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SÃO PAULO – O acirramento das tensões entre Estados Unidos e Iraque ditaram o comportamento dos mercados na primeira semana de fevereiro. Neste sentido, a semana foi marcada pelo fraco desempenho do mercado brasileiro, refletindo a forte volatilidade do mercado internacional, de forma que os juros futuros e o dólar fecharam em alta na semana.
Discurso de Powell causa tensão no mercado
Pode-se dizer que grande parte do nervosismo do mercado foi decorrente do pronunciamento do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, ao Conselho de Segurança da ONU, na última quarta-feira. No início da semana, o mercado aguardava o encontro com grandes temores.
Após a entrega de supostas provas contra o Iraque, os investidores aumentaram seus receios acerca dos desdobramentos de uma guerra prolongada sobre a economia mundial, que vem enfrentando ondas de dificuldades nos últimos meses.
Inflação permanece alta
No âmbito interno, o mercado seguiu analisando o comportamento da inflação, que ainda permanece em níveis elevados de acordo com os últimos indicadores. Segundo o IPC da FIPE, a inflação registrada em janeiro ficou em 2,19%, acima do patamar atingido em dezembro de 2002, que foi de 1,83%.
Em sua primeira edição, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) da Fundação Getúlio Vargas apontou uma inflação de 2,18% para o período compreendido entre os dias 29 de dezembro e 28 de janeiro. A aceleração inflacionária, segundo o índice, ocorreu principalmente nos itens de alimentos, transportes e educação.
Palocci anuncia nova meta do superávit primário
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciou na tarde desta sexta-feira a nova meta do superávit primário do governo brasileiro, que passou de 3,75% para 4,25% do PIB. Vale lembrar que em 2002 a meta foi de 3,88% e o superávit verificado no ano foi de 4,06%. Uma elevação do superávit primário é importante para o país, pois dá maior folga para o governo honrar seus compromissos.
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O Banco Central também conseguiu, nesta sexta-feira, rolar 54% da dívida de 2,7 bilhões com vencimento para o próximo dia 13 de fevereiro.
Mercado norte-americano tem semana bastante volátil
O temor em relação a um possível conflito armado entre Estados Unidos e Iraque ampliou o receio do mercado norte-americano, que registrou um fraco desempenho durante toda a semana, apesar das altas verificadas na última segunda-feira. Dessa maneira, as principais bolsas norte-americanas fecharam a semana em baixa.
O bom desempenho dos indicadores divulgados no decorrer da semana também foi ofuscado pela apreensão em torno dos custos de uma guerra para a economia nos Estados Unidos. De acordo com números do Departamento de Trabalho dos EUA, a taxa de desemprego foi de 5,7% em janeiro, ficando abaixo do esperado. O nonfarm payrolls indicou um crescimento maior que o esperado para os postos de trabalho nos Estados Unidos.
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O mercado internacional de petróleo também sentiu os efeitos gerados pelas expectativas de guerra, de modo que a commodity fechou a semana em forte alta de 2,76%. O mercado de petróleo foi também influenciado por declarações de alguns membros da OPEP sobre uma provável redução da oferta de petróleo pelos países do cartel a partir de março.
Mercado brasileiro sofre grandes oscilações
A cotação do dólar também sofreu fortes oscilações durante a semana, fechando em alta durante três dos cinco pregões. A moeda norte-americana registrou leve baixa de 0,22% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,5840. Contudo, no acumulado da semana a divisa norte-americana sofreu apreciação de 1,91% em relação ao fechamento da última sexta-feira.
Acompanhando a volatilidade do mercado, os juros futuros registraram fortes oscilações durante toda a semana, fechando a sexta-feira em leve alta com relação ao fechamento anterior. O contrato futuro de maior liquidez o de vencimento em julho de 2003 registrou alta na semana, fechando com taxa de 27,86%, frente a uma taxa de 27,18% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,65%, registrando um aumento em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 25,10%.
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O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, também foi bastante influenciado pelas instabilidades do mercado, fechando em baixa em quatro dos cinco pregões. Na sexta-feira, o índice Ibovespa fechou em queda de 1,75%. Na semana, o índice acumula queda de 5,12%, enquanto a baixa acumulada do ano fica em 7,88%.
Próxima semana será bastante agitada
A próxima semana será bastante agitada tanto no cenário externo quanto no cenário interno. O mercado internacional aguarda com fortes expectativas a entrega do novo relatório dos inspetores de armas da ONU, no dia 14 de fevereiro.
No Brasil, serão divulgados importantes indicadores do nível de preços. Assim, a FGV divulgará a primeira prévia do IGP-M e também o IGP-DI referente a janeiro. A FIPE, por sua vez, divulgará o IPC relativo à primeira quadrissemana de fevereiro, enquanto o IBGE divulgará o IPCA e o INPC.
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Nos Estados Unidos, serão divulgados o Retail Sales, Business inventories e o Industrial Production.