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SÃO PAULO – A Redecard (RDCD3) divulgará seus resultados operacionais referentes ao quarto trimestre de 2010 na próxima quarta-feira (2) e a expectativa dos analistas é grande, aguardando os números com certo ceticismo. Para a maioria dos especialistas consultados pela InfoMoney, o MDR (Merchant Discount Rate) – taxa cobrada dos estabelecimentos comerciais por cada operação realizada – pode ser o grande vilão não só da companhia, mas das operadoras de cartões em geral.
Nesse ponto, não há divergência: o MDR deve vir menor. Na visão de Alcir Freitas, do UBS, o resultado deve vir neutro. Mesmo com sólido volume de crescimento que a empresa deve apresentar, os números devem ser parcialmente ofuscados pela queda no MDR, impactando o resultado de forma geral. Divide a mesma opinião Daniel Malheiros, da Spinelli, que acredita que o quarto trimestre mostrará uma aceleração na queda da taxa, que passará de 1,36% em 2010 para 0,90% em 2014. Além disso, o analista ressalta que no terceiro trimestre, a Redecard já havia mostrado queda de 1,43% para 1,33% em seu MDR decorrente das primeiras negociações com varejistas e da diferença no critério contábil entre cartões de débito e crédito para mensurar as receitas.
Para Henrique Caldeira, do Barclays Capital, as novas estratégias comerciais devem começar a ser sentidas de maneira mais efetiva, com um possível impacto de deterioração nos preços, com queda de 14% nas taxas de cartão de crédito. Defendendo a posição, Marianna Waltz, analista do BB Investimentos, acredita que os grandes varejistas estão mais cientes de seu poder de barganha, por isso o processo de negociação deve ser mais apertado, levando a quedas substanciais nas taxas. Esse deve ser um dos principais causadores de um resultado fraco da Redecard no período.
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Market share
Outro ponto evidenciado por analistas é a perda de market share da empresa. A entrada de novos concorrentes deve ser um ponto negativo para a Redecard, contribuindo para números pouco animadores. Ao final de 2009, Cielo e Redecard detinham 94,1% do mercado sem Private Label. De acordo com as estimativas do BB, o market share deve cair para 84,6% em 2015.
Para a Spinelli, num primeiro momento, a empresa poderá ter vantagem, por iniciar o processo da bandeira Visa, porém, com a atuação de novos players internacionais – Global Payments, First Data e Elavon, além da GetNet que já opera nesse mercado – a companhia deve perder sua posição, com sua participação no mercado passando de 38,3% em 2010 para 35,9% em 2014.
O analista do Barclays não parece apostar nessa visão. Para ele, a percepção de curto prazo tem oferecido melhores condições de crédito para a Redecard, devido à sua participação no mercado, que começa a se traduzir em maior crescimento nos volumes de compra.
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Custos elevados
Se não bastasse a queda das taxas provenientes do MDR, que devem causar perda de receita, os custos da empresa continuam pressionados. Para o Barclays, a estrutura de custos deve continuar em ascensão, cenário que também é aposta do BB.
De acordo com Marianna, a competição deve pressionar os patamares de custos e despesas. “No primeiro caso, a tendência é de elevação no custo por transação, em função dos fees a serem pagos à Visa e à Mastercard. Essa tendência já vinha sendo observada nos últimos trimestres, com o incremento gerado pelos gastos com a preparação para o fim da exclusividade “, afirmou a analista.
Outro vilão é o aumento com marketing e despesas com pessoal. A necessidade de promoção da marca em um meio competitivo e acirrado, além da demanda por pessoal capacitado para atender os estabelecimentos comerciais mais ativamente não deixou outra opção à empresa.
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Um dos responsáveis pelo aumento dos custos é a pós-exclusividade. Isso porque a companhia não conseguiu se ajustar após o período, conforme a visão de Spinelli e BB Investimentos.
Projeções
Nas estimativas do BB, a Redecard irá reportar receita líquida ajustada de R$ 891,879 milhões, enquanto o Ebitda (geração operacional de caixa) será de aproximadamente R$ 540,746 milhões e o lucro líquido de R$ 341,012 milhões. Para a Spinelli, a receita operacional mais financeira líquida será de R$ 902 milhões, com Ebitda de R$ 558 milhões e lucro líquido de R$ 342 milhões.
O analista do Barclays aposta em receita líquida de R$ 895,6 milhões, Ebitda ajustado de R$ 552,8 milhões e lucro líquido de R$ 349,0 milhões. Por fim, para o UBS, a receita será de R$ 910 milhões e o Ebitda de R$ 538 milhões, com um lucro por ação de R$ 0,52.
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Recomendações
Essa expectativa também levou a alterações nas projeções para preço-alvo e recomendações. Na visão do Barclays, o preço-alvo ao final do ano será de R$ 23,00, o que representa um potencial de valorização de 11,65% com base no fechamento anterior. Já na análise da Spinelli, o fraco desempenho das ações ao longo de 2010 – queda de 21,6% contra alta de 1% do Ibovespa no período – e os demais fatores acima expostos levaram à diminuição do preço-alvo para R$ 22,09, com potencial valorização de 7,23% , enquanto a recomendação continuou sendo de manutenção.
Na visão do BB, os papéis da companhia não devem se recuperar nos primeiros meses do ano, assim a recomendação passou a ser de manutenção, com preço-alvo de R$ 26,80, com potencial de valorização de 30,09%. Por fim, para o UBS, a recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 21,00, o que equivale a uma valorização hipotética de 1,94%.
Confira a prévia dos resultados da Redecard:
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| (em R$ milhões) | 4T10 E * | 3T10 | 4T09 | Var 4T10 E/ 3T10 | Var 4T10 E/ 4T09 |
| Receita líquida | 982,5 | 844,5 | 868,8 | +16,34 | +13,08 |
| Ebitda** | 593,7 | 522,2 | 627,1 | +13,70 | -5,33 |
| Lucro líquido | 382,7 | 324,1 | 402,5 | +18,08 | -5,00 |
* média obtida entre as expectativas de BB Investimentos, Spinelli e Barclays
** média considera também as expectativas de UBS