Cheque: inadimplência com alimentação cresce 78% entre julho e agosto

Neste ano, os cheques representam 18% do total de cheques devolvidos por falta de fundos, em 2010 eram 10,1%

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SÃO PAULO – A inadimplência com cheques emitidos para pagar despesas com alimentação cresceu 78% em julho e agosto deste ano, na comparação com iguais meses de 2010. Neste ano, eles representaram 18% do total de cheques devolvidos por falta de fundos, sendo que em 2010, esse índice era de 10,1%.

De acordo com a pesquisa Perfil do Inadimplente, realizada pela TeleCheque, esse cenário se deve à alta de preços dos alimentos, superior aos reajustes de salários, combinado com o comprometimento do orçamento familiar por financiamentos ou empréstimos, que podem provocar o descontrole das finanças familiares. “Quando o consumidor tem dificuldade para honrar o cheque das compras mensais com alimentação, é sinal de que a economia pode estar em situação pior do que aparenta”, explica o presidente da TeleCheque, José Antônio Praxedes.

Despesas
Entre os que deixaram de pagar suas despesas com alimentação, os casados representam 48%, e 23% possuem rendimentos entre R$ 511 e R$ 1.020. Do total de cheques devolvidos, 35% tinham valor de entre R$ 50,01 e R$ 199,99.

Além dos gastos com alimentação, entre os itens pagos com cheques sem fundos, estão vestuário (16%), acessórios automotivos (13%) e calçados (9%). “Despesa com alimentação é item de primeira necessidade, que se repete todos os meses. Se a pessoa deixou de cobrir o cheque do supermercado , assumindo o risco de perder o crédito – e, portanto, comprometendo a alimentação do próximo mês -, é porque sua situação financeira já está muito comprometida”, afirma.

Os entrevistados pela pesquisa apontaram que o descontrole financeiro foi o maior motivo da inadimplência, com 39%. Se comparado com os participantes que apontaram o mesmo motivo em 2010, houve aumento de 14,3%, quando o descontrole representava 34,2%. “Esses resultados mostram que parte da população vem tendo problemas com seu planejamento financeiro e a volta do hábito de financiar compras para terceiros demonstra que estamos tendo um aumento nas pessoas que vem perdendo seu acesso ao mercado de crédito”, afirma Praxedes.