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SÃO PAULO – Uma das grandes reclamações do setor privado brasileiro, principalmente dos pequenos empresários, está relacionada aos altos juros cobrados nos financiamentos bancários.
Um dos principais fatores por trás dos altos juros, sem dúvida é o risco de inadimplência destes empréstimos, o que acaba fazendo com que os bons pagadores tenham que arcar com juros elevados para compensar as perdas que as financeiras e bancos têm com os inadimplentes.
BC lança nova central de risco
Buscando sanar esta situação, o Banco Central deve lançar, no início do próximo ano, uma nova Central de Risco de Crédito, que funcionará como um cadastro positivo das empresas junto aos bancos.
O objetivo do cadastro é permitir que as empresas que pagam seus empréstimos em dia sejam beneficiadas, por exemplo, pela redução dos juros cobrados na contratação ou renovação de financiamentos. Atualmente, o cadastro da Central de Risco do Banco Central funciona como a Serasa, contendo apenas informações negativas sobre as empresas, a intenção é passar a incluir também informações positivas.
A idéia da nova Central de Risco Positivo foi acordada no final do mês de setembro em reunião com representantes do Banco Central e consultores do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Na reunião também foi recomendado que as informações sejam discriminadas de acordo com o tamanho da empresa. Com isto o Banco Central pretende garantir maior uniformidade das informações, já que os bancos usam critérios distintos para classificar as empresas por tamanho.
Mais informação sobre as pequenas
Na opinião do economista e consultor do Sebrae, Mauro Arruda, um dos fatores por trás da escassez de crédito para pequenas empresas se deve ao fato de que, ao contrário das grandes empresas, os bancos simplesmente desconhecem as pequenas empresas, o que acaba dificultando a análise de crédito e, conseqüentemente, encarecendo os empréstimos, já que na dúvida os bancos cobram margens maiores.
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A idéia de se criar uma Central com informações positivas não é nova junto ao Banco Central, que já tinha planos neste sentido. Desta forma, a maior contribuição do Sebrae, segundo Arruda, teria sido reforçar a importância de se segmentar as empresas, como forma de se aumentar o volume de informações e, conseqüentemente, o entendimento sobre as pequenas e médias empresas.
Com a introdução da nova Central, os bancos serão obrigados a informar o Banco Central sobre quaisquer empréstimos acima de R$ 5 mil que concedam para uma determinada empresa, mesmo que a concessão seja feita através de várias linhas independentes. Por sua vez, no caso de valores abaixo de R$ 5 mil, as informações serão fornecidas de forma consolidada.
Sobre os financiamentos de valores superiores a R$ 5 milhões, serão exigidas informações ainda mais detalhadas, sendo que, em uma segunda etapa, esses mesmos detalhes serão exigidos de todas as operações acima de R$ 5 mil.