Magazine Luiza não cansa de surpreender o mercado – e analistas já veem ação superando os R$ 400

Analistas já estavam otimistas com os resultados da companhia, que ainda bateu as estimativas, "obrigando" o mercado a revisar suas projeções

Lara Rizério

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(Divulgação)
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SÃO PAULO – Mais uma vez, os números do Magazine Luiza (MGLU3) – ação que subiu 43% somente em julho e quase 250% no ano – impressionaram, fazendo com que os analistas voltassem a revisar as suas estimativas para os papéis da varejista.

No segundo trimestre deste ano, a companhia viu seu lucro alcançar um valor 594,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, a R$ 72,4 milhões.  Nos primeiros seis meses do ano, o lucro acumula R$ 130,9 milhões, montante 735,3% mais alto que no primeiro semestre de 2016. Já no critério ajustado, o lucro líquido somou R$ 73,3 milhões, com variação de 426,4% ante os R$ 13,9 milhões segundo trimestre do ano passado.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve alta de 44,5% para R$ 235,8 milhões entre abril e junho, com margem de 8,7%, 1,1 ponto porcentual acima do registrado no primeiro trimestre de 2016. Em seis meses, o Ebitda chega a R$ 467,7 milhões, expansão de 52,2% Enquanto isso, a receita líquida totalizou R$ 2,699 bilhões, 25,7% maior na variação anual e, no semestre, a variação foi positiva em 24,8%, para R$ 5,506 bilhões.

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Os números são bastante positivos, como ressaltam os analistas do BTG Pactual Fabio Monteiro e Luiz Guanais, que destacam as vendas excepcionais, a forte lucratividade e a geração de fluxo de caixa. Isso levou a um indicador de vendas nas mesmas lojas em 14,5% (especialmente puxado por smartphones e smart TVs) e do e-commerce em 55% na comparação anual.

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“O incrível crescimento do comércio eletrônico foi explicado principalmente por: (i) maiores vendas por meio de plataformas móveis, como com o aplicativo, que atingiu 6,2 milhões de downloads, (ii) maior taxa de conversão em todos os canais de comércio eletrônico; (iii) captura contínua dos benefícios da implementação de projetos multicanais, especialmente o “Retire na Loja” e (iv) manutenção de altos níveis de serviço (nota acima da média no Reclame Aqui)”, apontam os analistas do BTG.

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Enquanto isso, as despesas operacionais foram diluídas em 210 pontos-base, para 22,8% da receita líquida, o que resultou em um crescimento de 44,4% no Ebitda do varejo. Além disso, a forte geração de caixa também foi um destaque, com necessidades de capital significativamente menores associadas a vendas fortes impulsionando o balanço. Já a relação entre a dívida líquida e o Ebitda caiu para 0,3 vez versus 1,5 vez no mesmo período do ano passado, apontando forte desalavancagem.

Desta forma, após o balanço, os analistas do BTG atualizaram os números mantendo recomendação de compra, mas com um novo preço-alvo de R$ 377 por ação, ante R$ 249,00. “Nós mantemos nossa visão de alta, tendo como base a nova surpresa positiva da companhia e o fato de ser um excelente player para se expor ao crescimento secular do comércio eletrônico no Brasil”, destaca o banco. 

Se o BTG Pactual vê a ação a R$ 377, o Bradesco BBI foi além e, destacando que a companhia bateu os números esperados outras vez e com todas as linhas do demonstrativo de resultados mostrando melhorias significativas, elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 395 para R$ 420, mantendo a classificação outperform (desempenho acima da média do mercado), impulsionado por atualizações das estimativas.  “Muitos projetos – como a Retira Loja e o marketplace – ainda estão em pleno crescimento e contribuirão de forma positiva nos próximos trimestres”, apontam os analistas do Bradesco BBI, que destacaram o forte impulso contínuo impulsionado pela execução e ganhos de participação de mercado. Conforme destaca a XP Investimentos, á um dado interessante para ilustrar o ganho de participação no mercado: no primeiro semestre do ano, de acordo com o IBGE, as vendas nominais de móveis e eletrodomésticos cresceram 4,7%. Isso se compara com crescimento de cerca de 24% nas receitas brutas da companhia no primeiro semestre. 

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Durante a teleconferência para comentar os resultados do segundo trimestre, o presidente da varejista, Frederico Trajano, ainda destacou os próximos passos da companhia. A expectativa é de um segundo semestre mais desafiador por conta da alta base de comparação anual, principalmente em relação ao quarto trimestre de 2016, quando a companhia registrou bons números. Contudo, Trajano segue otimista: ele aponta que a liberação do FGTS inativo ajudou nas vendas do segundo trimestre, mas que é difícil quantificar o impacto. Por outro lado, a queda de juros pode compensar parte do fim do FGTS no segundo semestre, além da inflação mais baixa e o emprego tendendo a apontar para recuperação. E essa melhora da economia permite que a companhia retome expansão de lojas físicas com modelos já usados, com lojas mais modernas e mais tecnológicas. 

Assim, a ação do Magazine Luiza, que já vinha em um movimento bastante positivo, comemora mais uma vez os resultados positivos (e que não cansam de surpreender o mercado). Na abertura do pregão, os papéis registraram ganhos de cerca de 5%, superando os R$ 385,00 e apontam alta de cerca de 3% durante a sessão. 

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.