Reajuste dos juros volta a ser principal fator de elevação da dívida pública

Elevações da taxa Selic contribuem para uma maior participação dos juros nominais na elevação da dívida líquida

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SÃO PAULO – O saldo total da dívida líquida do setor público sofreu uma elevação da ordem de 0,88% em janeiro, segundo a Nota da Política Fiscal publicada pelo Banco Central do Brasil nesta quinta-feira. Neste sentido, a dívida líquida total passou de R$ 881,108 bilhões em dezembro de 2002 para R$ 888,895 bilhões em janeiro, uma variação absoluta de R$ 7,787 bilhões entre os meses.

Considerando que a variação do PIB nominal brasileiro foi de 0,91% no mesmo período, passando de R$ 1,575 trilhões para R$ 1,589 trilhão, houve uma redução da dívida líqüida expressa em termos de porcentagem do PIB, de modo que o saldo da dívida passou de 55,93% do PIB em dezembro para 55,92% do PIB em janeiro, ou seja, uma redução de um ponto percentual.

Juros nominais são principal causa da elevação da dívida

Ao contrário do que acontecia desde outubro de 2002, quando o ajuste cambial se tornou o principal fator condicionante do aumento da dívida líquida, os juros nominais voltaram a ser a principal causa da elevação da dívida em janeiro. As elevações da taxa básica de juros nas reuniões do Copom em dezembro e janeiro induziram uma maior participação dos juros na composição da dívida pública líquida.

Dessa maneira, os juros nominais foram responsáveis pela elevação da dívida em R$ 17,632 bilhões, o que corresponde a uma parcela de 1,11% do PIB, durante o mês de janeiro. Entretanto, como o setor público voltou a apresentar superávit primário da ordem de R$ 8,463 bilhões, ou 0,53% do PIB nominal, em janeiro, a necessidade de financiamento do setor público (NFSP) cresceu somente em 0,58% do PIB, ou R$ 9,169 bilhões.

Baixa do dólar atenua efeitos de ajuste cambial

Por outro lado, a baixa acumulada pelo dólar em janeiro possibilitou um decréscimo dos efeitos do ajuste cambial sobre a variação da dívida líquida do setor público, de modo que no referido mês o componente cambial da determinação da dívida contribuiu para o recuo da dívida líquida em R$ 969 milhões, o que corresponde a 0,06% do PIB.

O reconhecimento de dívidas anteriores, popularmente conhecido como “esqueleto” da dívida, foi responsável pela elevação da dívida líquida em R$ 671 milhões, uma cifra bem modesta quando comparada a períodos anteriores.