implicar o não cumprimento da meta ajustada.
BC reduz projeções para crescimento do PIB
Ainda segundo o relatório de inflação, o Banco Central optou por reduzir de 2,8% para 2,2% as projeções para crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro referente ao ano de 2003. A diminuição deveu-se à deterioração da demanda interna, especialmente das condições de crédito, com a seqüência de elevações da taxa de juros.
Assim, o BC acredita que tais impactos negativos serão mais sensíveis aos setores produtivos, enquanto a produção agropecuária e extrativa e mineral, caracterizada pelo elevado volume de exportações, deve ser menos afetada.