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O governo argentino anunciou a troca de US$ 29,48 bilhões em títulos públicos que venceriam no curto prazo por títulos de prazos mais longos, superando as estimativas iniciais de que a operação atingisse US$ 20 bilhões. Com a troca, o governo deverá deixar de pagar US$ 16,309 bilhões em resgates de títulos públicos até 2005. Entretanto, a operação deverá aumentar a dívida pública em cerca de US$ 2,255 bilhões. A mega troca de títulos públicos deverá desafogar os vencimentos do governo em quatro anos, mas por si só não é capaz de retomar a confiança dos investidores na economia da Argentina.
O governo argentino anunciou que as ofertas para a troca de títulos atingiram US$ 33,300 bilhões, mas que a aceitação federal se limitou aos US$ 29,477 bilhões. A maior parte da troca, ou 70% do total, ficou por conta dos investidores institucionais, contudo, vale ressaltar que cerca de um terço do total responde por investidores estrangeiros, ou US$ 8,000 bilhões. O governo anunciou que a operação deverá evitar a necessidade de financiamento público na ordem de US$ 7,820 bilhões neste e nos próximos anos, atingindo no total até 2005 o equivalente a US$ 16,309 bilhões. Como conseqüência, o ministro da economia, Domingo Cavallo, declarou que a troca deverá ampliar a oferta de crédito para as empresas, já que o setor público não precisará se financiar mais. Além disso, deverá haver uma forte queda na taxa de juros do país o que é fundamental para que a população retome o consumo.
A operação tirará de circulação 45 bônus da República Argentina, que foram trocados por cinco novos títulos com prazos mais longos. Os principais títulos trocados são os que compuseram a emissão há época do Plano Brady (FRB, Discount e Par) e os bônus Pagaré. Os novos títulos alcançaram os seguintes montantes: US$ 2,030 bilhões em Bônus Pagaré de 2006; US$ 931 milhões em Bônus Globais de 2008 emitidos em pesos; R$ 11,456 bilhões em Bônus Globais de 2008 emitidos em dólares; US$ 7,446 bilhões em Bônus Globais de 2018 e por fim, US$ 8,521 bilhões em bônus globais de 2031. Sendo os dois últimos de prazos maiores também foram emitidos em dólares. O forte destaque entre os bônus para os Globais de 2008 emitidos em dólares se deve ao alto cupom que pagará, correspondendo a 7% ao ano até 2004 e a 15,5% ao ano a partir de então até o resgate.
A operação afasta o risco de calote nos pagamentos da dívida pública do país, o que é um bom incentivo ao aumento da confiança internacional em relação à economia argentina. Entretanto, o governo analisa a operação como emergencial e de curto prazo, não sendo capaz de eliminar o real problema argentino, que é a estagnação econômica. Desta forma, o ministro Cavallo assegurou que a parte mais importante, que é a retomada do crescimento econômico, deve focar as atenções do governo daqui por diante. Sendo assim, Cavallo estuda eliminar os impostos internos e os juros de créditos à que as empresas se submetem. Além disso, outros pontos bastante delicados para o país são a contenção dos gastos públicos e a administração do déficit fiscal que atinge US$ 10,000 bilhões.