Superávit primário supera metas do FMI, mas dívida do setor público segue elevada

Relatório do Banco Central mostra que austeridade fiscal foi mantida em 2002, mas alta da Selic afetou composição da dívida

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SÃO PAULO – O Banco Central anunciou, nessa quinta-feira, a nota sobre Política Fiscal, que trouxe importantes informações sobre as contas do setor público em 2002. Em dezembro, como já era esperado, o setor público não-financeiro apontou déficit primário da ordem de R$ 4,7 bilhões. Esse resultado foi decorrente do pagamento do décimo terceiro salário, das férias dos servidores públicos e de outras despesas de custeio e de capital.

Superávit primário superou metas com FMI

Entretanto, no resultado fechado do ano passado, o superávit primário totalizou R$ 52,4 bilhões, o que corresponde a 3,91% do PIB em bases correntes ou 4,06% do PIB em temos valorizados pelo IGP-DI. Esses resultados são os mais elevados desde 1994 e superaram com bastante folga as metas acordadas com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para o ano.

O relatório também revela que o pagamento de juros nominais somou R$ 17,4 bilhões no último mês de 2002. Com isso, no acumulado do ano, o resultado atingiu R$ 114 bilhões, o que representa 8,43% do PIB frente aos R$ 86,4 bilhões, ou seja, 7,19% do PIB, apurados no mesmo período do ano anterior.

Déficit nominal atinge R$ 22,1 bilhões em dezembro

Nesse sentido, o déficit nominal em dezembro foi da ordem de R$ 22,1 bilhões frente aos R$ 6,4 bilhões contabilizados em novembro. No ano, o déficit atingiu R$ 61,6 bilhões, o que representa 4,38% do PIB, em relação aos R$ 42,8 bilhões apurados em 2001, e que responderam por 3,49% do PIB.

Já a dívida mobiliária federal fora do Banco Central e avaliada de acordo com a posição da carteira, encerrou dezembro com R$ 632,2 bilhões, o que representa 39,5% do PIB. Desse modo, o montante corresponde a um decréscimo de R$ 8,3 bilhões frente ao mês anterior.

Entre os principais responsáveis por esse resultado em dezembro estavam os resgates líquidos da ordem de R$ 16,8 bilhões e a apreciação da taxa de câmbio em 2,84%.

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Maior parte da dívida é composta por títulos atrelados à Selic

A composição por indexador referente à dívida pública mobiliária federal interna, na posição de carteira, somada às operações de mercado aberto encerrou dezembro com 20,3% de títulos indexados ao câmbio, 55,2% de títulos vinculados à taxa Selic, 2% de títulos prefixados, 11,4% de índices de preços e 9,3% de operações de mercado aberto.

Se forem levadas em conta, as operações de swap, a participação cambial encerra dezembro com 33,6% e aquelas vinculadas à taxa Selic com 41,9%.

Dívida líquida em dezembro representa 55,89% do PIB

O setor público encerrou dezembro com uma dívida líquida da ordem de R$ 881,1 bilhões, o que representa 55,89% do PIB, contra R$ 869,5 bilhões, que correspondem a 56,38% do PIB, apurados em novembro e R$ 660,9 bilhões, ou seja, 52,57% do PIB, contabilizados em dezembro do ano anterior.

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No acumulado do ano, a dívida líquida do setor público apontou incremento de 3,32 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano anterior. Sob o critério de fatores condicionantes para essa evolução, as necessidades de financiamento do setor público responderam por 3,91 pontos percentuais, o impacto cambial sobre a dívida mobiliária interna indexada ao dólar e sobre dívida externa corresponderam por 9,34 pontos percentuais.