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Integração da Porto Seguro com Itaú Seguros Auto pode demorar além do esperado

Incorporação do Unibanco atrasou processos de TI para ajuste dos sistemas do banco com a seguradora

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SÃO PAULO – A integração da Porto Seguro (PSSA3) com as agências do Itaú Unibanco (ITUB4) para possibilitar a venda de seguros de automóveis pode ser mais complicada do que o esperado. Segundo Fabio Luchetti, vice-presidente-executivo da companhia, o ajuste dos sistemas está sendo realizado com velocidade reduzida.

A incorporação do Unibanco fez com que as demandas ao setor de tecnologia da informação (TI) do banco aumentassem em grande escala, esbarrando no processo com a seguradora. “Mas o potencial de vendas ainda é bastante grande nas agências”, afirma o Luchetti. Entre o segundo trimestre de 2010 e o deste ano, a frota segurada se manteve praticamente estável (foi de 1,07 mil para 1,05 mil).

Para o segundo semestre, porém, as perspectivas são mais positivas. O executivo explica que, por conta de fatores sazonais, o último período do ano historicamente é melhor para a companhia. Ricardo Fuzaro, coordenador de Relações com Investidores da Porto, explica que a procura por seguros de automóveis está crescendo no Sudeste, o que deve trazer bom impacto nos resultados, já que a empresa afirma que os ajustes em relação ao Itaú serão equacionados em breve.

Fatia em novos mercados
Nos primeiros seis meses deste ano, a Porto Seguro investiu em uma campanha de marketing pesada fora do eixo Rio-São Paulo. A iniciativa estava dentro do orçamento da empresa e o plano pode ter registrado ganhos em participação no mercado.

Ao fim de maio, a fatia em controle da companhia no Brasil todo chegou a 26%, de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Em junho de 2010, essa proporção era de 25,5%. A alta pode não parecer muito relevante, mas informações regionais mostram a evolução da seguradora em novos mercados. No Nordeste, por exemplo, na mesma comparação, a taxa foi de 14,8% para 16,3%, e no Norte, de 17,1% a 21,4%.

A região Sul também recebe grande atenção da empresa. “No Sul, foram muito investimentos, porque a infraestrutura instalada é muito boa”, avalia o vice-presidente-executivo. Em um ano, o market share na região chegou a 11,1%, contra os 7,7% anteriores.

No Sudeste
O cenário em São Paulo e no Rio de Janeiro, principalmente, já não foi tão animador. Como esses estados demandam custos maiores com previsões de severidades – roubos e furtos, para exemplificar, ocorrem com maior frequência na região –, a competição no mercado aumenta. Luchetti explica que alguns concorrentes foram com força para o Sudeste, que representa quase 70% do cenário brasileiro.

No segundo trimestre, o market share declinou 0,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. O setor, porém, está relativamente estabilizado, diz o executivo, crescendo em torno de 8%.“É mais importante manter valor do que expandir a base nesse momento”, explica.

Próximos balanços
A empresa espera melhora nos próximos balanços. Além de o segundo semestre trazer números mais positivos, o atual aumento das despesas administrativas deve trazer ganhos no futuro. “Renovamos nosso parque tecnológico e melhoramos os processos de nossa operação”, elogia Luchetti.

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Um baque, porém, pode vir de outro lado: treinamento. Além das qualificações periódicas a funcionários da seguradora, a expectativa é de que 50 mil colaboradores tenham que aprender a utilizar a nova plataforma de TI após a total incorporação com o Itaú. Mais um motivo para a Porto almejar o potencial de vendas nas agências do banco.