Bolsa pode beirar os 75 mil com reforma da Previdência aprovada, diz JP – mas outro fator pode levá-la aos 85 mil

Expectativa do banco americano é de que reforma da Previdência passe com diluição da proposta em 45%, o que ainda seria positivo para o índice; contudo, analistas estão de olho em 2018 para prever uma alta ainda maior do índice

Lara Rizério

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SÃO PAULO – A reforma da Previdência é o grande catalisador no curto prazo para a bolsa brasileira, com os investidores acompanhando de perto o que está sendo mudado na reforma, quais são as chances de aprovação e os efeitos sobre a bolsa brasileira. Neste cenário, o banco americano JPMorgan fez a simulação de diversos cenários e o seu impacto sobre o mercado.

“Nós acreditamos que o resultado para o mercado é binário. Uma aprovação no nosso cenário-base deve levar o Ibovespa para 74.800 pontos, enquanto uma não-aprovação deve levar a uma correção para os 59 mil pontos, com um significativo risco de baixa. Já o nosso cenário mais otimista (bull case) de 85 mil pontos levaria a uma maior visibilidade sobre 2018”, apontam os estrategistas do banco.

Seguem abaixo os três cenários para a reforma:

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1. Cenário base (Ibovespa a 74.800 pontos – upside de 14,5%): o cenário base do JPMorgan é de que a reforma da Previdência sofrerá uma diluição de 45% e será votada na Câmara dos Deputados em junho e no Senado em setembro. Este cenário representa uma mudança frente as estimativas do banco americano em março, quando se esperava uma diluição de 30% na proposta e votação na Câmara em meados de maio.  

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“Embora a aprovação final seja positiva para os mercados, estes atrasos nas votações indicam  que o governo não tem os votos necessários para aprovar a PEC e por isso vai demorar mais tempo para que ela seja tramitada”, apontam os estrategistas, destacando as últimas notícias de que a votação na comissão especial ocorrerá na próxima quarta (3) e a votação na Câmara no final de maio. Mesmo assim, os analistas apontam que a aprovação da reforma será um evento positivo para o mercado, mesmo se ocorrer mais diluição.

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2. Cenário pessimista (Ibovespa a 59 mil pontos, queda de 9,5%): este cenário levaria o Ibovespa a 59 mil pontos e é o de rejeição da reforma da Previdência. Os estrategistas apontam que têm ouvido repetidamente que o governo não vai colocar a reforma para votação no plenário se não tiver o número de votos suficiente e existe a possibilidade de se levar semanas para reunir os votos que faltam.

Contudo, o tempo é essencial para a aprovação. Isso porque, se a reforma não for votada na Câmara antes do recesso de meados de julho, pode não haver tempo suficiente para que ela seja finalizada, ainda mais levando em conta que 2018 é um ano eleitoral e as chances de uma proposta tão impopular ser votada é pequena.

Além disso, destaque para a pressão popular. Por um lado, os estrategistas apontam que a greve geral da sexta-feira teve uma adesão pequena e não deve ter afetado a intenção de voto dos congressistas. Por outro lado, o Datafolha do último final de semana apontou que 71% da população são contra a reforma.

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3. Cenário otimista (Ibovespa a 84.500 pontos, upside de 29%): o cenário otimista, que levaria o Ibovespa a 84.500 pontos, é mais de médio e longo prazo e dependerá da visibilidade sobre a eleição de 2018. Segundo os estrategistas, enquanto a reforma previdenciária é temática, o que impulsionará o mercado a médio e longo prazos é se a mentalidade fiscal responsável permanecerá em vigor para além de 2018. Hoje, por enquanto, o cenário é de completa falta de visibilidade sobre essa corrida. “Se ficar mais evidente ao longo do tempo que o cenário mais populista não estará entre as opções ‘nas cédulas’, então o mercado poderia rapidamente para o cenário bullish”.  

Quantos votos faltam para a Previdência?

Segundo o JPMorgan, os votos para aprovar a reforma da Previdência ainda estão faltando, mas não muitos. Olhando para as últimas votações importantes recentemente realizadas na Câmara, observa-se que o número médio de votos a favor do governo pairava em torno de 271.

Usando isso como um proxy, haveria 37 votos necessários para atingir o mínimo necessário para aprovação. Considerando que o governo precisaria de uma margem de segurança, deveria-se considerar a ausência que cerca de 50 votos estariam faltando. Por outro lado, “um fator atenuante é que o quórum médio nos nas últimas votações foi de 435 deputados, que é 78 a menos do que o total. Assumimos que no dia da votação da reforma, o quórum será muito maior, até um pouco maior que o quórum de 473 deputados da reforma trabalhista. Levando tudo em conta, talvez o número de votos que faltem para aprovar a reforma da previdência social paira entre 30 e 40”, afirmam os estrategistas.  

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.