Publicidade
SÃO PAULO – Não é a primeira vez que o Insight do Dia fala sobre a ação da CCR (CCRO3) – que está na carteira InfoMoney, com participação de 11,5% (para conferir o portfólio completo, clique aqui). Em março deste ano, logo após a divulgação do “decepcionante” resultado do quarto trimestre, foi destacado o porque a companhia continuava com poder de fogo na Bolsa e os motivos para ficar de olho na ação, levando em conta tanto a atuação da empresa quanto a expectativa pela retomada econômica, após dois anos bastante difíceis na atividade.
O papel da companhia está também no portfólio de investimentos da gestora Rio Bravo, fundada pelo ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, cujo controle foi vendido para o Grupo chinês Fosun em meados do ano passado. Eles apontam que a CCR atua em diferentes concessões no setor de infraestrutura: rodovias, aeroportos e mobilidade urbana e o portfólio de ativos se destaca pela alta qualidade e forte geração de caixa. “Muitos de nós em algum momento já pudemos notar a alta qualidade e forte fluxo de veículos da Rodovia dos Bandeirantes, eleita melhor rodovia do país e uma joia entre os ativos que compõe o portfólio da companhia”, avaliam os gestores.
Há seis meses no portfólio do fundo Rio Bravo Fundamental, os gestores ressaltam que, entre os três segmentos que atua, as rodovias se sobressaem, correspondendo por mais de 90% do Ebitda (Lucro Antes de Juros, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização). São dez os ativos que compõem esse segmento dentro da CCR, com destaque para a NovaDutra (Rodovia Presidente Dutra), ViaOeste (Rodovia Castello Branco e Rodovia Raposo Tavares), além da AutoBan (Sistema Anhanguera-Bandeirantes).
Continua depois da publicidade
Em meio a essa exposição, os últimos dois anos não foram muito fáceis. Isso porque, apontam os gestores, assim como o PIB, o tráfego de veículos sofreu bastante. Eles citam o exemplo do estado de São Paulo, aonde a CCR está mais exposta e em que o tráfego de veículos passar de um crescimento de mais de 6% em 2012 para uma queda que chegou a quase 3% no ano passado.
Receba os “Insights do Dia” direto no seu e-mail! Clique aqui e inscreva-se.
“Fica simples entender o impacto dessa queda para uma rodovia se pensarmos em qual o custo gerado por mais um único carro circulando: praticamente zero. Com uma natureza de custos majoritariamente fixos, a queda do tráfego de veículos se traduziria diretamente em uma perda de margens e queda na geração de caixa”, avaliam. Assim, para combater a tendência negativa, a CCR fez um forte esforço de redução de custos e conseguiu segurar suas margens. Por outro lado, essa natureza de custos fixos é muito positiva em cenários de crescimento de PIB e tráfego. “A retomada da economia, portanto, deve impulsionar significativamente os resultados da companhia”, destaca a Rio Bravo.
Continua depois da publicidade
Os quatro pontos a monitorar
Neste cenário, os gestores da Rio Bravo apontaram quatro pontos de otimismo, sendo o primeiro já destacado acima ( i- a retomada do tráfego). Os outros vetores são: (ii) maturação de novos projetos, (iii) alocação de capital com criação de valor e (iv) queda da despesa financeira pela menor taxa de juros e spreads menores. Com relação ao segundo ponto, os gestores ressaltam que, ao longo dos últimos anos, a empresa empregou capital em quatro novos projetos: VLT –RJ, Transolímpica – RJ, MSVia – MS (trecho da BR-163) e Metrô Bahia (Salvador). “Apesar de incorrer em todos os custos e investimentos, esses projetos não estão maturados e/ou ainda não foram inaugurados por completo”. Somados, eles tiraram mais de R$ 60 milhões do Ebitda da CCR em 2015 e, quando maturados, a avaliação ´q de que eles podem acrescentar até R$ 600 milhões ao Ebitda da companhia. Os bons ventos para a CCR também vêm de um ambiente regulatório mais racional e pró mercado iniciado com o governo que assumiu no ano passado. “Já temos visto retornos mais condizentes com a realidade nos projetos recém licitados, além de regras mais claras e razoáveis. A retomada econômica, somada a esse ambiente regulatório benigno, tem gerado um aquecimento nas atividades de infraestrutura não só no mercado primário (novas licitações dos diferentes governos), mas também no secundário (fusões e aquisições)”, ressaltam os gestores, apontando que, para aproveitar essas oportunidades, a CCR realizou recentemente um aumento de capital bem sucedido levantando A quarta questão trata sobre a queda da despesa financeira, Os projetos de infraestrutura têm por natureza certa alavancagem, o que permite retornos melhores sobre o capital empregado. Os gestores apontam que isso não é diferente para a CCR, que possuia cerca de R$ 13 bilhões de dívida líquida antes do aumento de capital. “Ao longo dos últimos anos, vimos não só a taxa de juros no Brasil subir como também os spreads abrirem bastante. Esses dois fenômenos aumentaram muito o custo da dívida e puniram empresas com certa alavancagem, como a CCR”, ressaltam os gestores. Com a redução da taxa de juros, que já teve início e pode chegar a mais de 500 pontos-base no ciclo completo, o alívio reduz a despesa financeira da CCR e aumenta o lucro – fenômeno que pode ser intensificado se os spreads também fecharem, ressalta a gestora. “Tudo isso aplicado sobre uma empresa com ativos premium, bom histórico de alocação de capital e forte disciplina financeira nos fazem crer que colheremos bons frutos deste investimento”, conclui a Rio Bravo. Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!
cerca de R$ 4 bilhões.