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SÃO PAULO – As bolsas norte-americanas encerraram as negociações desta segunda-feira em baixa, em razão do pessimismo dos investidores em relação à crise do Oriente Médio, sentimento esse agravado pela divulgação do relatório do chefe da comissão de inspeção de armas da ONU, Hans Blix.
O conteúdo do relatório, divulgado por Blix, confirmou que o Iraque cooperou com a comissão, apesar de não ser possível concluir que o país tenha se desarmado. As declarações dão às autoridades norte-americanas mais argumentos para justificar uma invasão do país árabe.
Powell declara que EUA estão prontos para atacar
No último domingo, durante o discurso no Fórum Econômico em Davos, na Suíça, o secretário de Estado norte-americano, Collin Powell, declarou que os EUA estão preparados para atacar o país árabe, independentemente da autorização da ONU e da oposição dos demais países.
De acordo com Powell, quanto mais tempo o governo dos EUA esperar, mais chances o líder do Iraque, Saddam Hussein, terá para repassar a produção de armas de alto poder de destruição a grupos terroristas, incluindo o Al Qaeda, suspeito de ter liderado os ataques ao World Trade Center em setembro de 2001.
Com isso, o mercado aguarda o discurso do presidente George W. Bush, que será feito nesta terça-feira. Espera-se que Bush faça uma nova tentativa de angariar o apoio internacional para um possível conflito contra o Iraque, já que países como a Alemanha e a França mostram-se contrários à invasão do país árabe.
Dados do setor imobiliário superam expectativas
Nesta segunda-feira, a Associação de Corretoras de Imóveis dos EUA divulgou o número de casas usadas vendidas em 2002, o Existing Home Sales. No período, foram vendidas 5,86 milhões de casas, frente ao total revisado de 5,57 milhões registrados no resultado anualizado de novembro, número este bem superior aos 5,64 milhões esperados pelos investidores norte-americanos.
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Como o volume de casas usadas responde por 85% do volume total de vendas de imóveis nos EUA, este número representa um importante indicador do nível de atividade econômica dos EUA. Porém, somente a análise conjunta com o índice do New Home Sales, pode indicar se o mercado imobiliário está aquecido ou não.
A divulgação de tal indicador chegou a impulsionar o mercado acionário norte-americano no início do pregão, porém, o pessimismo dos investidores quanto à crise no Oriente Médio orientou o comportamento dos investidores, que preferiram ativos mais seguros às ações e ao dólar norte-americano, como o ouro, cuja cotação chegou a atingir sua maior cotação em mais de 6 anos.
J&J foi um dos destaques do pregão
Um dos destaques negativos do pregão ficou com os papéis da Johnson & Johnson, que encerraram as negociações em queda de 2,67%, após a decisão judicial que obriga a empresa a reembolsar a concorrente Amgen (-2,87%) pelos custos com a disputa judicial sobre a licença de um medicamento contra a anemia.
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Declarações de Bill Gates derrubam ações das techs
Muitos investidores fecharam suas posições em ações de empresas do setor de tecnologia, após Bill Gates, da Microsoft (-1,3,6%), ter comunicado que o investimento nas techs não deve aumentar nos próximos dois ou três anos.
Destaque também para os papéis da Broadcom, que encerraram as negociações em baixa de 6,29%, em razão também da divulgação na semana passada do prejuízo trimestral contabilizado no quarto período de 2002. Já os papéis da i2 Technologies, fecharam em baixa de 26,98%, após a empresa ter comunicado que realizará uma nova auditoria nos resultados referentes aos anos de 2000 e de 2001.
Resultados também preocupam
Além da situação política internacional, a divulgação de resultados e de perspectivas das empresas para 2003 preocupa os investidores, porque apontam para a difícil retomada do crescimento econômico nos Estados Unidos.
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Neste sentido, uma das grandes empresas do setor hipotecário, a Freddie Mac, optou por não divulgar perspectivas para este ano, em razão da conturbada situação político-econômica. Os papéis da companhia fecharam o pregão em queda de 4,25%.
Já os papéis da Tyson Foods, do setor alimentício, encerraram o pregão desta segunda-feira em baixa de 10,88%, após a empresa ter divulgado uma queda nas receitas, explicada pelo aumento dos preços grãos e pela queda do preço da carne, segmento no qual a empresa atua, em razão do excesso de oferta do produto.
Lear foi o destaque positivo do pregão
O destaque de alta desta segunda-feira ficou com as ações da produtora de auto-peças Lear, que encerraram as negociações em alta de 5,78%. A empresa reportou um forte lucro no quarto trimestre, impulsionado pelo aumento da produção de veículos na América do Norte. Além disso, a companhia divulgou que espera crescimento das vendas neste ano.
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Bolsas fecharam pregão em queda
O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em baixa de 1,74% a 7.990 pontos, acumulando no ano forte desvalorização de 4,22%.
O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão com queda de 1,62% atingindo 847 pontos e caindo 3,68% no ano, enquanto a Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, apresentou baixa de 1,26% chegando a 1.325 pontos e acumulando no ano perdas de 0,77%.
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%Var Dia | Pontos | %Var 30D | %Var Ano | ![]() |
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Nasdaq C | -1,26 |
1.325 | -1,71 |
-0,77 |
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S&P 500 | -1,62 |
847 | -3,19 |
-3,68 |
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Dow Jones | -1,74 |
7.990 | -3,78 |
-4,22 |
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