Tensão eleitoral diminuiu poupança interna e elevou moeda em poder do público

Quadro político precipitou escassez de capital externo e levou população a manter mais recursos no bolso

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SÃO PAULO – O ano de 2002 promoveu sensíveis alterações nas contas da economia brasileira, com o déficit em conta corrente e os investimentos no país caindo substancialmente. Grande parte deste movimento pode ser explicado em função das eleições presidenciais ocorridas no ano passado.

Nesse sentido, frente aos resultados das pesquisas de intenção de voto, que demonstravam elevada a possibilidade de um candidato de oposição ao então governo de FHC ser eleito, muitos investidores passaram a temer uma mudança brusca na condução da política macroeconômica.

Menores investimentos e maiores saídas

Desta forma, ao mesmo tempo em que os recursos externos sofreram drástica redução de US$ 27,8 bilhões com relação ao ano anterior, a taxa de rolagem de empréstimos do setor privado caiu de 98% para 33%, ampliando ainda mais a saída de recursos do país. Com menos divisas externas no país, o dólar registrou substancial elevação em 2002, cujo movimento também foi precipitado pelas tensões eleitorais, fechando um perigoso círculo vicioso.

Assim, segundo a Nota à imprensa sobre política monetária do Banco Central, a soma das aplicações nos bancos, depósitos à vista e papel moeda em poder do público recuou de 60,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em dezembro de 2001 para 53,6% do PIB no último mês do ano passado. Com esse resultado, o M4, conceito monetário que engloba tais agregados monetários, apresentou a primeira queda desde 1995.

Em termos nominais, o M4 avançou 7,02% entre dezembro de 2001 e do ano passado, saindo de R$ 756,181 bilhões para R$ 809,294 bilhões mas, como o aumento ficou abaixo da elevação nominal do PIB, houve queda real do M4.

População manteve mais dinheiro no bolso

Os investidores nacionais também temeram, no ano passado, que o resultado da eleição pudesse culminar em grandes mudanças na economia brasileira e, desta forma, parte da população preferiu elevar a quantidade de dinheiro mantida em caixa, seja no próprio bolso, seja na conta corrente do banco.

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Com isso, ainda segundo o mesmo relatório do BC, o conceito M1, que engloba o total de papel moeda em poder do público e depósitos à vista, registrou substancial elevação de 29,3% em termos nominais, avançando de R$ 83,707 bilhões em dezembro de 2001 para R$ 108,255 bilhões no último mês do ano passado. Em termos reais, o M1 chegou a 7,1% do PIB ao final do ano, contra 6,7% do PIB em dezembro de 2001.