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SÃO PAULO – Que o mercado financeiro é volátil e alterna dias de grande pessimismo com pregões onde o bom humor prevalece, todo mundo sabe. O mercado gasta todo o seu tempo especulando em quais serão os efeitos de determinadas mudanças na situação econômica, nas pesquisas de opinião ou altas e baixas nos mercados internacionais sobre os ativos financeiros, visando obter lucros de curto prazo.
Grande parte dos recursos que circulam no mercado todos os dias é administrada por profissionais, que gastam uma grande parcela do seu tempo tentando isolar estes fatores e ganhar dinheiro com isso. Muitos dos gestores de fundos de investimento e dos integrantes das tesourarias de bancos vivem desta volatilidade, pois o diferencial entre o “vencedor” e o “perdedor” às vezes é decidido nos detalhes.
A postura das pessoas que investem seu dinheiro por conta própria, no entanto, deve ser, na maioria dos casos, diferente. Poucos de nós tem tempo para acompanhar de perto o sobe-e-desce das bolsas, a variação do dólar ou a volatilidade dos juros futuros. Além disso, os objetivos são diferentes, já que não estamos competindo para ganhar com uma rentabilidade maior na terceira casa decimal: para muitos a principal tarefa é defender o valor de nosso dinheiro poupado, que foi ganho com tanto esforço.
Movimento em junho surpreendeu
Durante o último mês de junho, porém, esta lógica parece não ter funcionado. Temerosas dos efeitos das alterações nos critérios de contabilização dos fundos de investimento, muitas pessoas realizaram uma forte migração de recursos neste mês, saindo dos fundos e migrando para outros instrumentos como a poupança ou o CDB.
O resultado foi uma entrada de recursos recorde na poupança, que registrou uma captação líquida de R$ 6,09 bilhões em junho, cerca de 12 vezes mais do que em maio e a maior captação desde a introdução das cadernetas, em 1966. Também os CDBs receberam uma forte entrada de recursos, em sua esmagadora maioria originários dos fundos DI ou de renda fixa.
O argumento foi simples: já que os fundos registraram perdas em maio, a solução seria mudar para outros investimentos, considerados mais seguros. Com isso, quem mudou teria feito uma boa mudança.
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No entanto, isso não poderia ser mais enganoso. Infelizmente para quem realizou esta migração, o resultado em termos de rentabilidade foi o pior possível. Além de ter que arcar com as despesas de transferência, como os 0,38% da CPMF, por exemplo, quem migrou seus recursos do fundo vendeu suas cotas possivelmente no pior momento.
Perdas foram maximizadas pela saída de recursos
A mudança na contabilização dos fundos gerou uma perda pontual, ou seja, que não deve se repetir nos próximos meses, na rentabilidade dos fundos. Além das perdas em função da contabilização, muitos gestores se viram obrigados a vender papéis que estavam em suas carteiras, pois os clientes estavam resgatando suas cotas.
Com isso, muitos fundos mostraram perdas muito maiores do que poderiam imaginar, pois o movimento de venda de títulos públicos pelos gestores, somado à falta de interesse do mercado por novos títulos em função do nervosismo com a eleição, derrubou os preços dos títulos. E que pagou a conta, vendendo barato, foram os cotistas que saíram dos fundos.
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No caso de fundos que têm papéis de prazo mais curto, a probabilidade de evitar perdas seria grande, pois os papéis voltam ao valor de face no vencimento dos mesmos, independente da cotação no mercado. Isso significa que, para muitos, somente o fato de ter esperado um pouco mais poderia ter reduzido as perdas de forma significativa.
Poupança não é o melhor investimento
Mesmo com a mudança nos fundos, a poupança não é a melhor alternativa, a não ser que você tenha menos de R$ 1.000 e só queira investir por menos de dois meses. Apesar do desempenho ruim dos fundos em maio, a tendência é que os fundos bem administrados consigam bater por larga margem a rentabilidade da poupança nos próximos meses, em muitos casos com risco muito parecido.
Para quem quiser mais detalhes sobre a diferença de rentabilidade entre a poupança e os fundos, basta clicar
aqui para acessar um artigo preparado somente sobre isso.
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E de quem é a culpa ?
Infelizmente, todo este evento de alteração na contabilização dos fundos não foi bem explicado. A medida adotada pelo Banco Central em si é correta, pois evita que as perdas cresçam e fiquem concentradas em quem mantiver os recursos investidos, porém a comunicação foi falha.
Além disso, muitos fundos “empurraram com a barriga” os ajustes necessários, que deveriam ter sido feito gradualmente. Isso explica a grande diferença de rentabilidade em maio entre os fundos, já que alguns já haviam adotado uma postura profissional e já tinham se preparado para as mudanças, enquanto outros, principalmente de grandes bancos, não tiveram o profissionalismo e a responsabilidade condizentes com sua tarefa de administrar o dinheiro de terceiros.
Talvez a principal lição é que o investidor deve ser mais atento, buscando maior informação sobre a forma com que seu dinheiro é administrado e migrando seus recursos para administradores mais sérios e que adotem uma estratégia de investimentos mais clara. Além disso, devemos aprender a ter mais sangue frio na hora de investir, pois decisões emocionais raramente dão resultado. Por fim, sempre levar em conta o ditado de que “a melhor forma de ganhar dinheiro é comprar na baixa e vender na alta” e não vice-versa, como proposto por alguns.