Publicidade
SÃO PAULO – As perspectivas de que a economia norte-americana deve retomar logo a trajetória de crescimento penaliza o euro, que operou hoje abaixo de US$ 0,86 pela primeira vez desde meados do ano passado. Os investidores operam sob as projeções de que a recuperação econômica dos EUA deverá se antecipar à da zona do euro. O euro era negociado há pouco a US$ 0,8603, representando uma queda de 0,54% em relação ao fechamento de sexta-feira.
Expansionismo monetário contra conservadorismo
Entre os principais pontos de contrastes da gestão das políticas monetárias na Europa e nos EUA, a estratégia adotada quanto aos juros faz a diferença. Enquanto nos EUA a inflação contida e até a deflação registradas nos últimos meses permitiram a adoção de uma política expansionista pelo Fed, na Europa o Banco Central Europeu (BCE) vem preferindo a cautela. Temendo pressões inflacionárias, o BCE promoveu uma política monetária bem mais conservadora ultimamente. Com o incentivo do menor custo do dinheiro, a economia norte-americana já colhe antecipadamente os frutos da estrutura adotada.
Economia americana mostra sinais claros de recuperação
Nem mesmo um anunciou de crescimento das expectativas do empresariado alemão acerca da atividade econômica no país foi capaz de assegurar a recuperação da moeda única frente ao dólar, iniciada na semana passada, quando as barreiras técnicas para a cotação da moeda foram quebradas. O IFO Institute na Alemanha anunciou o terceiro mês de crescimento consecutivo da confiança dos empresários na economia alemã. Entretanto, uma modificação na medição do índice garantiu a expansão e não contribuiu em nada para a cotação do euro.
Em contrapartida, o presidente do Fed, Alan Greenspan, fez um discurso à comissão do orçamento no Senado norte-americano com sinais de menores pressões negativas sobre a economia dos EUA. Apesar de ressaltar que ainda há sinais de riscos à recuperação econômica, o chairman do banco central norte-americano pediu ao Congresso que estudassem um meio de reduzir o superávit fiscal, com o corte de impostos, que geraria recursos para serem reinjetados à economia via consumo. Desta forma, a recuperação econômica se anteciparia à estimativa para o meio do ano.