Publicidade
SÃO PAULO – No “Insight do Dia” da última segunda-feira, nós destacamos que um call óbvio em meio à queda da Selic que já não era mais um call tão óbvio assim, de acordo com a análise do Credit Suisse, apontando que os papéis do setor já precificaram boa parte da baixa dos juros. Contudo, isso não quer dizer que todas as casas de análise concordem com isso. E isso ficou bem patente em relatório do BTG Pactual publicado nesta quarta-feira (29).
Se os analistas do Credit destacaram que as ações do setor já subiram demais e é hora de embolsar os lucros para alguns papéis (na ocasião, rebaixou BR Malls [BRML3] e a Iguatemi [IGTA3] é a única recomendação outperform dentro do setor), o BTG ressalta: “embolsar lucros e correr? Nós continuaremos no jogo!”
“Estamos otimistas no geral com os shopping centers brasileiros, refletindo uma avaliação atraente (spread de aproximadamente 200 pontos-base sobre as taxas de juros) e operações sólidas das empresas, que poderiam se recuperar rapidamente uma vez que o contexto macroeconômico aponte para a recuperação”, destaca o analista do BTG Gustavo Cambauva, que subiu os preços-alvos para todas as ações que eles cobrem no setor.
Continua depois da publicidade
Receba os “Insights do Dia” direto no seu e-mail! Clique aqui e inscreva-se.
O BTG vai além, destacando que qualquer investidor diversificado deve ter uma empresa de shopping centers na carteira, dada a perspectiva positiva para o setor.
De acordo com as estimativas dos analistas do BTG (que eles acreditam ser conservadoras, com a vacância estável e um crescimento perto de zero para os aluguéis), as ações de shopping oferecem uma retorno sobre a TIR ( Taxa Interna de Retorno) real bastante atrativo, uma vez que o Banco Central continuará com o seu ciclo de corte de juros (a taxa de juros de longo prazo está agora em 5,2% e a nossa equipe macroeconômica espera uma Selic de 9% ao final do ano).
Continua depois da publicidade
“Com o cenário externo envolto em incertezas e expectativas de uma reaceleração doméstica, esperamos que os operadores de shopping centers se beneficiem de: (i) menor taxas de juros (= menor custo da dívida!); ii) maior confiança do consumidor (= exposição direta para vendas no varejo); e (iii) consolidação do setor (= intensa atividade de fusões e aquisições!). Com balanços mais saudáveis e um negócio sólido, acreditamos que os cases de investimento continuam atraentes em meio a um cenário macro ainda fraco”, diz o BTG.
Quais ações são destaque no setor?
Por outro lado, se a expectativa para o setor é diferente entre os dois grandes bancos, por outro os analistas possuem visão positiva para uma ação do setor: a Iguatemi. Enquanto o Credit mantém as ações IGTA3 como a única recomendação de compra, como já destaca acima, o BTG elevou a recomendação dos papéis de neutra para compra. Os analistas do BTG apontam que há espaço para que os ativos mais recentes da Iguatemi gerem crescimento. “Assim, esperamos que Iguatemi entregue um crescimento sólido para frente”. De acordo com Cambauva, o guidance da Iguatemi para este ano, no qual consta crescimento da primeira linha do balanço de 2% a 7% na comparação anual e margem Ebitda entre 73 e 77%, também parece muito acessível, mesmo ignorando qualquer potencial revenda de espaços comerciais. Em 2016, a companhia atingiu suas projeções com cortes fortes de gastos gerais e administrativos e com alguma revenda de espaços comerciais. “Assim, vemos espaço para uma surpresa positiva este ano também”, diz o BTG Pactual. Entre as divergências, a preferência do BTG é por Multiplan (MULT3) com preço-alvo de R$ 76,00, em razão de múltiplos, dos ativos premium e da maior munição para fusões e aquisições. Por outro lado, o Credit possui recomendação neutra para os ativos MULT3, com preço-alvo de R$ 69,00 por ação, incorporando o recente aumento de capital, aquisições e resultados do quarto trimestre de 2016. Desta forma, os analistas mostram divergências sobre se vale a pena ou não investir no setor. Porém, mesmo em meio a essas dúvidas, há algumas preferências que vale ficar de olho, com destaque para a Iguatemi, que é uma das preferidas de ambos os bancos. Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!