Como a redução dos juros afeta a forma com que você aplica seu dinheiro?

Para quem aplica no curto prazo, a opção são os fundos de renda fixa; quem tem mais tempo pode diversificar em fundos de ações

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SÃO PAULO – Confirmando a expectativa do mercado, a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, foi novamente reduzida nesta quarta-feira (20/03). Contudo, a redução acabou ficando abaixo da expectativa do mercado, em 0,25 ponto percentual. O mercado esperava um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual. Com isto a taxa básica da economia fica em 18,50% ao ano, o que implica em cerca de 1,43% ao mês. Mas e para os seus investimentos, qual a implicação desta decisão?

Apesar da queda, retorno da renda fixa continua alto

Apesar da redução dos juros para 18,5% ao ano, o retorno das aplicações em renda fixa continua bastante elevado. Afinal, a inflação deve cair em 2002, e, mesmo que fique nos mesmos 10% do ano passado, o retorno real ainda seria de cerca de 8,5% ao ano. Pouquíssimas aplicações financeiras garantem este tipo de rentabilidade real sem implicar em riscos, portanto a renda fixa continua apresentando um ótimo retorno ajustado para o risco.

Como a tendência para os juros em 2002 é de queda, o melhor é optar pelos fundos de renda fixa. Isto porque os fundos de renda fixa aplicam em títulos de renda fixa pré-fixados e por isso devem ter um desempenho melhor do que os fundos que aplicam em títulos pós-fixados, como é o caso dos fundos DI.

Outra opção que pode ser interessante e que implica em custos mais baixos do que os fundos de investimento é o investimento direto em títulos federais, através do novo programa do governo Tesouro Direto. A vantagem do investimento direto fica nos custos, pois a rentabilidade deve ser semelhante à dos fundos de renda fixa, que aplicam boa parte dos seus recursos nestes mesmos títulos federais.

Contudo, enquanto na aplicação direta em títulos as taxas são de cerca de 0,70%, na aplicação em fundos ela pode chegar a 3%. Dentre os títulos federais, a melhor opção são LTNs, pois são os únicos títulos pré-fixados e, exatamente por isto, devem registrar ganhos mais altos do que os demais títulos.

Bolsa pode ser beneficiada

A queda dos juros certamente beneficia a bolsa, visto que uma redução nos juros permite um maior crescimento da economia, que por sua vez tem efeitos benéficos sobre o faturamento das empresas. A melhora nas perspectivas de faturamento e, conseqüentemente, de lucros das empresas é que leva a bolsa a subir.

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Além disso, vários fatores devem contribuir para as melhores perspectivas dos investimentos em ações, como a queda do dólar e da inflação, o fim do racionamento de energia e a retomada do crescimento da economia mundial. A combinação destes fatores deve impulsionar os resultados das empresas, favorecendo os investimentos em ações, principalmente para aqueles que possuem um horizonte de investimento de médio e longo prazo.

Junte-se a isto o fato de que a bolsa ainda acumula perdas nos últimos anos, e é possível que o ano de 2002 acabe sendo um ano positivo para a aplicação em ações. Contudo, diante da perspectiva de uma corrida eleitoral bastante acirrada é preciso cautela, pois novos escândalos preocupam os investidores, que acabam vendendo suas posições e levando a bolsa a cair.

Investimento em dólar pode ser arriscado

Do ponto de vista do câmbio, a consolidação do descolamento do Brasil com a Argentina e o crescimento da candidatura Serra para a Presidência diminuem o risco de descontinuidade. A maior estabilidade política deve levar o dólar a variar pouco em relação ao real, ao contrário do que aconteceu em 2001.

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É claro que para que isso ocorra, as exportações terão que apresentar um comportamento semelhante ao dos últimos meses, gerando superávits consistentes, mesmo que o dólar apresente queda. Ao que tudo indica, a expectativa do Governo, que anunciou a intenção de fechar 2002 com um superávit da balança comercial de U$ 4,75 bilhões, um crescimento de 80% frente aos US$ 2,643 bilhões alcançados em 2001
é factível.

Desta forma, o investimento em dólar ou em fundos cambiais se mostra bastante arriscado, a não ser para quem realmente tem compromissos em dólar para pagar ou esteja planejando viajar para o exterior nos próximos meses.

Como aplicar seu dinheiro

Considerando que a tendência para os juros continue sendo de queda, a pergunta que fica é como re-alocar suas aplicações. Para quem tem como horizonte de investimento prazos inferiores a seis meses, não há o que fazer, o jeito é concentrar as economias em fundos de renda fixa, optando por deixar parte nas categorias um pouco mais agressivas se seu apetite por risco for muito grande.

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Para quem não pensa em sacar antes de dois anos, o ideal é manter boa parte das aplicações em renda fixa, pelo menos 60%, com o objetivo de proteger e fazer crescer o seu patrimônio, mas direcionar pelo menos uma parcela para aplicações em ações. Seja através dos fundos de ações, fundos multimercados com renda variável, ou simplesmente a compra direta de ações no mercado. Para quem não pretende sacar o dinheiro antes de cinco anos, então vale a pena aumentar a parcela investida em ações, pois assim poderá garantir retornos mais atrativos para suas aplicações.

Lembre-se que, quanto maior o prazo que você pretende deixar o dinheiro aplicado maior pode ser a parcela aplicada em ações, no entanto, para quem ainda não acumulou o suficiente, então é preciso cuidado para não se arriscar muito.