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A australiana BHP anunciou a aquisição da mineradora sul-africana Billiton, o que deverá criar a segunda maior empresa mineradora do mundo com faturamento anual consolidado de US$ 18,6 bilhões, atrás apenas da norte-americana Alcoa. As mineradoras aumentarão sua base estrutural com a fusão, passando a ter maior diversidade geográfica e menor exposição ao câmbio dos mercados em que operam, aumentando o poder de barganha com fornecedores e reduzindo custos de extração mineral.
A operação foi apresentada hoje em Melbourne como uma fusão entre iguais, com a BHP detendo uma participação de 58% na Billiton. A união dos ativos das duas empresas criará a BHP Billiton, uma empresa de recursos naturais e mineração, com interesses que vão do alumínio ao zinco passando pelo carvão e pelo diamante. As empresas anunciaram a criação de um conselho com 20 membros igualmente nomeados pelas duas mineradoras, e ainda que o atual presidente da BHP, Paul Anderson deverá ser o presidente da BHP Billiton até 2002, quando se aposenta e entrega o cargo a Brian Gilbertson, atual presidente da Billiton.
A união entre BHP e Billiton registrou lucro líquido de US$ 2 bilhões em 2000, com faturamento consolidado de US$ 18,6 bilhões e lucro operacional de US$ 3,3 bilhões, se tornando um dos maiores grupos exploradores de recursos naturais do mundo. Além disso, as duas empresas apresentam uma forte geração de caixa, mensurada pelo Ebitda do ano passado, de US$ 4,9 bilhões, o que deverá disponibilizar recursos suficientes para o crescimento através da diversificação de seus negócios. A BHP Billiton estima que o benefício gerado pela fusão deverá atingir US$ 270 milhões no exercício fiscal de 2003.
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O valor de mercado consolidado da BHP Billiton baseado no fechamento de sexta-feira, dia 16 de março, é de US$ 28 bilhões, sendo que as ações da empresa continuarão a ser negociadas em Londres e na bolsa australiana, com a mesma cotação. Além disso, os papéis deverão ser negociados secundariamente na bolsa sul-africana de Johannesburgo e na NYSE com ADRs.
O processo de consolidação das mineradoras se intensificou no ano passado com a queda no preço das commodities. Em resposta ao menor preço, a BHP adotava corte de custos e desinvestimento ou venda de unidades que se apresentavam pouco lucrativas. Contudo, A BHP passou a seguir a estratégia da concorrência, como a adotada pelas mineradoras Rio Tinto e a sul-africana Anglo American, que gastaram bilhões na aquisição de novas minas. A fusão com a Billiton dá continuidade ao processo de consolidação iniciado em 12 de fevereiro deste ano, quando a BHP adquiriu 20% de participação no capital total da mineradora brasileira Caemi, representado 60% do capital com direito a voto, em uma operação estimada em US$ 332 milhões.
A união entre as duas empresas precisa da aprovação dos acionistas e da desistência da Anglo American sobre seu direito de preferência na Billiton, já esta que detém 7,1% de participação na companhia. Entretanto, a recente aquisição da De Beers, empresa sul-africana de extração de diamante, deverá impedir a Anglo de fazer uma oferta superior à da BHP.
O anúncio da aquisição impulsionou as ações da Billiton, que operam em alta de 12,38% na bolsa londrina. No mesmo sentido, as ações da BHP fecharam em alta de 2,10% na bolsa australiana.