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SÃO PAULO – O ano de 2016 foi para ser esquecido para uma das ações mais queridas da Bovespa. No ano passado, as ações da Embraer (EMBR3) caíram cerca de 47% em meio à forte queda do dólar, sendo a “lanterna” do Ibovespa, com investigações nos EUA sobre irregularidades na venda de aeronaves fora do Brasil e com balanços e guidances decepcionantes, que mostravam desaceleração da companhia.
Porém, se 2016 foi ruim para a Embraer, não se pode dizer o mesmo de 2017. Os primeiros meses foram bons para a companhia, com as ações EMBR3 subindo 18,50% no acumulado do ano, ante uma alta de 8,64% do Ibovespa.
O cenário mais positivo para a companhia foi corroborado na última semana: apesar das dificuldades em 2016, os últimos três meses do ano foram positivos para a construtora de aviões, conforme reportado na última quinta-feira (9) pela empresa ao revelar o balanço do quarto trimestre.
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A empresa reportou receita líquida de R$ 6,7 bilhões nos últimos três meses de 2016, cerca de 14% acima do consenso. O Ebit (lucro antes de juros e impostos) ajustado pelos itens não-recorrentes (PDV, pedido de concordata da Republic Airways e encerramento das investigações) atingiu R$ 817 milhões, superando as expectativas de mercado em mais de 30%. Já a margem Ebitd (Ebitd em relação à receita líquida) ficou em 12,2%, dentro do intervalo guiado pela companhia. “Por fim, o lucro líquido foi a maior surpresa do trimestre, atingindo R$ 694 milhões em comparação a cerca de R$ 410 esperados pelo consenso”, ressalta a XP Investimentos.
Outros fatores que mostraram otimismo com a companhia foram as vendas melhores do que o esperado, de US$ 2,03 bilhões, ante US$ 1,84 bilhão esperados pelo Deutsche Bank. Os analistas do banco alemão, por sinal, mostram grande otimismo com a companhia, destacando que as margens ganharam força no quarto trimestre e que 2017 começa a transição da companhia para o futuro. Os analistas mantêm recomendação de compra para os ADRs (American Depositary Receipts) da companhia, com preço-alvo de US$ 30,00.
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O Citi, por sua vez, destacou o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 348 milhões versus as estimativas de US$ 254 milhões do banco, US$ 260 milhões do consenso e 113% superior na comparação anual. O analista Stephen Trent destaca que a performance positiva na linha de despesas com vendas, gerais e administrativas parecem mostrar os benefícios dos esforços de corte de custos. “Adicionalmente, a receita na linha de defesa superou nossas
expectativas. O fluxo de caixa livre do quarto trimestre de 2016 somou US$285
milhões, versus nossa estimativa de US$ 107 milhões”, afirmou ele.
Guidance positivo
Os analistas de mercado também viram de forma positiva as perspectivas para o próximo ano. Em 2016, a margem Ebit da Embraer alcançou 8%, que se compara com o guidance que variava de 7% a 8%. Para 2017, a Embraer vê uma receita variando de US$ 5,7 bilhões a US$ 6,1 bilhões, margem Ebit de 8% a 9% e margem Ebitda de 13,5% a 14,5%. “Isto se compara com nossas estimativas de US$ 5,9 bilhão, 7,8% e 13,8%, respectivamente”, afirma o Citi. Outra casa de análise que manteve visão positiva para a companhia foi o Itaú BBA, com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 20,00 por ação EMBR3. “Quando elevamos a ação em 20 de dezembro de 2016, além do valuation atrativo, nós avaliamos que os fortes resultados do quarto trimestre seriam um catalisador para a ação. Com um resultado e perspectiva ainda melhores, nós devemos revisar nossas estimativas e preço-alvo para a ERJ”, apontam os analistas de mercado. O BTG Pactual também possui recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo para os ADRs sendo elevados de US$ 27,00 para US$ 29,00, levando em conta ainda o Investor Day da empresa, que trouxe uma mensagem bastante positiva. “Nós vemos dois principais highlights: i) o foco renovado em eficiência de custos; ii) uma visão bullish em receitas, principalmente com os modelos E2 e KC-390. No segmento comercial, a Embraer reiterou a transição para E2 está acontecendo de forma suave, enquanto apontam um cenário mais desafiador no segmento executivo, com um alto nível de estoques. Os analistas também apontaram que a empresa está mais otimista sobre a oportunidade de substituir o mercado americano. Cabe lembrar que, durante teleconferência com analistas, o presidente-executivo da Embraer afirmou que é desafiador para companhias aéreas mudarem “cláusulas de escopo” em contratos de pilotos como as que agora impedem a próxima geração do E175 de ingressar no mercado norte-americano de aviação regional por causa de seu peso. Entretanto, Silva comentou que a Embraer está vendo competitividade em mercados fora dos EUA conforme progride no desenvolvimento da nova geração do E175. Por fim, na sequência de um programa de redução de custos bem sucedido, o CEO da companhia destacou ainda que o programa não termina aqui e que novas iniciativas são tomadas do lado de custos. Em 2017, os analistas do BTG esperam uma margem Ebit de dois dígitos na aviação comercial e uma margem Ebit no setor executivo e de defesa. Com isso, após o 2016 bastante desafiador, as perspectivas para a Embraer são positivas e mostram: depois de um baque no ano passado, os ventos estão mais positivos para a companhia. Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!