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SÃO PAULO – O recente rebaixamento do rating do Paraguai, em função da decisão do nosso colega de Mercosul de não pagar a opção de venda exercida pelos investidores em um bônus local denominado em dólares, no valor de apenas US$ 20 milhões, exemplifica a crise por que passa a maioria das economias sul-americanas.
De fato, à exceção do Chile, que segue com sua classificação de risco no confortável nível de A-, ou seja, acima do grau considerado seguro para investimentos pela agência de classificação de risco Standard&Poors, todos os demais países da América do Sul que têm ratings foram rebaixados nos últimos meses, ou seguem com classificações muito baixas.
Paraguai entra em default
Por não cumprir com suas obrigações, o Paraguai juntou-se à Argentina na categoria SD, ou seja, default seletivo, de acordo com a classificação da S&P. Além disso, as perspectivas seguem negativas, já que, de acordo com o analista de governos soberanos da agência, Sebastian Briozzo, “o pagamento completo das obrigações parece improvável”.
Vale destacar também que o Paraguai não cumpriu os pré-requisitos para um possível acordo com o FMI e parece ver no adiantamento do pagamento dos royalties das usinas de Itaipu (junto ao Brasil) e de Yaciretá (junto á Argentina) como a única alternativa para sua falta de recursos.
Ratings do Uruguai e Brasil também são baixos
Fortemente abalado pela crise argentina, que levou boa parte de seu sistema bancário à insolvência, a situação do Uruguai também é crítica. Após sustentar por muitos anos a fama de “Suíça das Américas”, o Uruguai se encontra próximo da moratória. Sua classificação de risco caiu para CCC, com perspectivas negativas, poucos degraus acima do default.
Com isso, mesmo apesar de todos os problemas enfrentados nos últimos anos, o Brasil tem hoje a melhor classificação dentre os quatro membros fundadores do Mercosul. Com a classificação de B+, apesar da perspectiva negativa, estamos quatro degraus acima do Uruguai e também quatro patamares abaixo do tão sonhado nível de investimento.
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Crise é continental
Os baixos ratings não se restringem aos membros do Mercosul. Tanto Venezuela, que chegou a ser classificada como AAA, o melhor patamar na escala de risco, na década de 70, como o Equador ostentam rating de CCC+, também abaixo da classificação do Brasil.
Por fim, a Colômbia é classificada como BB, poucos anos após fazer parte do seleto grupo de países latino-americanos com grau de investimento, enquanto o Peru (BB-) e a Bolívia (B+) vêm em seguida.
Modelo econômico equivocado
A crise que assola a América Latina não é recente, mas sim a conseqüência de décadas de políticas econômicas irresponsáveis e de governos corruptos ou mal preparados. Embora alguns países tenham alcançado uma maturidade política maior, como o Brasil, por exemplo, a situação da maioria no que diz respeito às instituições democráticas deixa a desejar. Que o digam os exemplos da Venezuela, Bolívia, Equador e da própria Argentina.
De forma geral, as economias sul-americanas fazem muito pouco para atuarem de forma eficaz em um mundo globalizado. Os escassos investimentos estrangeiros, que são disputados ferrenhamente na maior parte do mundo, muitas vezes são desencorajados na América do Sul por atitudes políticas inconseqüentes e de falso patriotismo.
A conseqüência, que não chega a ser surpreendente, é que boa parte das economias da América do Sul possui classificação de risco inferior a países de outras regiões com menos expressão, como Mongólia e Papua Nova Guiné, que com rating de “B”, superam metade das economias sul-americanas neste quesito.