Comentário da semana

A última semana de janeiro foi marcada pela forte volatilidade do mercado brasileiro e internacional; dólar e juros futuros apresentaram queda

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SÃO PAULO – A última semana do mês de janeiro de 2003 foi marcada pela forte volatilidade do mercado, tanto interno quando externo, diante da evolução das tensões no Golfo Pérsico. Neste sentido, o desempenho do mercado brasileiro como um todo foi relativamente fraco durante toda a semana, com a Bovespa fechando em baixa em três dos cinco pregões.

O dólar também mostrou intensas oscilações durante toda a semana, fechando em baixa na maior parte dos dias, com os investidores realizando lucros frente às altas acumuladas em dias anteriores.

Banco Central rola grande parte da dívida

Apesar do pessimismo do mercado externo, o Banco Central do Brasil conseguiu rolar 94% de sua dívida cambial com vencimento para o dia 03 de fevereiro. A dívida total é da ordem de US$ 1,8 bilhão.

A rolagem desta parcela da dívida trouxe tranqüilidade ao mercado, pois mostra que os problemas enfrentados nos últimos meses com a rolagem da dívida cambial parecem ter sido superados. Além disso, o maior acesso de emissores brasileiros ao mercado internacional também favoreceu o real.

BC projeta desaceleração da inflação em 2003

O Banco Central divulgou durante a semana a Ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), realizada na semana anterior. De acordo com o documento, a inflação medida em dezembro de 2002 mostrou uma significativa retração, ainda que permanecesse em patamar elevado.

A desaceleração inflacionária deve continuar nos próximos meses, segundo as projeções do Copom. Tais projeções apontam taxas de inflação de 1,12% em fevereiro e 0,65% em março.

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Entretanto, os números divulgados pela Fundação Getúlio Vargas contrariam as projeções otimistas do BC. De acordo com o IGP-M referente ao mês de janeiro, houve uma ligeira aceleração da inflação ao longo do mês, de forma que a taxa medida foi de 2,33% no período.

Dívida líquida tem forte aumento em 2002

Segundo os dados divulgados pelo Banco Central em sua Nota da Política Fiscal, a dívida líquida do setor público registrou uma alta de 33,33% em dezembro de 2002 com relação ao mesmo período de 2001.

O grande crescimento da dívida teve como principal responsável a forte desvalorização cambial registrada em 2002, que ocasionou um considerável aumento da dívida mobiliária indexada ao câmbio. O ajuste cambial passou a ser, dessa forma, o principal fator condicionante da dívida pública, desbancando os juros nominais que, até então, era o grande vilão.

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Mercado norte-americano opera sob forte volatilidade

O mercado norte-americano operou durante toda a semana sob forte volatilidade, em função dos últimos acontecimentos em relação à questão do Golfo Pérsico. Após a entrega do relatório dos inspetores da ONU na segunda-feira, o governo dos EUA declarou que está entrando na “fase final” de uma tentativa diplomática para resolver a questão.

O pessimismo foi intensificado pela divulgação dos resultados da economia norte-americana referentes ao último trimestre de 2002. O modesto crescimento de 0,7% ao ano registrado pelo PIB norte-americano nos últimos três meses de 2002 deixou os investidores bastante desestimulados e apreensivos, uma vez que o valor é muito pequeno quando comprado aos 4,0% de crescimento do PIB registrados no terceiro trimestre do ano.

A semana também foi marcada pela divulgação de um grande número de resultados corporativos, dentre os quais teve grande repercussão negativa o resultado anual da AOL Time Warner. A empresa registrou um prejuízo anual de US$ 98,7 bilhões em 2002, o maior de sua história. Outros resultados corporativos também endossaram o pessimismo dos investidores, de forma que as bolsas norte-americanas fecharam a semana em baixa.

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A última semana do mês foi de pessimismo também no mercado internacional de petróleo, que fechou a sexta-feira cotado a US$ 31,10 no mercado de Londres. No mês, a commodity acumula alta de 4,85%, uma vez que fechou dezembro com o barril cotado a US$ 29,66 em Londres.

Mercado brasileiro sofre grandes oscilações

O dólar foi bastante abalado pelas incertezas do mercado, mas ainda assim registrou queda em quatro dos cinco pregões. A moeda norte-americana registrou baixa de 1,35% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,5170. No acumulado da semana a divisa norte-americana sofreu forte depreciação de 2,98% em relação ao fechamento da última sexta-feira. No mês, o dólar apresenta leve queda de 0,90%.

Acompanhando a volatilidade do mercado, os juros futuros registraram fortes oscilações durante toda a semana, fechando a sexta-feira em leve alta com relação ao fechamento anterior. Ainda assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2003 registrou ligeira queda na semana, fechando com taxa de 26,30%, frente a uma taxa de 26,40% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,10% , permanecendo estável em relação ao fechamento da semana anterior.

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O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, também foi bastante influenciado pelas instabilidades do mercado, fechando em baixa em três dos cinco pregões. Na sexta-feira, o índice Ibovespa fechou em alta de 1,77%. Na semana, o índice acumula alta de 1,46%, enquanto a baixa acumulada do ano fica em 2,90%.

Primeira semana de fevereiro será agitada

A primeira semana de fevereiro será marcada pela ocorrência de vários eventos. No Brasil, serão divulgados vários resultados corporativos referentes ao quarto trimestre de 2002. São aguardados, entre outros, os resultados da Sadia, Bradesco, Embratel e VCP. O IBGE divulgará a Pesquisa Industrial Mensal referente ao mês de dezembro de 2002 e a FIPE divulgará o IPC mensal.

Nos Estados Unidos, também serão divulgados inúmeros indicadores, dentre os quais se destacam factory orders, unemployment rate, wholesale inventories, consumer credit e ISM services.