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SÃO PAULO – Devido principalmente às incertezas associadas ao período eleitoral, além do cenário externo desfavorável, o dólar e o ouro registraram forte alta neste ano e foram os melhores investimentos em 2002.
Por sua vez, o aumento do perfil de risco e da inflação acabou prejudicando os investimentos em ações e renda fixa, que acabaram, em sua grande maioria, rendendo mesmo do que a inflação.
Cenário eleitoral e temor de guerra
No âmbito interno, o dólar foi impulsionado durante grande parte do ano devido ao temor dos investidores frente à possibilidade de descontinuidade política, caso fosse eleito um candidato de oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Com isso, a procura por dólares se intensificou, enquanto a oferta registrava forte queda, visto que as linhas de crédito internacionais ao país diminuíam face ao temor eleitoral, criando um perigoso círculo vicioso.
Desta forma, nos piores momentos, o dólar chegou a ultrapassar a cotação de R$ 4, mas após o comprometimento do governo do PT com políticas que visem a austeridade fiscal, além do combate à inflação e ao crescimento sustentável, a moeda norte-americana cedeu um pouco em dezembro, mas ainda fechou o ano em forte alta.
Na mesma direção, o ouro também teve a procura bastante elevada, influenciado também pela adversidade no cenário externo. Nesse sentido, o temor de guerra entre os EUA e o Iraque fez com que muitos investidores corressem em busca do metal, impulsionando a cotação do ouro.
Finalmente, o mercado acionário foi um dos mais prejudicados, com o Ibovespa, assim como as bolsas norte-americanas e européias, encerrando o terceiro ano consecutivo registrando quedas.
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Inflação corrói bons rendimentos dos fundos e CDBs
Como a depreciação cambial dos últimos meses começou a ser repassada para o consumidor, a inflação subiu e começou a preocupar os brasileiros neste final de ano.
Nesse sentido, o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), um dos índices mais afetados pela variação cambial, registrou forte alta de 3,75% em dezembro, acumulando 25,31% no ano, anulando assim em termo reais o bom desempenho das principais aplicações no mês.
Quem aplicou em fundos DI em outubro, apesar da perda de dinheiro em termos reais, não pode se queixar. Tais aplicações renderam em média 1,71%, sendo beneficiadas pelo aumento da taxa Selic, de 22% para 25% ao ano na reunião mensal do Copom (Comitê de Política Monetária). Isso porque tais fundos aplicam seu patrimônio principalmente em títulos públicos pós-fixados, ou seja, que procuram acompanhar o movimento da taxa de juros básica da economia.
Já as aplicações em CDB que remuneraram seus investidores em média à taxa de 1,32% no mês, acumulando variação positiva de 14,95% no ano. Finalmente, a poupança, tradicional investimento do brasileiro, registrou fraco desempenho em 2002, ficando não somente abaixo da inflação calculada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), como também da levantada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o que não ocorria desde 1995.
| Investimento | Dezembro | Em 2002 |
| Ouro | 5,42% | 80,93% |
| Dólar comercial (Ptax) | -2,84% | 52,27% |
| Dólar Paralelo | -0,44% | 39,00% |
| Fundos DI * | 1,71% | 19,08% | CDB ** | 1,32% | 14,95% |
| Poupança | 0,86% | 9,14% | Ibovespa | 7,23% | -17,01% |
| IGP-M | 3,75 | 25,31 |
* Taxa Efetiva Andima
** Taxa pré 30 dias