Repasse do dólar ao consumidor deve ceder em 2 meses, diz FGV

Fundação capta desaceleração de preços na segunda prévia do IGP-M para novembro, mas repasse da alta do dólar segue elevado

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SÃO PAULO – A segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) novamente registrou elevada inflação, pressionada pelo repasse da alta do dólar ao consumidor. Nesse sentido, a alta média dos preços atingiu 3,86%, bastante acima dos 2,31% registrados nos primeiros dez dias do mês.

Além disso, o resultado ficou bastante acima das expectativas, visto que as projeções contidas no relatório Focus do Banco Central, que compila a opinião de cem analistas de mercado, apostavam em variação positiva de 3,50% no mês. Com isso, no acumulado dos últimos doze meses até esta segunda prévia, o índice registra elevada variação positiva de 19,52%, enquanto somente em 2002 a alta dos preços atinge 19,26%.

Desaceleração de preços

No entanto, a inflação começa a dar sinais de desaceleração, visto que os dados revelam que os preços das matérias primas estão perdendo o fôlego, passado o período de forte alta do dólar. Nesse sentido, o preço do trigo caiu 8,02% no período compreendido entre 21 de outubro a 10 de novembro, quando se deu a medição da segunda prévia do IGP-M.

Já a alta do preço da soja desacelerou de 14,6% na segunda prévia de outubro para 7,14% no segundo decêndio de novembro. Na mesma direção, o preço do cacau, que registrou alta de 25,87% em outubro, contabilizou variação positiva de apenas 1,92% em novembro.

Repasse deve cessar em 2 meses

Segundo Salomão Quadros, coordenador do centro de estudos macroeconômicos da FGV, em até dois meses o repasse da alta do dólar ao bolso do consumidor deve chegar ao final. Porém, até lá, Quadros acredita que a tendência é de aumento nos preços do varejo.
Nesse sentido, os alimentos seguem encarecendo, visto que registraram alta de 4,16% na segunda prévia de outubro e de 10,28% no segundo decêndio de novembro.
No entanto, o IPA (Índice de Preços ao Atacado), índice que compõe o IGP-M, havia subido mais de 6% durante todo o mês de outubro e, na segunda prévia de novembro, registrou alta de 4,97%. Porém, agora é a vez do varejo de apresentar o repasse da alta do dólar, visto que o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) triplicou de 0,66% em outubro para 2,07% em novembro. Mas, de qualquer forma, passado o repasse ao IPC, a expectativa é de que o IGP-M deva apresentar variações menores nos próximos meses.

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