Publicidade
SÃO PAULO – Receio em conferir o extrato bancário, salário que só cobre o cheque especial, cartões de crédito com limites estourados, pedir adiantamento do 13o ou dinheiro emprestado para um parente ou amigo.
Se você se identificou com alguma dessas situações, é porque sua vida financeira está fora de controle. A sensação é de que se está em um buraco sem fundo e que não há outra saída a não ser conviver com a dívida e ir empurrando com a barriga.
Ainda que o cenário se mostre desolador, não se acomode. Estar ciente de que o orçamento saiu do controle é o primeiro passo para retomar as rédeas do seu dinheiro.
Continua depois da publicidade
Caso sirva de consolo, você não é o único a estar com a corda no pescoço. Desde que o fantasma da superinflação deixou o Brasil, há cerca de 20 anos, o que temos visto é um crescente aumento no nosso poder de compra.
Levados pelo imediatismo do mercado de consumo, fazemos escolhas ruins na hora de adquirir um produto ou serviço. E, aí, nossa conta vai ficando cada vez mais vermelha.
Falta de informação é perigosa
Sem cautela, podemos transformar um empréstimo pessoal de R$ 2 mil em R$ 12 mil se não prestarmos atenção que o CET desse tipo de modalidade pode variar de 50% a 500% ao ano. Isso significa que, ao optar pelo CET (Custo Efetivo Total) mais caro, sua dívida, em um ano, pode ficar seis vezes maior do que a original.
Mas por que alguém escolheria um empréstimo com juros tão altos se há opções melhores? Falta de informação e de disposição para pesquisar fazem com que coloquemos os pés pelas mãos e uma má escolha vira uma dor de cabeça que parece não ter fim.
Para mostrar a você que existe, sim, uma luz no fim do túnel, preparamos um guia completo para trazer o azul de volta à sua conta bancária. E o primeiro passo é descobrir o quanto do seu orçamento está comprometido com dívidas. Para isso, divida o total das dívidas pela renda familiar.
Continua depois da publicidade
Dependendo do quanto da sua renda está comprometida, atitudes específicas devem ser tomadas. Por exemplo, se cerca de 30% do seu orçamento está indo para as dívidas, é hora de abrir mão de alguns gastos pessoais. Se já passa de 50%, é o caso até de trocar o carro por um modelo mais econômico. E se o que entra não está dando nem para quitar as dívidas, o carro terá que ser vendido.
Mas há uma dica básica que serve para qualquer tamanho de dívida: toda renda extra, como 13o salário, férias ou restituição de Imposto de Renda, deve ser usada primeiro para quitar as contas. Só depois (se sobrar) você pode pensar em gastar ou poupar.
Cuidado ao dar bens como garantia
Continua depois da publicidade
Mudanças no estilo de vida são fundamentais para sair do vermelho. Contudo, existem outras alternativas que valem a pena ser consideradas: negociação com os credores, portabilidade de dívidas ou, até mesmo, empréstimo usando sua casa ou seu carro como garantia.
Dar bens como garantia pode ser uma alternativa, porque nesses casos os jurostendem a ser mais baixos. Entretanto, é preciso ter muita cautela. Não dê bens como garantia nem os venda se você acha que ainda assim pode não ter capacidade de quitar o débito ou, pelo menos, de reduzi-lo substancialmente.
Você pode perder o bem e ficar com a dívida. Ou pior: vendê-lo e se endividar novamente. Usar bens como garantia só é interessante para quem tem certeza de que consegue honrar o compromisso nessas novas condições.
Continua depois da publicidade
E é preciso ficar atento à multa e aos juros cobrados em caso de atraso. A multa não pode ser maior do que 2% em relação ao total da dívida e os juros, por mês de atraso, não devem ultrapassar 1% do total da dívida.
Uma opção é trocar a dívida de banco
Outra saída é a portabilidade de crédito, que é a transferência da dívida que você tem de um banco para outro. Se essa for a sua opção, primeiro obtenha o total da sua dívida com a instituição com que já tem o empréstimo ou financiamento. Com esse valor, o novo banco poderá transferir os recursos diretamente para o banco original, quitando sua dívida antecipadamente.
Continua depois da publicidade
Assim, quem faz a quitação é a nova instituição financeira e não você. Não esqueça de solicitar o valor do CET antes de realizar a portabilidade. Verifique ainda todas as condições do novo contrato, para que a transferência da dívida seja realmente vantajosa para você.
Recorrendo aos tribunais
Quando a corda no pescoço está apertada demais, ou seja, não dá mais para honrar os compromissos, os superendividados recorrem à Justiça na tentativa de, em um acordo, encontrar uma maneira de diminuir os juros e acertar as dívidas dentro do orçamento atual.
Não existe uma lei que trate do tema. Mas a boa notícia é que o Poder Judiciário entende que muitas dessas dívidas são fruto de uma oferta irresponsável de crédito. Ou seja, o mercado não leva em consideração a capacidade do consumidor de pagar a dívida.
Ou, ainda, acredita que um fato inesperado, como doença ou desemprego, tenha levado o consumidor até essa situação. Por conta desses pontos de vista da Justiça, muita gente tem conseguido reduzir as parcelas de suas dívidas por meio de acordos judiciais.
Mas ninguém quer chegar a esse ponto. Por isso, é preciso ficar de olho nas modalidades financeiras que o mercado oferece.
Cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado crédito pessoal e financiamento de bens, carro e imóvel são as mais comuns e podem ser muito perigosas. Saber como esses métodos funcionam é muito importante para não cair nas armadilhas escondidas, como taxas e juros altíssimos.
A comodidade também é inimiga de quem precisa de dinheiro. Optar por um crédito pessoal, sem comparar os CETs, por exemplo, é pedir para ser enganado. Consumidor desinformado é a isca perfeita para o mercado.