Indicadores do setor externo mostram forte melhora em 2002, refletindo ajuste

Aumento do superávit comercial colabora com redução do déficit em conta corrente, que cai para 1,67% do PIB em 2002

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SÃO PAULO – O Banco Central divulgou, na manhã desta quinta-feira, a Nota sobre o Setor Externo, com dados referentes ao mês de dezembro de 2002. No período, o balanço de pagamentos registrou superávit de US$ 1,41 bilhão, impulsionado pela forte redução no déficit em transações correntes, que chegou a US$ 106 milhões, bastante inferior ao patamar de US$ 1,78 bilhão contabilizado em igual período do ano anterior de 2001.

Balança comercial impulsiona saldo em transações correntes

Nesse sentido, a expansão de US$ 857 milhões para US$ 1,8 bilhão no superávit da balança comercial em dezembro, em função da desvalorização do real frente ao dólar, e a retração de US$ 640 milhões no saldo negativo da conta de rendas e serviços colaboraram com a melhora para o saldo em transações correntes.

No acumulado do ano, o saldo em transações correntes registrou déficit de US$ 7,757 bilhões, o que representa 1,67% do PIB (Produto Interno Bruto), valor bastante inferior aos US$ 23,213 bilhões, ou 4,55% do PIB, apurados em 2001.

Já o balanço de pagamento em 2002 registrou superávit de US$ 302 milhões, resultado bastante inferior aos US$ 3,307 bilhões contabilizados em igual período do ano de 2001.

Conta capital e financeira registra forte queda no ano

A conta capital e financeira registrou entradas líquidas de US$ 2,059 bilhões, impulsionada pelos ingressos de US$ 1,411 bilhão de investimentos estrangeiros diretos no mês. Além disso, colaborou para este movimento a entrada de US$ 3,1 bilhões provenientes do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No acumulado do ano, a conta capital e financeira acumulou superávit de US$ 12,003 bilhões, forte queda de 57% em relação ao resultado positivo de US$ 27,925 bilhões apurados em 2001.

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Finalmente, apesar do resultado positivo do balanço de pagamentos, o BC se viu obrigado a vender ao mercado US$ 9,11 bilhões durante o ano passado para ajudar o setor privado a financiar seus compromissos externos, diante da escassez de crédito novo e, com isso, as reservas internacionais líqüidas registraram queda de US$ 1,525 bilhão em dezembro de 2002. Com isso, as reservas chegaram a US$ 16,339 bilhões ao final de 2002, forte queda de 57% com relação ao patamar verificado ao final de 2001, de US$ 37,823 bilhões.