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SÃO PAULO – O desemprego na Argentina atinge a taxa recorde de 22% da população economicamente ativa (PEA) do país, segundo declarou nesta quarta-feira o ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov. Isso indica que aproximadamente 4 milhões de argentinos podem estar sem emprego, refletindo a forte deterioração econômica do país nos últimos meses.
A taxa ainda não é oficial, já que o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censo) mostra que a última medição foi realizada em outubro de 2001. Em outubro, o desemprego do país era de 18,3% da PEA, o que indica uma forte expansão da taxa de 3,7 pontos percentuais nos últimos três meses.
Inflação passa a atrair a atenção do mercado
Não é só o desemprego que cresce na Argentina, que enfrenta uma de suas mais graves crises. Os preços também mostram uma trajetória ascendente, quebrando uma tendência de deflação que foi registrada na maior parte do ano. Pelos dados do Indec, em janeiro deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor registrou uma elevação de 2,3% em relação à amostra do mês anterior, a maior alta dos últimos dez anos, por conta da expectativa da desvalorização do peso.
A desvalorização do peso está atrelada ao aumento dos preços no primeiro mês do ano e ainda poderá exercer maior pressão inflacionária, já que a partir da segunda-feira (11/1) o mercado cambial será reaberto no país para a estréia da livre flutuação do peso. Neste sentido, o temor é que os comerciantes ajustem seus preços segundo a variação do câmbio, o que poderia gerar um forte aumento da inflação.
Governo argentino prevê inflação de 15% em 2002
Outro fator de atenção acerca do comportamento da inflação na Argentina está relacionado às tarifas de serviços públicos, que antes eram em dólares, mesma moeda em que estavam as dívidas das empresas argentinas. Entretanto, a desvalorização cambial pode levar essas empresas a repassar para os preços das tarifas os reajustes necessários, para que as empresas não quebrem. As companhias de energia pleiteiam um reajuste junto ao governo, mas que não deve sair nos próximos meses. De qualquer forma, a projeção do governo argentino para a inflação de 2002 indica que os preços devem terminar o ano registrando uma variação positiva de 15%.