Investidor que buscou proteção na poupança perdeu

Proteção da poupança é apenas ilusória, já que com a alta dos preços, o retorno da poupança tem ficado consistentemente abaixo da inflação

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SÃO PAULO – Diante das perdas dos fundos no mês de maio, muitos investidores optaram pela migração dos recursos aplicados para a poupança, acreditando que esta seria a melhor forma de proteger seu dinheiro. Como mencionamos na época, a migração não era recomendável.

Não só o investidor teria que pagar a CPMF sobre os recursos transferidos, reduzindo ainda mais a rentabilidade da poupança, como a argumentação de proteção usada por muitos investidores não se aplica à poupança.

Poupança não protege da inflação

A rentabilidade da poupança como todos sabemos é definida como a variação da TR (taxa referencial) acrescida de 0,5% ao mês. Nos últimos meses, a variação da poupança tem ficado em cerca de 0,70% ao mês, abaixo, portanto, da própria inflação.

Para se ter uma idéia, de acordo com a inflação medida pelo IGP-M, da FGV, os preços subiram, respectivamente, 0,83% e 1,54% em maio e junho. Se tomarmos estes números como base, quem investiu na poupança, perdeu em apenas dois meses cerca de 0,96% frente á inflação.

Esta situação fica ainda pior se considerarmos que quem transferiu o dinheiro em junho pagou 0,38% de CPMF, o que reduziu a rentabilidade da poupança para menos do que a metade. Por exemplo, se você tinha R$ 5mil aplicados em fundos e resolveu migrar para a poupança em junho, então pagou 0,38% de CPMF e recebeu 0,70% de retorno, isto significa que o retorno líquido deste dinheiro foi de apenas 0,317% em junho.

Se considerarmos que a inflação neste mesmo mês foi de 1,54% pelo IGP-M, isto significou uma perda de 1,20% frente à inflação. Portanto, descontada a inflação você acabou perdendo, o que vai contra o argumento usado por muitos investidores de que a poupança é uma forma segura de se proteger o patrimônio.

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Este argumento só seria válido se aumento no custo de vida do consumidor fossem automaticamente repassados, na mesma medida, para os juros pagos nos CDBs, que são usados como referência para determinar a TR. Como isto não acontece, a remuneração da poupança tende a ser ainda pior quando a inflação sobe e os juros não acompanham esta alta.

Fundos já recuperaram parte das perdas

Por outro lado, quem manteve a calma e deixou o dinheiro aplicado nos fundos DI ou de renda fixa, já começam a respirar aliviados pela recuperação das perdas de maio, pelo menos é o que sugerem os dados da Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento).

Com base nos dados da Anbid sobre a indústria de fundos de investimento, pode se verificar que, até o dia 27 de junho, os fundos DI haviam registrado uma rentabilidade média no mês de 0,98%, já a rentabilidade média dos fundos de renda fixa era um pouco menor de 0,92% neste mesmo período. No acumulado de 30 dias, que inclui as perdas de maio, os ganhos passam a 0,22% no caso dos fundos DI e ficam negativos em 0,12% no caso dos fundos de renda fixa. Isto significa que a maioria dos fundos já recuperou as perdas de maio, e está próxima de voltar à rentabilidade tradicional dos fundos.

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Vamos imaginar, por exemplo, uma pessoa que investiu R$ 5mil, perdeu 1% com o reajuste das cotas em maio e optou por sacar este dinheiro e colocar na poupança. Ao sacar, o investidor tinha apenas R$ 4.950 sobre o qual pagou CPMF de 0,38%, de forma que o valor efetivamente investido foi de R$ 4.931. Passado um mês do saque, que podemos assumir tenha sido efetuado há exatamente um mês atrás, no 1º dia útil depois dos ajustes de 31 de maio, este mesmo investidor tem em sua conta de poupança R$ 4.965,70.

Como os dados dos fundos DI ainda não estão disponíveis para este dia 3 de julho, estimamos o retorno em 30 dias até o final do dia 3 de julho com base no retorno até o dia 27 de junho. Como a rentabilidade 30 dias dos fundos DI subiu de 0,20% para 0,22% entre o dia 26 e 27 de junho pode se estimar que a variação dia é de 0,020%, portanto a variação acumulada até esta quarta-feira pode ser estimada em 0,32%, o que significa um retorno para quem manteve o dinheiro no fundo de R$ 4,965,84. Em linha, portanto, com a rentabilidade da poupança, com a diferença que a partir de julho a rentabilidade das duas aplicações deve novamente descolar com a poupança ficando muito atrás dos fundos.

Diante destes números fica claro que a proteção da poupança é apenas ilusória, pois a tendência para a inflação é seguir em alta, pelo menos até o impacto dos preços administrados, como gasolina, energia e telefone, ser completamente absorvido nos índices de inflação, o que só deve acontecer em agosto. Até lá, a poupança só é recomendada para quem tem menos de R$ 1mil para aplicar e pretende deixar o dinheiro investido por apenas dois meses. Nestes casos, investir em fundos não vale a pena, pois a rentabilidade mais elevada acaba sendo mais do que compensada pelos impostos e taxas.