O poder de fogo continua: por que a CCR é compra na Bolsa mesmo com o balanço decepcionante?

Os analistas de mercado seguem otimistas com os papéis da companhia, destacando as oportunidades de crescimento e o cenário benéfico com a queda dos juros

Lara Rizério

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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SÃO PAULO – O resultado não animou, as ações caem forte nesta terça-feira, chegando a mínima de R$ 17,21, ou queda de 4,4%, Quem olha para a CCR (CCRO3) nesta sessão acredita que essa não é uma boa opção na Bovespa. 

Porém, não é isso que os analistas acham da maior operadora de rodovias de pedágio do Brasil.  Apesar do resultado do quarto trimestre  considerado entre abaixo ou em linha com as estimativas de casas de análise, a maior parte delas segue com recomendação de compra para as ações.  

A companhia registrou uma queda de 31% no lucro líquido, para R$ 169,5 milhões no quarto trimestre, em meio ao recuo do tráfego. Já a receita líquida, de R$ 1,69 bilhão, ficou praticamente estável na comparação com os últimos três meses de 2015. Conforme destacou o Bradesco BBI em relatório, a queda do tráfego consolidada, de 7% na mesma base de comparação ocorreu em meio à queda da safra do milho.

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Contudo, para frente, os analistas do banco Victor Muzaki, Leandro Fontanesi e Amanda Canadas apontam um cenário de recuperação em 2017 e destacam um motivo em especial para tanto: a super safra. Eles ainda  apontam que os R$ 4 bilhões levantados em fevereiro através de oferta de ações poderiam gerar pelo
menos R$ 2 por ação com a expansão da carteira em retornos acumulados.

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O Itaú BBA, por sua vez, atualizou o modelo para a companhia de forma a incorporar a oferta de ações, além de destacar as futuras oportunidades de investimento da companhia, que agora são possíveis dado o balanço considerado “mais confortável”. Os analistas Renata Faber, Thais Cascello e Renato Salomone destacam as oportunidades em projetos de mobilidade urbana assim como de fusões e aquisições no Brasil. 

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Além das oportunidades de crescimento, tanto o Itaú BBA quanto o BTG Pactual apontam para fatores que podem determinar o maior dinamismo de balanços da CCR daqui para frente: a redução da taxa básica de juros, a Selic. O PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre divulgado nesta terça, que registrou contração de 0,9% na comparação trimestral e baixa de 3,6% no ano, deu ainda mais forças para a tese de aceleração do ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Conforme ressalta o BTG Pactual, a CCRO3 é uma das ações mais sensíveis a taxas no universo de cobertura do banco. A relação entre a queda de juros e as concessionárias é porque este setor possui fluxos de caixa previsíveis por trabalharem com grandes projetos de longo prazo com valuations próprios.

Cada projeto tem uma TIR (Taxa Interna de Retorno) estabelecida e a atratividade dos papéis dessas companhias é majoritariamente determinado pela diferença entre a Selic, que é a nossa taxa livre de risco, e essa TIR, que embute o risco do empreendimento. A lógica é que quanto menor a taxa de juros, maior a atratividade das concessionárias, uma vez que a diferença para os ganhos com investimentos no setor é menor e, para o investidor, fica mais atrativo correr o risco do investimento (veja mais ações impactadas pela queda da Selic clicando aqui). Além disso, há um impacto positivo com menores despesas financeiras. 

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Além da queda da Selic, os próximos balanços devem vir mais positivos, justamente pelo impacto dos novos projetos e recuperação de tráfego. O Safra ainda mostra maior assertividade, destacando otimismo devido ao forte poder de fogo da CCR para explorar novas oportunidades de investimento em leilões governamentais, emendas de contratos e aquisições no mercado secundário. 

Vale destacar que o anúncio do pacote de 55 concessões que passarão a integrar a carteira do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) nesta terça-feira. Aliás, o pacote deve trazer uma novidade, como informou o jornal O Estado de S. Paulo.  Uma das principais é a solução encontrada para se superar um impasse que se arrasta há pelo menos dois anos: a autorização para novos investimentos em rodovias já concedidas (veja mais sobre o assunto clicando aqui). 

Por outro lado, há algumas preocupações no radar. O BTG, por exemplo, levantou preocupações com os riscos de alocação de caixa, especialmente após o recente aumento de capital da CCR. Já o UBS demonstrou cautela após a divulgação do balanço: apesar de gostar das perspectivas de crescimento da companhia, o banco suíço vê o poder de fogo para lances em novos projetos nos próximos anos precificado em 70%. ” A TIR implícita da CCR está atualmente em 8,3% (valor
nominal), 2,0 pontos percentuais abaixo da taxa de 10 anos do Brasil (acima da média histórica de 1 pp)”, aponta o UBS.

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O UBS é o mais conservador dentro do universo das recomendações, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17,00. Por outro lado, o BTG, o Itaú BBA, o Bradesco BBI  têm recomendação de compra ou outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos da companhia, com preço-alvo respectivos de R$ 21,00, R$ 19,00 e R$ 21,00, com o Bradesco BBI tendo elevado o preço-alvo de R$ 19,00 para R$ 21,00.

A ação da CCR também está na carteira InfoMoney de março, que trouxe também outras alterações. Você pode ver o evento da transmissão da carteira e as mudanças clicando aqui. 

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.