MEC divulga Censo do Ensino Superior 2001

Número de universitários matriculados em faculdades particulares foi três vezes maior do que nas instituições públicas; qualidade do ensino gera críticas

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SÃO PAULO – O Ministério da Educação e Cultura (MEC) divulgou nesta quarta-feira, dia 20, o resultado no censo em que revela que o número de estudantes universitários matriculados em instituições de ensino particulares foi três vezes maior do que as matrículas em instituições públicas. Os dados do censo refletem as matrículas efetivadas em 2001.

Faculdades particulares cresceram 15,7%

O número total de estudantes universitários em todo o país é de três milhões. Em 1995, este número era bem menor, de 1,7 milhão. O levantamento do MEC revelou que além da maioria dos universitários estudar em faculdades privadas, cerca de dois milhões, 57% deste total freqüenta os cursos noturnos, o que demonstra que boa parte dos estudantes está empregada ou em busca de trabalho.

O grande número de estudantes matriculados em faculdades particulares reflete o crescimento das instituições privadas em relação às universidades federais. O censo aponta um crescimento de 4,2% no setor público, e de 15,7% no privado. Embora ainda haja um atraso no crescimento das instituições públicas em relação às particulares, no ano passado o houve recorde no total de alunos nas instituições públicas, cerca de 6,6%.

Segundo o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, responsável pela apresentação do Censo do Ensino Superior 2001, apesar de ser claro o avanço na área privada em relação ao setor público, este não apresenta estagnação nos últimos anos, como aconteceu na década de 80. Souza lembrou que quando assumiu o ministério, em 1995, o setor privado atendia a algo em torno de 60% do número total de estudantes. Com o crescimento do setor privado, este número saltou para 69%.

Quantidade vs qualidade

Se por um lado o crescimento das universidades é visto com bons olhos pelo MEC, o mesmo não se pode dizer quando a questão é qualidade de ensino. Na opinião da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo, o nível de conhecimentos de muitos bacharéis é insatisfatório, o que atribui à “fábrica de diplomas” na qual muitas universidades se tornaram.

A crítica é comprovada pelo baixo desempenho de algumas instituições no Exame Nacional de Cursos, o Provão, teste criado pelo MEC para avaliar o nível da qualidade de ensino nas instituições. O problema é que as faculdades reprovadas no exame não deixaram de funcionar, o que significa que não há garantia alguma com relação à melhoria no sistema de ensino.
Souza usou como argumento o fato de que no geral os resultados das avaliações do Provão têm melhorado, contudo, se o mau desempenho acabar centralizado em algumas instituições e cursos, certamente muitos destes estudantes sairão da faculdade com uma fraca formação e reduzidas oportunidades no mercado de trabalho.