Tendências para o setor de carros. Carros autônomos/elétricos, realidade?

Nos últimos tempos o que verificamos na mídia é um investimento "bem agressivo" - pelas mais diversas empresas - para a criação de carros autônomos; elétricos e por ai vai. Mas, na real, o quão perto esse "adorável mundo novo" está para nós?

Raphael Galante

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Esta semana tivemos o presidente da Ford anunciando investimentos de US$ 1 bilhão para o desenvolvimento de um carro autônomo. Veja aqui.

Mas esse adorável mundo de carros autônomos, o quão próximo está da nossa realidade?

Bem, o que a gente fez aqui foi imaginar um cenário de como estará o setor automotivo lá para 2030.

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Então, o que teremos? Atualmente, a indústria de carros – brasileira ou mundial – é ENORME; com uma quantidade sem fim de nicho de veículos; preferências do consumidor; leis próprias e uma quantidade de concessionários sempre se adaptando ao “meio-ambiente”.

E o que espera a gente num futuro “não tão distante ?” Vamos trabalhar aqui em duas partes:

SOBRE O MERCADO:

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Aquele “Eldorado” que todos projetaram há uns 10 anos atrás, não vai acontecer! Nos EUA, por exemplo, eles já estão no seu “ponto ótimo de vendas” 16~18 milhões, e  vão oscilar neste volume durante a próxima década. O mesmo para o mercado Europeu, que é um mercado mais que maduro: na verdade, ele já até passou do ponto.

O crescimento da indústria a modo global, poderia ocorre através da América do Sul (em menor escala) e na China (em maior escala). Aqui no nosso Cone Sul, aquelas previsões onde todos estavam afetados pela “febre do ouro” de vender 6 milhões de unidades que a maioria imaginava, não vão chegar na próxima década! Na China, o recente aumento de imposto vai fazer com que a indústria do país se estabeleça entre um volume entre 27 a 29 milhões de carros.

Além disso, a gente tem que levar em consideração que a nova geração, os “milleniuns” – vulgarmente conhecida como “pera com leite” – tenderão aderir ao padrão eterno de locação de carro. Aquele sonho que as gerações passadas tinham de “tirar a carta”; “ter um carro”, está cada vez mais desaparecendo. Aí, sim, existe um fator de sucesso para o pessoal da UBER e CABIFY, mas isso já é outra história.

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Pessimista, eu? Não, apenas uma visão “Rodriguiana” das coisas, a vida como ela é!

Da mesma forma que existe um endeusamento sobre os carros elétricos, como o Toyota Prius, qualquer carro da Tesla e por ai vai. Gente, pelos próximos 15 anos, eles ainda não serão uma realidade. No mercado mais evoluído para isso (EUA), a projeção é que os carros EV’s participem de 5% do total das vendas. O que não é nada! Devemos lembrar que o preço do petróleo despencou; o principal consumidor de petróleo descobriu (e está apaixonado) pelo gás xisto, e temos que levar em consideração os avanços tecnológicos dos motores a combustão. E na contramão deste cenário temos os custos de bateria dos carros elétricos que são caros pra chuchu! A demora para carregar o carro, a falta de locais para abastecimento, entre outros entraves. Lógico que tudo isso vai evoluir, mas ainda vai demorar muito para gerar escala suficiente para mudar o mercado.

E, para completar, tem um item “comportamental”: o que vende – pra caramba – nos EUA (tipo 50% das vendas), são as picapes. Aqui no Brasil, o efeito Fiat/Toro fez o brasileiro descobrir as picapes (é o único segmento que está crescendo). Carro elétrico, “tipo picape”, “tipo 4×4”, ninguém nunca desenhou até agora! Ou seja, carros elétricos ou híbridos, podem acontecer “num futuro distante”.  

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O mesmo conceito para os carros autônomos. O que acreditamos é que 100% dos carros fabricados na próxima década terão uma certa “automatização”. Por exemplo, o OnStar da GM é “duca”. Ele é uma ferramenta maravilhosa! E funciona bem nos EUA, já que eles possuem uma excelente rede de telefonia celular (4G)! Na Europa, eles estão construindo rede 5G para a próxima década e, como nós estamos no ½ G… bem, deixa para lá!

Carros autônomos tipo o Tesla 100% autônomo; o carro do Google; ou a frota autônoma do UBER. Isso deve acontecer. Em cidades especificas, com condições especificas e em momentos específicos e com pessoas especificas. Voltamos ao ponto da falta de infraestrutura básica (tipo rede de telefonia) só para ficarmos por aqui e ao fator comportamental. Imaginemos uma cena básica/clássica de quem tem filho. O carro autônomo vai deixar (ou buscar) o seu filho no colégio e ele (a criança) simplesmente decide que “não quer ir” ou melhor “não quer sair do carro”. E aí? No jeito tradicional, um bom berro tipo: “… TU VAIS ENTRAR NO COLÉGIO AGORA!!!…” resolve tudo.

O que vai mudar FORTEMENTE é a forma de comprar carro. Mas, aí, também fica para o próximo post!

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Raphael Galante

Economista, atua no setor automotivo há mais de 20 anos e é sócio da Oikonomia Consultoria Automotiva