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SÃO PAULO – Com os investidores menos tensos após a entrega do relatório dos inspetores da ONU, o mercado, tanto interno quanto externo, iniciou a semana em movimento de recuperação frente às perdas registradas na semana anterior.
Dessa maneira, o dólar registrou queda nos dois primeiros pregões da semana, enquanto a Bovespa fechou em alta nestas mesmas sessões. Somente os juros futuros seguiram em descompasso com o movimento de recuperação, registrando alta nos dois primeiros pregões, devido às expectativas em torno da elevação da taxa Selic após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
Entretanto, a recuperação dos mercados foi interrompida a partir de quarta-feira, quando o fraco desempenho do mercado externo, especialmente do norte-americano, influenciou também o mercado brasileiro. Neste sentido, o dólar voltou a subir nos demais dias, enquanto a Bovespa registrava quedas. Os juros futuros, por sua vez, operaram sob forte volatilidade, ajustando-se na quinta-feira já com a nova taxa Selic.
Copom eleva taxa Selic para 26,5% ao ano
Após a aceleração inflacionária verificada na primeira quadrissemana de fevereiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou, na última quarta-feira, o segundo reajuste da taxa Selic no ano, após dois dias de reunião. A taxa básica de juros sofreu um aumento da ordem de um ponto percentual, passando de 25,5% ao ano para 26,5% ao ano.
A elevação da taxa Selic já era esperada pelo mercado, uma vez que os indicadores de inflação referentes aos primeiros dias de fevereiro já apontavam aceleração dos preços frente ao mês anterior.
Inflação superou expectativas
Confirmando a tendência de elevação dos preços registrada por índices anteriores, a 2ª prévia de fevereiro do IGP-M, medida pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou uma inflação de 1,73% no segundo decêndio do mês, uma significativa alta perante os 0,89% registrados na primeira prévia de fevereiro. O indicador também superou as expectativas do mercado, que projetavam uma inflação entre 1,2% e 1,3%. O IGP-10, também da FGV, mostrou uma inflação de 2,42% em fevereiro, contra os 2,29% medidos em janeiro.
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A aceleração dos preços, entretanto, foi contrariada pelo IPC da Fipe, que registrou uma inflação de 2,13% na 2ª quadrissemana de fevereiro, ficando, portanto, abaixo dos 2,23% apontados na 1ª quadrissemana do mês. Apesar disto, o indicador ficou acima das expectativas do mercado, que projetavam inflação de 1,79%.
Economia norte-americana ainda enfrenta dificuldades
Com um feriado nacional marcando o início da semana, o mercado norte-americano teve um desempenho mediano, principalmente em função dos fracos indicadores econômicos divulgados no decorrer da semana. Os investidores ficaram bastante insatisfeitos com a divulgação do saldo da balança comercial, que registrou um déficit recorde de US$ 44,2 bilhões em dezembro de 2002, ficando acima dos US$ 38,6 bilhões projetados pelo mercado.
Outros indicadores referentes à atividade econômica também desapontaram os investidores. Neste sentido, o Initial Claims mostrou um aumento do número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, enquanto o Producer Price Index mostrou uma aceleração da ordem de 1,6% da inflação ao produtor durante o mês de janeiro.
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A cotação internacional do petróleo também apresentou significativas oscilações no decorrer da semana, contribuindo para o aumento do spread entre os contratos futuros com vencimento em abril do petróleo nos mercados de Londres e Nova York. Apesar de registrar alta de 2,25% no fechamento desta sexta-feira, a cotação do petróleo no mercado de Londres registrou decréscimo de 0,71% em relação à semana anterior. Dessa forma, a commodity encerra a semana cotada a US$ 32,27 por barril.
Quedas do dólar e dos juros marcam mercado brasileiro
A recuperação do mercado brasileiro e também dos internacionais possibilitou a queda do dólar frente ao real durante a semana. Apesar disto, a moeda norte-americana registrou leve alta de 0,22% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,6230. As quedas iniciais, entretanto, possibilitaram que a divisa norte-americana acumulasse desvalorização de 1,23% em relação ao fechamento da última sexta-feira. Em fevereiro, o dólar já acumula forte valorização de 3,01%.
Em função das expectativas em torno da decisão do Copom quanto à taxa Selic, os juros futuros também registraram significativas altas durante toda a semana. Ainda assim, o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, registrou baixa na semana, fechando com taxa de 28,02%, frente a uma taxa de 28,32% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,89%, registrando um ligeiro aumento em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 25,85%.
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O Ibovespa, por sua vez, acompanhou o desempenho dos mercados externos durante toda a semana, registrando alta em três dos cinco pregões. Dessa maneira, o índice da bolsa paulista acumulou alta de 2,47% na semana.
Próxima semana terá muitos resultados corporativos
A próxima semana será marcada pela divulgação de muitos resultados corporativos no Brasil. Empresas como Ambev, Lojas Americanas, Klabin, CST e Telemar informarão ao mercado seus resultados relativos ao último trimestre de 2002 e também no consolidado do ano. Com relação aos indicadores econômicos, o Banco Central publicará a Nota da Política Monetária referente a janeiro.
Nos Estados Unidos, importantes indicadores serão divulgados, como o Treasury Budget, o New Home Sales, o Existing Home Sales e o Consumer Confidence.