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O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado ao anunciar um aumento de 1,5 ponto percentual na taxa Selic, que passa para 18,25% ao ano. O Banco Central adotou o viés de baixa para os juros, indicando que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, poderá baixar a Selic antes da próxima reunião do Copom, marcada para os dias 17 e 18 de julho. O Banco Central declarou que esta dura medida era necessária para conter os risco inflacionários, sobretudo, associados à moeda em desvalorização. Com o aumento dos juros referencial da economia, o crédito no país encarece, aumenta o desemprego, já que a indústria sinaliza novas demissões, o investimento diminui e a dívida pública aumenta.
Com juros neste patamar, a quinta-feira promete ser um dia tenso, com o reajuste das taxas à nova meta da Selic, a bolsa pode operam com tendência de baixa por conta da restrição do crescimento das empresas e o dólar poderá encontrar o caminho para estender a queda registrada ontem. Contudo, a principal freada econômica deverá ser a expansão do PIB nacional, que também é pressionada pela crise de energia. Neste sentido, o governo, que estimava uma retração do crescimento econômico por conta escassez energética, deverá ainda contabilizar mais este freio para a economia. Além disso, as indústrias devem antecipar demissões e reduzir investimentos com o custo do dinheiro nos atuais níveis.
Este é o quarto aumento dos juros em 2001 e o maior desde a crise de 1999 que levou o real à forte desvalorização. O BC decidiu aumentar os juros referenciais da economia em 0,5 ponto percentual em cada uma das três últimas reuniões em março, abril e maio. Entretanto, o aumento de junho deixa a Selic no mesmo patamar em que os juros se encontravam entre maio e junho de 2000, quando o BC decidiu reduzir os juros de 18,5% para 17,5%, tendência que se estendeu até março deste ano.
Com a elevação da Selic para 18,15%, o impacto no endividamento público federal é forte, já que gera um aumento na dívida em aproximadamente R$ 4,1 bilhões em doze meses. Este aumento reflete a parcela da dívida atrelada à taxa Selic que em abril de 2001 respondia por R$ 278,49 bilhões.
A explicação detalhada sobre o motivo do BC para promover um aumento tão significativo dos juros será conhecida apenas na quinta-feira da próxima semana, dia 28 de junho. Neste dia, o BC deverá divulgar ao mercado a ata da reunião do Copom ocorrida desde a terça-feira, dia 19 de junho.