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SÃO PAULO – Os temores em relação à possibilidade de um conflito entre Estados Unidos e Iraque continuaram limitando o desempenho dos mercados, tanto interno quanto externo, na última semana de fevereiro.
O mercado brasileiro como um todo mostrou um modesto desempenho, com os juros futuros encerrando a semana em ligeira alta diante do avanço inflacionário evidenciado pelo IGP-M e IPCA-15 e o índice da bolsa paulista registrando baixa em três dos cinco pregões.
Apesar disso, o dólar acumulou queda na semana, influenciada por captações de recursos externos pela CSN e ABN, além da forte pressão do mercado para diminuição da Ptax. A forte recuperação dos títulos da dívida externa durante a semana também possibilitou a entrada de um maior volume de dólares no país, contribuindo, dessa forma, para o enfraquecimento da moeda norte-americana perante o real.
Inflação continuará elevada, segundo BC
O Banco Central divulgou na última quarta-feira a Ata do Copom, relativa à reunião da autoridade monetária realizada nos dias 18 e 19 de fevereiro, quando se decidiu pelo aumento em um ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, que passou de 25,5% para 26,5% ao ano, sua segunda elevação em 2003. O reajuste da taxa básica de juros foi feito no sentido de tentar conter a aceleração inflacionária verificada nos últimos meses.
Um dos pontos mais interessantes do documento é o referente às projeções inflacionárias para o ano em curso. De acordo com o Banco Central, a inflação ainda tem mostrado sinais de aceleração devido à inércia residual do forte avanço dos preços registrado no último trimestre de 2002 e também por conta da forte alta dos preços de combustíveis e tarifas públicas em janeiro.
De acordo com as perspectivas da autoridade monetária, a inflação deverá perder o fôlego a partir de fevereiro, mantendo-se, porém, em patamar elevado em função do efeito residual dos preços administrados e monitorados.
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Entretanto, a desaceleração prevista pelo Banco Central já em fevereiro não foi corroborada pelos índices de preços divulgados na semana, à exceção do IPC da Fipe. Neste sentido, o IPCA-15, divulgado pelo IBGE, apurou uma inflação de 2,19% em fevereiro, acima dos 1,98% registrados em janeiro.
O IGP-M da Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, registrou uma inflação de 2,28% em fevereiro, superando as expectativas do mercado, que projetavam uma inflação de 1,76%, de acordo com o relatório Focus do Banco Central. O IPC da Fipe, contudo, contabilizou inflação de 1,83% relativa à terceira quadrissemana de fevereiro, abaixo dos 2,13% registrados na prévia anterior.
Setor Público registra superávit em janeiro
O Banco Central do Brasil também reportou, durante a semana, a Nota da Política Fiscal, segundo a qual o setor público não financeiro obteve um superávit de R$ 8,5 bilhões em janeiro (7,01% do PIB) frente ao déficit de R$ 4,7 bilhões (3,59% do PIB) registrado em dezembro de 2002. A dívida líquida do setor público passou de R$ 881,1 bilhões em dezembro para R$ 888,9 bilhões em janeiro, um aumento de 0,9%.
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A elevação da dívida líquida decorreu, basicamente, do forte efeito dos juros nominais, resultante da elevação da taxa Selic em dezembro e janeiro. O ajuste cambial, por sua vez, deixou de ser o principal fator condicionante, uma vez que que o dólar acumulou baixa durante o mês de janeiro.
Mercado norte-americano registrou grandes variações
Tendo iniciado a semana com um bom desempenho, o mercado acionário norte-americano logo sucumbiu à ameaça de um iminente conflito entre Estados Unidos e Iraque, aguardando a reunião entre o presidente dos EUA George W. Bush e o Conselho de Segurança da ONU.
Na reunião, Bush apresentou a proposta de uma nova resolução ao Conselho, no sentido de a Casa Branca obter a concessão das Nações Unidas para uma ofensiva militar contra Saddam Hussein, caso o presidente iraquiano insista em não destruir os materiais bélicos encontrados em território iraquiano pelos inspetores da ONU.
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Os indicadores econômicos divulgados ao longo da semana também não melhoraram o ânimo dos investidores, uma vez que o Consumer Confidence, índice que mede a confiança do consumidor na economia do país, registrou seu menor nível desde 1993, além do Initial Jobless Claims ter reportado um grande aumento no número de pedidos de auxílio-desemprego durante a semana terminada em 22 de fevereiro.
Por outro lado, o durable good orders, que mede o número de pedidos à indústria nore-americana, registrou um crescimento de 3,3% em janeiro, acima do 1,0% esperado pelo mercado.
As tensões em torno da crise no Golfo Pérsico também ditaram a forte alta do barril de petróleo durante a semana, tanto no mercado de Nova York quanto no de Londres. Neste sentido, os contratos futuros de Londres, de maior negociação, sustentaram cotação acima da barreira dos US$ 33,00 por dia, fechando a semana em leve alta de 0,37%.
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Dólar cai e juros futuros sobem
A captação de recursos externos realizada pela siderúrgica CSN (US$ 85 milhões) e pelo banco ABN Amro (US$ 150 milhões) contribuiu significativamente para a baixa do dólar durante a semana. A pressão dos investidores para recuo da Ptax e a forte recuperação dos títulos da dívida externa brasileira também ditaram o enfraquecimento da moeda norte-americana durante a maior parte das sessões.
Nesse sentido, a moeda norte-americana registrou leve alta de 0,25% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,5690. Assim, a divisa norte-americana acumulou desvalorização de 1,49% em relação ao fechamento da última sexta-feira. Em fevereiro, o dólar já acumula forte valorização de 1,48%.
Em função da aceleração inflacionária e também do temor de guerra, os juros futuros registraram significativas altas durante a semana. Dessa forma, o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, registrou alta na semana, projetando taxa de 27,77% para o vencimento nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 28,02% na semana passada.
Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 26,20%, registrando um ligeiro aumento em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 25,88%.
O Ibovespa, por sua vez, foi bastante influenciado pelos mercados externos durante toda a semana, fechando em baixa durante três dos cinco pregões. Dessa forma, o índice da bolsa paulista acumulou uma desvalorização de 0,54% na semana, fechando o mês com forte queda acumulada de 6,04%. No ano, o Ibovespa acumula desvalorização de 8,76%.
Carnaval reduzirá volume de negócios na próxima semana
O volume de negócios será reduzido na próxima semana, em função do feriado do Carnaval nos primeiros dois dias da semana. Dessa maneira, as negociações só serão retomadas a partir da próxima quarta-feira.
O principal evento da semana será a entrega do novo relatório do chefe dos inspetores das Nações Unidas, Hans Blix, ao Conselho de Segurança da ONU, no dia 7 de março, próxima sexta-feira. O mercado aguarda com bastante ansiedade o posicionamento de Blix em relação ao desarmamento do Iraque.
Nos Estados Unidos, importantes indicadores serão divulgados, como o ISM Index, o Construction Spending, o Factory Orders, o Unemployment Rate e o Consumer Credit. No Brasil, em virtude do feriado de carnaval, não serão divulgados indicadores importantes da economia, a não ser o saldo da balança comercial referente ao mês de fevereiro.