Programa de recompra de títulos externos pelo BC valoriza papéis

BC dificulta investidores armarem posições vendidas com títulos brasileiros; programa já envolveu mais de US$ 2,3 bilhões

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SÃO PAULO – Com as instabilidades no mercado acionário internacional, marcado pelo fraco desempenho das bolsas externas e as perspectivas de que a economia dos EUA não se recupere tão rápido como se previa anteriormente, os investidores estrangeiros têm se mostrado mais céticos e receosos em investir em títulos da dívida pública de países emergentes.

Títulos brasileiros são mais afetados

No caso específico do Brasil, o temor do mercado se intensificou devido às incertezas relativas ao quadro sucessório presidencial, evidenciado pelo fraco desempenho de José Serra (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto. Isso porque muita gente no mercado acredita que a continuidade da atual gestão macroeconômica brasileira seja possível somente se Serra for eleito e, assim, teme possíveis medidas que um candidato de oposição, caso eleito, venha a adotar.

Com isso, os títulos da dívida externa vinham sendo bastante depreciados em função do forte movimento de venda dos investidores frente tais instabilidades. Tentando reverter a situação, o Banco Central anunciou um programa de recompra dos papéis brasileiros, que vem obtendo resultado positivo.

Nesse sentido, o preço do Global 04 disparou 32,86% em agosto, subindo de 70% para 94% do seu valor de face, enquanto o EI registrou valorização de 19,77% no mesmo período, justamente os papéis que o BC tem concentrado as operações de recompra, que já movimentaram mais de US$ 2,3 bilhões. Além desses, a autoridade monetária também tem intensificado a recompra do C-Bond, título com vencimento em 2014, de maior liqüidez.

BC dificulta armação de posições vendidas

Mas os títulos subiram não somente devido ao programa de recompra em si, mas também pelos efeitos que o mesmo causou no mercado. Nesse sentido, o BC atua de forma a dificultar propositalmente a situação dos investidores vendidos nos papéis que não possuem os títulos na carteira, provocando assim o que é chamado de short squeeze no mercado.

Nessa operação, o investidor, para ficar vendido, aluga o papel de um terceiro que possui os títulos e os entrega à sua contraparte na operação. Porém, o investidor vendido é obrigado a pagar um aluguel àquele que possuía os títulos e forneceu os papéis.

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Mas, ao montar a operação, o investidor vendido aposta que a queda dos títulos seja superior ao valor que precisará remeter ao proprietário dos papéis, resultado assim uma operação lucrativa ao vendido.

Porém, ao retirar os papéis do mercado, o Banco Central acaba provocando aumento nos preços, o que resulta perdas aos investidores vendidos. Além disso, quem tem o papel começa a cobrar caro pelo aluguel, pois o Banco Central não irá alugar os papéis que comprou, de forma a penalizar os investidores que especulam contra.

Finalmente, os investidores vendidos cujos contratos de aluguel estão se encerrando, são obrigados a comprar os títulos brasileiros a qualquer preço para devolvê-los aos proprietários, elevando assim a cotação dos ativos.