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SÃO PAULO – Nós já destacamos outras vezes no blog os desafios que a Ambev (ABEV3) enfrenta atualmente no seu mercado de atuação (veja mais clicando aqui). Após um 2016 crítico, com quedas expressivas do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e da receita, a expectativa ficava para se haveria ou não sinais de recuperação da companhia no próximo ano (veja mais clicando aqui). Assim, a grande prova iria ocorrer neste dia 4 de maio, com a divulgação dos números do primeiro trimestre.
O balanço foi publicado e, à primeira vista, mostrou um cenário ainda bastante difícil para a companhia. A empresa anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 2,316 bilhões, queda de 20,1% na comparação anual, conforme o crescimento de custos ofuscou volumes maiores de vendas. O Ebitda também não agradou, vindo abaixo do esperado por analistas ao cair 17,3% na base anual, totalizando R$ 4,356 bilhões.
O BTG Pactual destacou ainda que a margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) colapsou para 38,7% (queda de 680 pontos-base na comparação anual) com preços mais baixos (foram muitos promocionais no tri) e custo unitário que saltou 23%. Além disso, desconsiderando depreciação e amortização, as despesas gerais e administrativas da empresa no país cresceram 1,5 %, para R$ 1,82 bilhão.
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Passando o olho por esses números, seria natural pensar que as ações da companhia teriam uma forte queda na bolsa. Mas não foi isso o que aconteceu. Em um dia negativo para o mercado, as ações são um dos poucos destaques de alta do Ibovespa, chegando a subir 3,56% na máxima do dia e fechando em alta de 2,53%, a R$ 19,03, sendo a primeira vez que a ação vale acima de R$ 19 desde outubro do ano passado. Com a alta, o valor de mercado da companhia subiu cerca de R$ 7,4 bilhões, passando de R$ 291,7 bilhões para R$ 299,1 bilhões somente nesta sessão.
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O que explica boa parte desse desempenho – aparentemente contraditório – são alguns sinais de que a companhia está conseguindo se recuperar em um dos pontos mais importantes para ela: a participação de mercado.
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A Ambev reportou crescimento de 3,4% no volume de cerveja comercializado no Brasil no primeiro trimestre de 2017 na comparação anual, frente ao declínio da indústria de cerca de 2%. Entre janeiro e março, o volume de cerveja no País somou 20,549 milhões de hectolitros, marcando uma recuperação após a companhia ter acumulado queda de 6,6% no volume de cerveja no ano passado.
“Apesar da empresa não divulgar participação de mercado no segmento de cerveja no Brasil, estimamos que deve ter atingido 68-69%”, ressalta o BTG. Este é o cenário em que, historicamente, volta-se a aumentar os preços, levando à melhora de margem e crescimento de lucro, complementam os analistas.
Já a receita líquida atingiu R$ 11,2 bilhões, aumento de 8% na comparação anual e em linha com o esperado pelo mercado. “Apesar das condições macroeconômicas fracas, nós pontuamos que os volumes foram ajudados pelo feriado de Carnaval mais tardio esse ano e pelas condições do tempo favoráveis”, destacam os analistas do Bradesco BBI.
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Os analistas do banco pontuam que o desempenho foi fraco, principalmente atribuível a resultados pontuais, preços mais baixos devido ao calendário e maiores custos decorrentes de hedge desfavorável. Porém, os ventos contrários dos primeiros três meses devem se reverter a partir do segundo trimestre deste ano.
Os analistas do Credit Suisse compartilham dessa visão, apontando que este pode ser o primeiro trimestre de melhora sequencial em tendências de participação de mercado e que as pressões de custos devem diminuir gradualmente, assim como veem chance de recuperação em margens.
Além disso, a companhia reafirmou sua meta (guidance) de que o Custo do Produto Vendido por hectolitro (CPV/hl) no País cresça dois dígitos no primeiro semestre e de que se mantenha estável ou cresça um dígito baixo na segunda metade do ano. No comentário de resultados, a companhia afirmou considerar que o crescimento do custo por hectolitro no acumulado do ano de 2017 será “significativamente inferior” ao crescimento registrado no primeiro trimestre de 2017.
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Os analistas do Bradesco BBI apontam ainda que os fatores que impactaram negativamente os balanços, como preço e custo, devem começar a mostrar reversão destacando, entre outros fatores, uma competição mais racional com a Heineken concluindo a compra da Brasil Kirin.
Quando ocorrerá a reversão?
Apesar de preverem uma recuperação mais à frente para a companhia, os analistas de mercado divergem sobre quando ocorrerá essa reversão – e se vale a pena ou não estar posicionado no papel. O Bradesco BBI, que espera uma recuperação a partir do segundo trimestre, possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 21,00 para cada ação ABEV3. “Seguindo o primeiro trimestre, a Ambev deve voltar a ter um retorno de 15% para os acionistas nos próximos três anos, com um crescimento de 10% do lucro por ação e um dividend yield de 5%”. Para os analistas, o crescimento do lucro por ação a curto prazo deve ser superior ao histórico devido a: (i) alívio dos custos no curto prazo; (ii) recuperação da parte de mercado, e (iii) benefícios da conclusão da estratégia de RGB ( (garrafa de vidro retornável, na sigla em inglês). “Dado este perfil defensivo e crescimento acelerado a curto prazo, temos a Ambev como nosso top pick no setor de bebidas”, apontam os analistas. Já a XP Investimentos espera que a tendência de recuperação se inicie em meados do segundo semestre, enquanto o BTG Pactual mostra-se mais conservador sobre as perspectivas para a companhia. “Vemos poucos sinais de virada uma vez que o ‘dilema’ volume-preço continua limitando o crescimento de receita no Brasil, que é o maior catalisador de geração de valor. Negociando a 23,5 vezes a relação preço sobre lucro esperado para 2017, bem acima da média histórica e com pouco espaço para revisões positivas, reiteramos recomendação neutra”, afirmam os analistas do BTG. Desta forma, o mercado mostrou sinais de animação com a Ambev, mas algumas questões ainda seguem no radar da empresa. O balanço do primeiro trimestre não respondeu a dúvida de muitos analistas sobre quando a companhia irá se recuperar – mas deu boas esperanças sobre um futuro positivo para a companhia após o difícil ano de 2016. Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!