Agora é oficial: o ECB admite que a situação é mais séria

Conteúdo do Portal InfoMoney - Editoria Mercados

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09h40 – 20/06
Coluna do Tamer
Paris – Eles discordam em tudo, mas, desta vez, parece até que combinaram em concordar: a situação econômica pode ser pior de que se esperava. Quase no mesmo dia o Federal Reserve e o Banco Central Europeu usaram as mesmas palavras para dizer que “a retração econômica nos EUA e na eurozona está sendo maior de que a prevista.” Nos EUA, o banco central fala em crescimento de 2,5%. Na eurozona, o BCE reviu, nesta semana, sua previsão de dezembro de um crescimento do PIB entre 2,6% e 3,6% para 2.2% ou 2,8%. O banco, que prevê também uma expansão menor no próximo ano, (entre 2,1% e 3,1%, dependendo dos EUA e da Ásia) admite pela primeira vez, oficialmente, em seu relatório, que a eurozona está sendo afetada, sim, pela retração mundial. “Há riscos de que o recuo (econômico) na eurozona diante da possibilidade da desaceleração da economia mundial seja maior e mais profundo do que previsto .. por causa… do impacto da deterioração do clima mundial, sobre a eurozona.”

Resumindo: está descoberto o ovo de Colombo: se a economia mundial se retrair, a economia européia vai atrás. Assinado: Banco Central Europeu. Confirma-se que não era nem um pouco realista ou razoável ( e quem não sabia?) a afirmação do seu presidente, Wim Duisenberg, que “a desaceleração americana seria apenas um vento” facilmente superável pela eurozona.
A diferença entre ambos, agora, é que o Fed, na reunião do próximo dia 27, deve cortar os juros os juros para 3,5%, pois a inflação está sob controle, enquanto o BCE ainda reluta porque os preços, diz, estão aumentando.

Enfim, uma autocrítica

Os lideres europeus em reunião realizada neste fim de semana, em Gotheburgh, (Goterborg), na Suécia, admitiram que o cenário é econômico é mais grave. O enfraquecimento da demanda dos EUA e a alta do preço do petróleo “nos levou a algo mais forte do que pensávamos,”afirmou o comissário (ministro) econômico da comunidade, Pedro Solbes. O ministro das Finanças da Finlândia, Sauli Niinistoe, foi mais a fundo no seu diagnostico:

” Não tiramos vantagem dos benefícios de um grande mercado comum….deveríamos abri-lo mais rapidamente e definir o que entendemos como “reformas estruturais.”

Ao que parece, não foi uma reunião muito tranqüila. Falou-se de coisas que nunca se havia dito antes. “Eu não posso aceitar uma União Européia tendo a metade dos seus estados membros com um mercado completamente aberto e a outra, regulado,” critica o primeiro ministro da Suécia, Goran Persson. Não houve progresso algum nos temas principais, acrescentou, dando a entender indiretamente afinal, o que estamos fazendo aqui, conversando enquanto a economia européia se retrai?

Europa preocupa…

O cenário na Europa inquieta. A França anunciou na sexta-feira que a produção industrial voltou a cair 0,3% e as exportações recuaram em 6% em conseqüência da declaração americana.

“E o choque total do desaquecimento americano ainda não chegou, ainda, aqui integralmente, mas virá,” afirma Stephane Deo, economista do UBS Warburg, em Paris. Os industriais estão mais pessimistas com o declínio das encomendas externas e o nível de confiança caiu aos níveis mais baixos dos últimos oito meses. O cenário é idêntico na Alemanha e na Itália.

….e EUA não ajudam

Nos Estados Unidos, os últimos dados divulgados pelo governo também não animam. A produção industrial em maio caiu pelo oitavo mês consecutivo, 0,8% – o dobro do que se esperava, e os estoques aumentam. “Os números mostram uma grande fraqueza na indústria e não há sinais de que o fundo (do poço) está à vista,” diz Lyn Reaser, economista do Banco da América. Esses dados combinados levam a crer num corte dos juros em 0,50 pontos (e não 0,25 como prevê o mercado), no fim do mês. E o próprio Fed concorda com isso. “Como os preços estão sob controle, domados, há flexibilidade e espaço para continuar numa política de estimulo (da economia),” admite o presidente do Fed de São Francisco, Robert Parry, nem sempre tão liberal. Mas os efeitos de uma sexta redução dos juros deverão tardar. Alguns economistas ainda acreditam numa recuperação a ponto de chegar a 3%, mas a maioria e o próprio Fed – admite que se der 2,5%, é bom demais.

Pára lá, pára aqui

Pode ser bom para eles, mas não para o Brasil. Entre janeiro e abril as exportações para a União Européia aumentaram apenas 0,9%, com um de 6,9% nas vendas para a França e para a Itália. Em conseqüência, a participação da Europa nas exportações brasileiras caiu de 29,2% para 25,6%. Ao mesmo tempo, nossas importações da comunidade aumentaram quase 15%. Tínhamos um superávit de US$ 238 milhões e agora estamos com um déficit de US$ 238 milhões. Com os EUA resta um superávit de US$ 326 milhões, a participação americana aumentou de 24,2% para 25,6%, mas isso antes da nova política do presidente Bush de proteger a industria siderúrgica, aumentar os subsídios aos produtos agrícolas e partir para uma decisiva defesa do seu mercado interno.

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Não dá para confiar

É conveniente sempre lembrar que o Brasil não pode confiar no mercado americano. O presidente Bush tem um discurso liberal, mas um política comercial bem mais conservadora e protecionista que a de Clinton. A Europa, ao contrario dos EUA, pelo menos, não declara que está disposta a abrir o seu mercado enquanto o fecha. É protecionista porque está em crise- agora admitida oficialmente pelo ECB – tem graves divisões internas e problemas com o alargamento para o Leste. A realidade é esta. O resto é só conversa.

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